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Alta Roda

Indústria automobilística nacional faz 60 anos sonhando em voltar a crescer

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DKW Vemaguet é considerado o primeiro carro de produção nacional feito sob as regras (por peso) de 16 de maio de 1956; na foto, uma unidade do modelo 1962 sendo exibida no Salão do Automóvel de 1961 Imagem: Reprodução
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

24/11/2016 15h16

Primeiro carro feito no Brasil fez 60 anos no último dia 19 de novembro

Poucos atentaram, pelo fato de o Salão do Automóvel de São Paulo ter drenado muito da atenção de todos, mas no penúltimo dia da exposição, em 19 de novembro, completaram-se seis décadas do primeiro carro fabricado no Brasil sob as regras de nacionalização (por peso) anunciadas em 16 de maio de 1956.

Era uma DKW F91 Universal, station de origem alemã, com duas portas e índice quase simbólico de componentes produzidos em São Paulo (SP) pela Vemag, empresa de capital nacional. Batizada depois de DKW Vemaguet, apenas 156 unidades puderam ser montadas até o final daquele ano.

Sempre existirá, porém, a polêmica sobre se o Romi-Isetta foi o primeiro automóvel de produção brasileira. Modelo revolucionário para a época, com apenas uma porta e sem espaço para bagagem, transportava só dois passageiros e esta limitação o deixou de fora dos incentivos do governo federal. O microcarro, de fato, saiu na frente, em 5 de setembro do mesmo ano. Sua relevância histórica, porém, continua relativa.

O crescimento da indústria automobilística foi lento, pois dependia do poder aquisitivo dos compradores e das condições econômicas do país, entre elas a dificuldade com o processo inflacionário e a opção governamental de taxar os automóveis em nível inexistente no mundo. Apenas em 1978 foi possível romper a barreira de um milhão de veículos produzidos por ano.

Reprodução
Para muitos fãs e historiadores, o Romi-Isetta, que de fato começou a ser feito antes, é o primeiro carro nacional, embora só tivesse dois lugares -- e não quatro, como exigia o Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) Imagem: Reprodução

Alavancada

Como costuma ocorrer, houve ciclos bons e ruins do mercado. A década de 1990, entretanto, foi marcada por uma segunda fase de expansão, pois até então o mercado de veículos era dividido pelas três marcas pioneiras -- Ford, Chevrolet e Volkswagen --, além da Fiat, estabelecida em 1976.

Por problemas gerados pela crise do petróleo de 1973 e falta de divisas, o governo lançou o Proálcool em 1975 e suspendeu a importação de qualquer veículo no ano seguinte -- e somente 14 anos depois, em 1990, os automóveis importados voltaram ao país. Existe a tendência de apontar esse marco com mais importância do que realmente teve...

Outras três decisões, somadas, alcançaram peso bem maior: fim da superprotecionista lei de informática e do controle de preços, além do programa do carro popular de 1993 e das câmaras setoriais que destravaram o mercado interno. Um programa de atração de novos investimentos na Argentina também levou o Brasil a criar incentivos: chegaram Renault, Honda, Toyota, Mercedes-Benz e Peugeot-Citroën.

O país precisou de 26 anos para ultrapassar a barreira de dois milhões de veículos produzidos anualmente, em 2004, sem contabilizar unidades desmontadas para exportação. Apenas quatro anos depois, 2008, já passávamos dos três milhões. Havia sinalização de que este ano deixariam as linhas de montagem mais de quatro milhões, mas com sorte vamos retornar ao patamar de 2004.

A crise atual é a terceira de alta gravidade pela qual passa a agora sexagenária indústria automobilística. Ao longo desse período, marcas saíram e voltaram, produzindo ou importando, e as nacionais não sobreviveram. O potencial de crescimento, no entanto, continua intacto: com a quinta maior população mundial, voltaremos em ano ainda incerto a ser o quarto mercado mundial e, quem sabe, quinto ou sexto produtor.

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Roda Viva

+ Novo EcoSport finalmente chegará aos EUA no final de 2017, depois de mais de uma década de negativas. Modelo apresentado no Salão de Los Angeles é igual ao que será feito aqui no segundo trimestre de 2017, mas sem estepe externo (o nosso terá). Voltará o câmbio automático convencional no lugar do automatizado de duas embreagens.

+ Organização Internacional de Construtores de Automóveis (OICA) revelou uma pesquisa indicando que 67% dos entrevistados entendem o primeiro carro como uma das principais conquistas da vida. Assim, sugeriu certa imprecisão de outras pesquisas sobre o aparente desinteresse dos jovens em dirigir. Haveria um momento em que a necessidade ou o desejo falaria mais alto.

+ Impressiona ao volante como carro, tem estilo de station com maior altura de rodagem (21 cm), motor de seis cilindros horizontais opostos de 260 cv e tração 4x4 permanente. Subaru Outback acrescenta espaço interno e para bagagem que deixam alguns SUVs com inveja. Desenho apresenta-se conservador e algo generalista. Precisaria também perder algum peso.

+ Previsto desde o lançamento, Renegade 2017 recebe agora o mesmo motor de 1,8 litro flex da picape Toro. O ganho foi de 7 cv -- agora 139 cv com etanol -- e o torque teve acréscimo simbólico de 0,2 kgfm. Mas finalmente dispensou auxílio de gasolina em partida com etanol em dias frios. Há ainda modo Sport por meio de botão no painel. Com isso, os preços subiram: R$ 79.490 a 136.990 (diesel).

+ Maior parte da cota de importações da JAC será de agora em diante do T5. O crossover chinês recebeu câmbio automático CVT de seis marchas virtuais e, por tempo indeterminado, terá o mesmo preço da versão de câmbio manual: de R$ 69.990 a 73.990. Equivale a um desconto de R$ 5.000. Esse é um dos modelos previstos para montagem em Camaçari (BA).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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