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Mercado de carros demorou a reagir e comprova: ficou defasado, dançou

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração par o UOL

05/04/2017 09h37

Foram dois anos até vendas subirem outra vez, e consumidor quer produtos atualizados

Espera foi bem longa -- nada menos que 26 meses ininterruptos -- para finalmente o mercado brasileiro alcançar um número positivo na comparação mensal com o mesmo mês do ano anterior.

Isso aconteceu em março. As 183.850 unidades de automóveis e comerciais leves em 2017, que representam 95% das vendas totais de veículos, subiram 6,1% em relação a março de 2016. No primeiro trimestre, entretanto, o acumulado deste ano ainda é 1,1% inferior ao de 2016.

Pode-se contrapor que compradores individuais ainda estão retraídos, pois o crescimento de março foi puxado por frotistas e pessoas jurídicas. Mas os estoques aumentaram em relação a fevereiro.

A boa notícia é a média de vendas diárias, indicador mais preciso por compensar distorções sazonais, ter subido 8,3% de fevereiro para março e atingido 8.000 unidades. Trata-se de importante ponto de inflexão e deve marcar o início da recuperação este ano.

Pode ser um avanço tênue ou firme, a depender mais de fatores políticos do que econômicos. Que o cenário será de recuperação gradativa -- em ritmo ainda incerto -- nos próximos anos não existem mais dúvidas.

Marcas fazem suas apostas

Interessante avaliar como as marcas reagirão aos novos tempos, depois de a Chevrolet ter subido do terceiro para o primeiro lugar em 2016. Tudo indica que manterá a liderança em 2017.

Fiat deve perder protagonismo, embora a FCA (ao incluir, em especial, as vendas da Jeep) continue na expectativa de liderar o mercado como grupo.

Volkswagen, porém, fará uma ofensiva de quatro lançamentos até 2019, justamente na faixa de preço em que se decide, atualmente, o vencedor se não em volume de vendas pelo menos em rentabilidade: R$ 45.000 a R$ 90.000.

Havia temor de que os maus resultados da economia brasileira refletissem na atualização dos produtos. A marca alemã, porém, optou por produzir a mais moderna de suas plataformas (MQB), iniciando pelo Polo em meados do segundo semestre, apenas quatro meses depois da Alemanha.

Esse carro será seguido em 2018 por um sedã, já batizado de Virtus, previsivelmente maior que o Polo, e de um SUV compacto ainda não confirmado pela empresa, bem como uma picape.

Divulgação/Volkswagen
Virtus seguirá base do novo Polo e terá como missão abalar Cobalt, City e até mesmo Corolla GLi Imagem: Divulgação/Volkswagen

Hoje a VW vende aqui a primeira geração do Tiguan, porém o de 2ª geração, avaliado na Alemanha semana passada na versão de cinco lugares, revelou-se um produto mais refinado em estilo e acabamento. Tem 6 cm a mais de comprimento, espaço interno e porta-malas maiores. Motor 2.0 de 220 cv e 35,7 kgfm até sobra no conjunto.

Apesar de dividir plataforma com o Golf 7 produzido no Paraná, a VW descartou sua fabricação aqui. Continuará com o atual modelo até o final do ano, quando trará do México o novo Tiguan Allspace de sete lugares, SUV médio de dimensões maiores e preço competitivo por ser isento de imposto de importação (II).

Versão de cinco lugares do Tiguan de segunda geração está fora dos planos de importação da Alemanha em 2018, em razão da sobrecarga fiscal.

Utilizar arquiteturas alinhadas ao que existe de mais atual no exterior deixa concorrentes na obrigação de seguir essa estratégia ou perder espaço no mercado brasileiro. O jogo está dado. E não será fácil vencer para quem optar por produtos defasados.

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Imagem: Alta Roda
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+ Segunda geração do Mini Countryman, que chega agora ao país, está cada vez menos mini em termos de dimensões e proposta, além de visual ainda mais próximo de um SUV urbano. Nova arquitetura é bem maior: 20 cm mais longo (4,29 m de comprimento) e 7,5 cm extras de entre-eixos (2,67 m). Porta-malas oferece 450 litros. Há três versões, de R$ 144.950 a R$ 189.950.

+ Relação custo-benefício é destaque no Chevrolet Cruze Sport6 LTZ. Seu motor turboflex tem respostas vigorosas e suavidade. Um hatch de bom espaço interno, mas de porta-malas limitado a 300 litros, como outros do segmento. Pacote eletrônico de segurança, muito bom. Faltam botão de inibir start-stop e borboletas para troca manual de marchas junto ao volante.

+ Exemplo de seguir a moda aventureira, sem exageros e penduricalhos excessivos, vem do Ka Trail. Parte de R$ 47.690 e chega a R$ 51.990. Em 2003 esse subsegmento representava 4% das vendas de todos os tipos de compactos e no ano passado saltou para 16%. Ford seguiu fórmula tradicional de aumentar altura de rodagem em 3,1 cm e utilizar pneus de uso misto.

+ Fiat completa a gama do subcompacto Mobi ao oferecer câmbio automatizado de uma embreagem acoplado ao motor de 1 litro, 3-cilindros, batizando-o de Drive GSR. Ao contrário da sugestiva sigla, o câmbio foi desenvolvido para atingir o menor consumo de combustível no critério de medição Inmetro, mas seu acerto também evoluiu. Preço competitivo: R$ 44.780.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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