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Ford sai da anestesia com novo EcoSport; preço é maior trunfo do SUV

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para o UOL

26/07/2017 06h00

Ex-líder do segmento se atualiza e evolui em segurança, mecânica e recheio sem praticamente mexer nos valores cobrados pelo atual

O EcoSport teve fase de ouro desde seu lançamento em 2003. Os concorrentes ficaram anestesiados, vendo a banda passar, e só em 2011 surgiu o Renault Duster. Em 2013, foi lançada a segunda geração do modelo que havia inaugurado o mercado mundial de SUV compacto, segmento que só existia aqui. Nesses últimos quatro anos, porém, a concorrência se acirrou e anestesiou a Ford, que só agora reagiu.

A resposta acaba de chegar com o Eco 2018. O modelo de quarta geração, segundo a fabricante, estreia no Brasil antes de outros mais de 140 países, inclusive dos EUA.

Externamente há poucas diferenças, concentradas na parte frontal, como grade e luzes de uso diurno em LED (a partir da versão intermediária Freestyle). Na traseira, conservou o estepe externo, modismo superado -- a Ford decidiu mantê-lo porque seu porta-malas tem volume no limite do aceitável (362 litros). O sistema de rebatimento do banco traseiro é engenhoso e o assoalho do porta-malas possui uma prancha para maior flexibilidade na arrumação da bagagem.

Para compensar, a marca investiu pesado em segurança, mecânica e interior. Por dentro, as mudanças são profundas com bancos novos, além de nível de acabamento e materiais bastante superiores ao padrão franciscano anterior. Painel é todo novo e inclui telas multimídia de 6,5 polegadas (Freestyle) e 8 polegadas (Titanium), maiores que as dos concorrentes. O próprio quadro de instrumentos agora enche os olhos e o ar-condicionado digital é de última geração. Pena que perdeu o espaço sob o assento do banco do carona, antes existente.

Em termos de segurança, tornou-se novo paradigma entre SUVs de menor porte: são sete airbags e controle de estabilidade (ESC) de série e, na versão de topo, alerta de tráfego transversal, aviso de ponto cego no retrovisor esquerdo e faróis de xenônio, entre outros.

Novos motores

Evolução marcante no trem de força começa pelo inteiramente novo motor de três cilindros, 1,5 litro, 137 cv e 16,1 kgfm de torque (com etanol). Entrega a maior potência específica entre motores de aspiração natural e trata-se do melhor motor flex (sem turbo) disponível no Brasil.

Surpreende pelo baixo nível de vibração conseguido por adoção de inédita (em motores de produção nacional) árvore balanceadora contrarrotativa e outros recursos de engenharia. Recebeu nota A em consumo de combustível do programa de etiquetagem veicular (PBEV) do Inmetro. O modelo demonstra nítida superioridade sobre o antigo motor 1.6, tanto que muitos deverão pensar que se trata de um 4-cilindros.

Já o motor de 2 litros recebeu injeção direta de combustível e passou a 176 cv (etanol), tornando-se o mais potente do segmento -- suas respostas são vigorosas a partir de 3.000 rpm. A caixa de câmbio automática de seis marchas é nova (igual à do Fusion) e estreia em substituição à automatizada de duas embreagens, conforme antecipado por esta coluna.

Mudanças nas suspensões dianteira e traseira melhoram as respostas ao volante e passam sensação de maior robustez.

Grande trunfo deste SUV passa a ser o preço entre R$ 73.990 e R$ 93.990. Praticamente o mesmo da versão anterior, mas com itens custando entre R$ 5.000 e R$ 10.000 incorporados no pacote sem repasse.

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Imagem: Alta Roda
+Presidente da Volkswagen, David Powels, admitiu a produção de dois novos SUVs, além do Tiguan Allspace (7 lugares) mexicano. Um é o T-Cross, feito sobre a mesma base do Polo e produzido em São José dos Pinhais (PR). E o segundo? A Coluna aposta no T-Roc, que divide arquitetura com o Golf. Poderá ser produzido na Argentina para equilibrar comércio bilateral.

+ Opção por alguma forma de eletrificação, incluindo obviamente modelos híbridos, não entrou à toa nos planos da Volvo. Decisão tem a ver com sua exposição excessiva no uso de motores a diesel. A marca está focada em SUVs, que são mais pesados. A Land Rover por igual motivo terá de se mexer na mesma direção, incluindo a Jaguar: híbridos e elétricos.

+ Fiat Mobi GSR, que recebeu terceira atualização do câmbio automatizado de uma embreagem, demonstra evolução. Trocas de marcha estão mais suaves. Trancos também diminuíram, porém exige respeitar as limitações normais deste recurso mais barato de automatização. Pelo preço menor (cerca de R$ 45 mil), uma opção válida. Motor 1.0 tem potência abaixo dos concorrentes.

+ Pepper, linha de visual esportivo para up! e Saveiro que começou no Fox em 2014, passa a dividir com o conceito Cross o alto de gama da Volks. Decoração é discreta e no up! há opção de teto pintado de preto. Preço do compacto com motor TSI: R$ 57.900. Interessante notar que 70% das vendas dele já concentram-se na versão turbo do motor tricilindro, algo surpreendente.

+ Chevrolet S10, modelo 2018, ganhou aperfeiçoamento na caixa de câmbio automática das versões com motor a diesel. Sistema pendular absorve parte das vibrações, formando uma espécie de filtro mecânico para diminuí-las. Dá para sentir bem este efeito em comparação ao modelo anterior. Preço: R$ 153.990 a 181.590.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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