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Fernando Calmon

Lançamentos de 2016 foram pensados em 2012 visando economia de combustível

André Deliberato/UOL
Ford Fusion 2017 ganhou leves ajustes estéticos e priorizou eficiência dos motores Imagem: André Deliberato/UOL
Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

28/09/2016 16h08

Em plena crise de vendas pode parecer que a grande onda de lançamentos em 2016 se deve à atuação imediata dos fabricantes em busca de clientes arredios. Na realidade, as novidades foram decididas há quatro ou cinco anos, nos tempos de bonança, e em razão de metas de eficiência energética exigidas pelo Inovar-Auto até 2017.

Só neste mês de setembro, chegaram Uno e seus novos motores, reformulações de meia geração no Fusion e motor 1-litro turboflex para o Golf, além do Jeep Compass produzido no Brasil (a ser analisado pela Coluna na próxima semana).

A Ford sempre posicionou bem seu médio-grande Fusion por trazê-lo do México isento dos 35% de imposto de importação, que deixa os rivais diretos sem fôlego para competir. Não é à toa que até o final do ano se aproximará das 100 mil unidades vendidas desde 2005. Hoje o ritmo caiu para 5.000 unidades/ano, mas o carro recebeu uma série de aperfeiçoamentos.

O visual do modelo 2017 inclui mudanças em faróis, grades e lanternas, além de discreto aerofólio sobre a tampa do porta-malas. A potência do motor 2.0 turbo a gasolina passou de 240 cv para 248 cv e ganhou 7% de economia de combustível, mesmo porcentual do motor flex aspirado de 2,5 l que manteve os 175 cv. Alavanca do câmbio automático deu lugar a um prático botão giratório.

Na versão de topo Titanium de tração 4x4 estão concentradas tecnologias como o controle de cruzeiro adaptativo incluindo a função para-e-anda e o detector de pedestre com frenagem autônoma. Segurança passiva inclui oito bolsas de ar (duas para joelhos, do motorista e passageiro) e ainda cintos de segurança infláveis para dois passageiros do banco traseiro. Ajustes elétricos estão nos bancos dianteiros.

Dinamicamente é um carro bom de dirigir e tem suspensões voltadas mais ao conforto. Altura de rodagem foi aumentada em 1,2 cm, o que diminuiu (mas não eliminou) problema anterior de raspar em quebra-molas e rampas, em especial quando roda carregado.

Preços acompanharam a variação do dólar e novos equipamentos: vão de R$ 121.500 a R$ 154.500. A Ford manteve a transparência ao adicionar um ano de garantia a cada revisão -- no quarto e no quinto anos, por opção do comprador.

Alemães ousados

Decisão audaciosa foi da VW ao oferecer o primeiro médio-compacto, Golf TSI, com motor 1.0 de três cilindros. Porém, não é qualquer motor: trata-se do melhor turboflex do mercado na relação desempenho-consumo -- são 125 cv com etanol (116 cv a gasolina, ou 1 cv a mais que o oferecido na Europa) e 20,4 kgfm de torque, no caso equivalente a uma unidade 2.0 moderna de aspiração natural.

Seu desempenho se assemelha ao de um automóvel com o dobro da cilindrada, em qualquer condição de uso, porém limitando o consumo a 11,9 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada (gasolina); 8,4 km/l e 10,1 km/l (etanol). Contribui para esses resultados o câmbio manual de seis marchas. O automático virá em 2017. Preços de R$ 74.990 até R$ 93.744 (para menos de 5% dos compradores).

Golf terá apenas motores com turbocompressor. A fábrica também mudou o plano de manutenção, agora a cada ano ou 10.000 km -- antes se exigia troca de óleo semestral e a alteração será válida para toda a linha VW. Já não era sem tempo.

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Roda Viva

+ Sergio Marchionne, presidente mundial da FCA, reafirma que novas tecnologias -- da condução autônoma à eletrificação -- são muito caras e ainda geram incertezas, inclusive de plena aceitação pelos clientes. "Em carros esportivos, então, nem pensar", disse. Ele veio ao Brasil para lançamento mundial do SUV médio-compacto Compass, que será fabricado também no México, Índia e China.

+ Fiat montou uma estratégia para colocar o novo motor de três cilindros no Mobi, o que ajudará a impulsionar suas vendas. Criará nova versão (possivelmente batizada de Drive), prevista para estrear logo no início de 2017 ou até antes. Aos poucos, descontinuará o atual motor de quatro cilindros que, além de antigo, não brilha em termos de consumo.

+ Estilo tem alguns exageros, mas o híbrido Toyota Prius traz experiência marcante. Quem usa o acelerador com moderação consegue tirar o carro da imobilidade e, em teoria, rodar até quatro km no modo puramente elétrico. Resultado de consumo de combustível no uso urbano é excepcional; na estrada, nem tanto. Atmosfera da cabine é ponto alto.

+ Mitsubishi renova a picape média de cabine dupla L200 Triton sem retirar de linha a geração anterior. Estilo mudou e uma das novidades é a altura da caçamba, que aumentou o volume para carga. Grande evolução mesmo foi do motor a diesel, que diminuiu cilindrada para cortar consumo e ainda assim ganhou potência (190 cv) e torque (43,9 kgfm).

+ Dezoito entidades de vários setores tentam convencer candidatos à prefeitura da maior cidade do país -- e, portanto, exemplo para outros municípios -- sobre a importância da inspeção veicular de segurança e ambiental. Estudos apontam que de 10% a 20% das mortes no trânsito ocorrem por falta de manutenção regular, sem contar a melhora do ar.