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Vai de SUV ou de hatch? Creta e Cruze Sport6 geram novo choque de segmentos

Rodrigo Mora/Folhapress
Hyundai Creta brasileiro chega para fazer volume e levar marca à briga pelo topo de um segmento em expansão Imagem: Rodrigo Mora/Folhapress
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

14/12/2016 12h02

Utilitários roubam espaço dos dois-volumes no mercado brasileiro

Quando surgiu o Ford EscoSport, em 2003, os concorrentes demoraram a reagir. A Renault só lançou o Duster em 2011. Depois o mercado de SUVs compactos não parou de crescer, ao avançar sobre outros produtos com certa afinidade, como peruas e monovolumes.

Vieram Chevrolet Tracker, Honda HR-V, Jeep Renegade, Peugeot 2008 e Nissan Kicks. Começou, então, um fenômeno de migração, quando os pequenos utilitários avançaram também sobre os hatches médios-compactos.

Em 2003 os suvinhos representavam 2,6% do mercado total (incluídas picapes) e os hatches do degrau superior, 8,6%. Este ano o cenário se inverteu para 4,6% e 1,8%, respectivamente.

Na semana passada, por coincidência, surgiram novos protagonistas desses dois segmentos: Hyundai Creta e Chevrolet Cruze Sport6. Sem serem concorrentes diretos, até pelo aspecto e conceito de guiar, devem aprofundar a tendência dos últimos anos.

Dê um giro com UOL Carros pelo Creta brasileiro

Creta: espaçoso, potente e... simples

O Creta surpreende pelo bom espaço interno, em especial para as pernas dos passageiros do banco traseiro. O fabricante sul-coreano elegeu a arquitetura do Elantra (sedã médio-compacto da marca). Se partisse do HB20 teria menos chances de enfrentar o HR-V, por exemplo, cuja distância entre eixos de 2,61 m é 2 cm maior que a do Creta.

Estilo agradável, interior de desenho atraente, suspensões bem acertadas e bom porta-malas de 431 litros com estepe de uso temporário (alguns não gostam) deixam factível a meta de vender 3.000 unidades/mês.

Oferece motores flex de 1,6 e 2 litros, respectivamente com 130 e 166 cv (etanol). Câmbio manual está na versão de entrada, que parte de R$ 72.990. As demais usam automático, também de seis marchas, e vão a R$ 99.490.

Esses preços o deixam competitivo frente a Renegade e HR-V, que brigam pela liderança do segmento. Desempenho do Creta satisfaz mesmo com o motor de menor cilindrada. Acabamento tem plástico duro acima do razoável para seu preço. Olhares exigentes descobrem parafusos e marcas de solda aparentes, além de pintura fosca onde não deveria.

Veja como é o novo Cruze Sport6

Cruze Sport6: apelo à esportividade

Quanto ao Cruze Sport6, o estilo e o motor turbo 1.4 de 153 cv (etanol) mudaram para (bem) melhor em relação ao anterior. O hatch médio-compacto da Chevrolet subiu de patamar de preço: mais itens de conforto, conveniência e conectividade.

Curiosamente está no mesmo nível do Cruze sedã: R$ 89.990 a 110.990, denotando que volume de vendas não é preocupação prioritária. Segundo o fabricante, diferença de custos na linha de montagem entre hatch e sedã é bem pequena. Assim, valorizou para-choque dianteiro, ponteira de escapamento e defletor de teto.

Disponível apenas com câmbio automático de seis marchas, que escapa do conceito comum de Sport, o acerto de carga ligeiramente superior do volante de direção e de molas traseiras demonstram a intenção do fabricante em agradar quem valoriza a esportividade ao guiar.

Não impede de oferecer recursos de assistência semiautônoma. Um deles permite manter a trajetória do carro dentro de faixas de tráfego bem pintadas, mesmo sem as mãos no volante. Porém, esse recurso é temporário – entre duas e três correções automáticas.

O sistema, então, se desconecta e aparece uma mensagem no quadro de instrumentos (deveria haver também alarme sonoro).

Roda Viva

+Novo Hyundai Tucson, que passa a ser produzido em Anápolis (GO), conviverá com o atual ix35, mas reposicionado em preço: R$ 138.900 a 159.600. Nem a versão mais cara oferece luzes de rodagem diurna (DRL). Motor 1.6 turbo (só a gasolina) de 177 cv, câmbio automatizado de duas embreagens e sete marchas, boa suspensão e direção eletroassistida são destaques.

+Novembro mostrou recuperação nas vendas internas de veículos leves (em relação a outubro), com retorno da produção da VW. Estoques totais de 35 dias estão perto da normalidade, indicando produção ajustada. Reação neste mês precisa ser algo mais robusta para as vendas acumuladas totais atingirem 2,08 milhões de unidades, ou 19% menos que 2015.

+Preço competitivo por importação do México faz do Fusion Titanium um carro especial em termos de espaço interno (2,85 m de entre-eixos) e conforto de rodagem. Tração integral, motor 2.0 turbo (248 cv) e câmbio automático de seis marchas, comandado por botão giratório, agradam. Apesar de mudanças feitas, raspa (um pouco menos agora) em quebra-molas e valetas.

+Mercado de veículos usados e seminovos (até três anos de fabricação) continua a servir como amortecimento parcial à queda de comercialização de modelos zero-quilômetro. Relação histórica tem sido de três usados para cada novo, mas este ano a relação subiu para cinco. Dados confirmados pela Fenabrave (concessionárias) e Fenauto (associação dos lojistas).

+Secretaria americana que cuida da segurança veicular exigirá para 2019 novo teste de colisão. Uma barreira móvel deformável a 90 km/h atinge frontalmente no lado esquerdo um veículo imóvel, em ângulo de 15 graus e sobreposição de 35%. Considera-se esse tipo de acidente recorrente. ZF já desenvolve airbags frontais e de cortina específicos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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