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Salão de Frankfurt rompe barreira ao trazer carros do futuro no presente

Ralph Orlowski/Reuters
Imagem: Ralph Orlowski/Reuters
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL

22/09/2017 15h28

Ausência de dez marcas no maior salão de automóveis do mundo, o de Frankfurt -- que vai até dia 24 --, levou ao debate se esse tipo de exposição estaria em crise. Há exagero nessa suposição. Maioria das desistentes nada tinha a mostrar ou sua presença no mercado alemão é fraca.

Claro que organizadores de exposições precisam reagir, mas os salões ainda atraem multidões, despertam sonhos e indicam tendências.

Daqui para frente, alternativas de mobilidade, conectividade e novas tecnologias responsáveis por mudanças disruptivas no modo como os veículos são dirigidos, além do tipo de propulsão, tendem a deixar visitantes ainda mais interessados sobre o futuro.

Eles se dividem entre o Bugatti Chiron W16, que exibe num telão ser capaz de acelerar de zero a 400 km/h e parar em 42 segundos, e o minúsculo smart Fortwo, que terá apenas propulsão elétrica ao final desta década.

Anfitriãs premium

Sem esquecer de híbridos, como o supercarro ProjectOne apresentado pela Mercedes-Benz: motor a gasolina vem da F1 e a potência combinada com quatro elétricos tem 1.000 cv. Apenas 275 unidades serão produzidas ao preço estimado, na Europa, de 2,275 milhões de euros (R$ 8,5 milhões em conversão direta) -- já com um brasileiro interessado. Para contrastar, a marca exibiu ao seu lado o EQA, visão de um futuro Classe A elétrico.

Audi, por sua vez, embalada pelo novo A8, primeiro modelo no mundo homologado no nível 3 de automação (motorista não precisa tocar em pedais e volante até 65 km/h), apresentou dois automóveis conceituais: o Elaine tem nível 4 e mantém os comandos apenas para situações específicas; o Aicon se enquadra no nível 5 de autonomia absoluta, sem pedais e volante. Ambos são muito elegantes, sem rompantes estilísticos.

Já a BMW indicou como será o seu futuro elétrico i5, sedã-cupê de quatro portas, ainda sem todas as definições de desenho. Outros dois cupês demonstram que os carros convencionais estarão presentes ainda por bom tempo. Tanto Z4 quanto Série 8 enchem os olhos pelo equilíbrio de linhas.

Mais atrações

Em atitude de virar a página do triste episódio dos motores a diesel fora dos limites de emissões, revelado na edição anterior do Salão (2015), a Volkswagen continuou a defender suas soluções movidas a bateria.

Mostrou versões evoluídas do monovolume Sedric e do crossover I.D. Crozz II, este bem mais próximo da versão definitiva -- a empresa pretende lançar 30 modelos elétricos e eletrificados até 2025, na maior guinada técnica de sua história.

Modelos de mecânica tradicional também eletrizam a audiência, caso da inteiramente nova Ferrari Portofino, conversível de teto retrátil rígido sucessor da California T. Motor V8 tem 600 cv. Bentley Continental GT também estreia nova geração, de estilo ainda mais apurado e motor W12 de 635 cv. Porsche destaca a terceira geração do Cayenne, responsável pela febre de SUV irradiada entre concorrentes diretos e indiretos. SUV Jaguar E-Pace é um dos estreantes no Salão.

Dacia Duster também surgiu e vai inspirar o Renault homônimo produzido no Paraná, dentro de dois anos, com as devidas adequações ao mercado brasileiro. Já o Citroën C3 Aircross impressionou bem por ser um todo novo SUV compacto de linhas modernas e equilibradas, mas não tem previsão de produção no Brasil.

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+ Simpósio internacional de Engenharia Automotiva (Simea), em sua 25ª edição semana passada em São Paulo, focou na necessidade de o Brasil se inserir na rota tecnológica mundial de veículos híbridos e, em etapa mais distante, elétricos. Equação bem difícil de resolver pois tudo é muito caro. Voltou à baila a pilha a hidrogênio (energia elétrica a partir de etanol).

+ Audi TT RS tem desempenho muito forte com o motor 5-cilindros (único a gasolina em produção no mundo), 2,5 litros, turbo, 400 cv e tração nas quatro rodas. Em autoestradas alemãs encarou modelos mais potentes por ser menor e mais leve. Vai de 0 a 100 km/h em 3,6 s, apenas um décimo de segundo a mais que, por exemplo, a Ferrari Portofino de potência 50% superior.

+ Recursos de segurança como seis airbags, ESC (controle de trajetória), faróis e luzes diurnas de LED estão na atualização de meia geração do Fit 2018. Para-choques maiores (2 cm na frente 8 cm atrás) vão além da função estética, pois protegem melhor a carroceria em pequenas colisões. De R$ 58.700 a R$ 80.900. Aumento de preço foi inferior aos itens agregados.

+ Marcas japonesas continuam a desenvolver motores de ciclo Otto de alta tecnologia, independentemente dos elétricos. Em 2016 a Infiniti (divisão de luxo da Nissan) e agora a Toyota apostam em taxas de compressão variáveis. É recurso ideal para motores flex. Mazda avançou mais com redução de 30% no consumo de gasolina ao adotar ciclo misto (Otto e Diesel).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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