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Brasil deveria "abraçar" Argentina para ter carros mais competitivos

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL

12/09/2017 04h00

Se alguém ainda duvidava, os resultados da indústria nos três principais indicadores -- vendas internas, produção e exportação -- ao final de agosto apontaram recuperação sem qualquer viés de baixa ou reversão das expectativas.

Em comparação aos sete primeiros meses do ano passado, os percentuais são positivos: 5,3% (vendas), 25,5% (produção) e 56,1% (exportação). Os números se referem a automóveis e comerciais leves e pesados.

Desempenho do mercado interno ainda tem muito a melhorar, pois a média diária de vendas em agosto foi de 9.415 unidades. Quando o ritmo sustentável subir para mais de 10mil veículos/dia, pode-se concluir que o crescimento é autossustentável.

Como as exportações estão subindo bem mais que o esperado, deve ajudar na recriação de empregos e realimentar a demanda interna.

A Anfavea (associação dos fabricantes) revisou para cima as projeções deste ano. Em relação aos três indicadores citados, a entidade espera que 2017 supere 2016 em 7,4%, 25,2% e 43,3%, respectivamente. No início de 2017, quando o pessimismo era grande, esta coluna previu 9% de crescimento nas vendas internas no fechamento do ano ao analisar os números ruins de 2016.

Depois de queda acumulada de quase 50% em três anos a reação deveria acontecer mesmo. Se as sucessivas crises políticas não tivessem atrapalhado as reformas econômicas -- até agora concluídas parcialmente --, o resultado poderia ser melhor.

Basta olhar a Argentina, onde o mercado interno cresceu 30% de janeiro a agosto sobre igual período de 2016 na esteira de mudanças de rumo na economia.

Por que não atuar em conjunto?

O que pode ajudar muito é a convergência de boas decisões entre os dois países. Basta um simples exemplo: Argentina decidiu harmonizar as exigências de segurança veicular e considerar o mesmo prazo de 2020 para adoção simultânea com o Brasil do controle eletrônico de estabilidade nos carros de projetos novos e 2022 para todos os demais à venda.

Seria muito bom se, em contrapartida, o Brasil passasse a exigir engates Isofix para bancos infantis, já obrigatórios no outro lado da fronteira.

Fato de grande relevância seria ambos terem regras em comum tanto em itens de segurança quanto em consumo de combustíveis e emissões, guardadas as diferenças pontuais. O programa brasileiro Rota 2030, a ser anunciado até novembro, poderia se tornar o ponto de partida para esse ajuste de médio e longo prazo.

Com uma produção conjunta de cinco a seis milhões de unidades anuais dentro de cinco a seis anos, Brasil e Argentina alcançariam escala de peso. Poderiam exportar para mercados sul-americanos e de outros continentes de forma competitiva.

De acordo com a Anfavea, bastaria o Brasil manter a cotação do dólar, nos próximos anos, entre R$ 3,20 e 3,40 para que continuasse competitivo fora das fronteiras e pudesse importar componentes de tecnologia de ponta a preço compatível para os veículos aqui produzidos.

Forçar uma modernização sem critérios técnicos foi um dos erros do programa Inovar-Auto, que termina em 31 de dezembro próximo.

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+Hatches médios como Cruze, Focus e Golf estão cada vez mais sob pressão de SUVs. Assim, a Volkswagen não será a única a produzir um utilitário esporte desse porte na Argentina. Há fortes rumores de que a GM também aproveitará sua fábrica no país vizinho para entrar na disputa, dentro de três anos, pressionando ainda mais a segmento de hatches e até de sedãs.

+Volkswagen oficializou (conforme antecipado aqui) que o Gol volta a ser produto de entrada a preço pouco inferior ao do up!. O modelo veterano torna-se alternativa aos subcompactos Mobi e Kwid por oferecer mais espaço interno e diferença de custo relativamente pequena. Fox teve enxugamento de versões. Tal realinhamento prepara chegada do Polo às concessionárias, no fim de outubro.

+Como alternativa aos SUVs espaçosos de sete lugares, Citroën Grand C4 Picasso oferece dirigibilidade refinada e resposta em curvas segura por ter centro de gravidade mais baixo. Luminosidade interna e visibilidade à frente e lateral destacam-se. Bancos são bem confortáveis, mas motorista demora até não esbarrar no comando do limpador ao acionar minialavanca do câmbio.

+Finalmente autoridades regulatórias europeias adotam métodos atualizados de medição e homologação de consumo e emissões para todos os veículos fabricados no continente. Referência anterior fugia muito do mundo real se comparada aos números de Estados Unidos e Brasil. Também exige teste de emissões fora de laboratórios, um avanço significativo de credibilidade.

+Mais um fabricante, dessa vez Jaguar Land Rover, aposta na eletrificação em lançamentos a partir de 2020. Isso não significa que todos os novos modelos serão elétricos, mas que poderão ter um motor elétrico associada ao de combustão, ou seja, híbridos recarregáveis em tomadas ou não. Essa flexibilidade permitirá custos mais acessíveis ao consumidor e uma transição menos arriscada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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