Coluna

Alta Roda

Montadoras lutam para fazer motor a combustão sobreviver; Brasil tem etanol

Murilo Góes/UOL
Motor a combustão está com dias contados? Fabricantes buscam saída Imagem: Murilo Góes/UOL
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

08/11/2016 08h00

Ciclo Atkinson, compressão variável, cilindros desligados... Fernando Calmon cita soluções que prometem melhorar eficiência

Nada como uma “ameaça” de médio ou longo prazo a qualquer negócio para chacoalhar a criatividade humana. No caso de propulsão veicular o esforço técnico aumenta muito e, acima de tudo, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil também precisa entrar nesse esforço mundial. Em 2030 terá que importar 400 mil barris/dia de gasolina, três vezes mais do que hoje, mesmo sendo exportador líquido de petróleo. Etanol pode ser trunfo.

Acontece agora com os motores a combustão interna, que precisam diminuir o consumo de combustíveis fósseis de todas as maneiras para lidar com o avanço inevitável da tração elétrica. Os resultados medem-se pelas emissões de gramas de CO2 por quilômetro rodado.

Esse parâmetro aplica-se também aos carros a bateria, porque a fonte de energia elétrica para recarregá-la emite CO2 em diferentes níveis.

Uma das polêmicas atuais envolve a “régua” para medir o consumo na vida real, ou seja, fora dos rolos dinamométricos que garantem previsibilidade, algo essencial nas medições. Nos EUA e no Brasil isso se dá por meio de um fator de correção fixo, solução considerada dentro do velho chavão de pecar por excesso. Mas da Europa vêm agora boas notícias.

Se o consumo em condições reais de uso é o que importa, as entidades vigilantes do meio ambiente se juntaram e publicaram novo protocolo de testes confiável, fruto de rigoroso processo científico. O existente Novo Ciclo Europeu de Condução (não tão novo, criado há quase 20 anos) sempre foi criticado por ser brando demais e ficar longe da realidade.

Não é válido compará-lo com os resultados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.

O primeiro grupo automobilístico a aderir foi a PSA (Peugeot-Citroën). As medições são efetuadas em eixos urbanos e rodoviários públicos, abertos ao trânsito em condições reais de condução (utilização da climatização, pesos de bagagem e passageiros, além de declives e aclives) e com condutores não profissionais. Repetição e precisão são praticamente equivalentes às de laboratórios.

Passo seguinte está na adoção de novas tecnologias que, em primeiro momento, podem até ser caras, mas fundamentais para que os motores a combustão possam sobreviver por mais algumas décadas. Há várias sendo desenvolvidas ao mesmo tempo, das quais merecem destaque:

+Sistema elétrico de 48 volts
+Compressor elétrico para turbos
+Ciclo Atkinson/Miller (modificação do tradicional Otto que retarda a admissão)
+Desligamento de cilindros
+Transmissão com roda-livre
+Taxa de compressão variável 

Brasil tem um trunfo: o etanol

Ideal seria cobrir o déficit nacional com uso de etanol, combustível praticamente neutro em emissões de CO2. No recente II Seminário Internacional sobre Uso Eficiente de Etanol, realizado no Rio de Janeiro, foram discutidas soluções viáveis e a custos palatáveis.

Entre as boas alternativas propostas, Ricardo Abreu, diretor do Sindipeças, sugeriu aumentar a atratividade desse combustível renovável de baixíssima pegada de carbono por meio do etanol hidratado com baixo teor de água (apenas 1% contra os atuais 5% em massa).

O Brasil hoje representa apenas um quarto da produção mundial de etanol e isso talvez viabilizasse a adoção de motores flex em mais países. 

Roda Viva

+Como outubro mostrou estabilização (por dias úteis de vendas), Anfavea supõe reação de mercado em novembro e dezembro. Mesmo porque os dois últimos meses do ano passado foram bastante fracos, o que favorece a base comparativa. A entidade ainda espera que as vendas totais (incluindo comerciais leves e pesados) se aproximem de 2,1 milhões de unidades.

+Estoques em fábricas e concessionárias estabilizados em 40 dias (setembro versus outubro) sinalizam que a produção, influenciada pelas exportações em alta e a aceleração na Volkswagen depois de mais de 30 dias parada por desentendimento com fornecedores, “salve” o faturamento da indústria nestes dois últimos meses do ano. A conferir.

+Fiat completou a linha Toro com motor flex 2.4 de 174/186 cv e 23,6/24,9 kgfm (gasolina/etanol). Estratégia é oferecer a picape, na versão única Freedom por R$ 98.730 e câmbio automático de nove marchas, ao mesmo preço da diesel 4x2 com câmbio manual. Desempenho melhorou bastante em relação ao de 1,8 litro, apesar de previsível consumo elevado.

+Marca de peso no mercado de mapas digitais, a Here (propriedade de Audi, BMW e Daimler) busca ampliar espaço entre concorrentes como Google, TomTom e Waze. Orientações e escolhas de rotas são por meio de aplicativo próprio (para Android e IOS) e razoavelmente eficientes em São Paulo. Dureza é enfrentar a massa de informações em tempo real do Waze.

+Correção: em coluna anterior ocorreu um lapso ao citar os quatro produtos inteiramente novos que a VW prepara para o Brasil na sua arquitetura mais moderna (MQB A0), a partir de 2017. Haverá a nova picape Saveiro e não a volta da Parati, pois, infelizmente, station wagons ou peruas tornaram-se desinteressantes para os compradores, voltados agora a SUVs e crossovers.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Colunas - Alta Roda
Topo