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Brasil ainda não trata inspeção veicular da forma como deveria

Renato Stockler/Folhapress
excesso de fumaça em escapamento de Land Rover Defender mostra: frota brasileira precisa ter índices de emissões mais bem fiscalizados Imagem: Renato Stockler/Folhapress
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

10/08/2016 15h24

A proximidade das eleições municipais em todo o país leva os candidatos a prefeito a apresentarem suas propostas para ao menos mitigar, entre outros problemas graves, o de poluição atmosférica nos grandes centros urbanos.

São Paulo, cidade mais populosa e com maior frota de veículos (cerca de 5,5 milhões, incluídas as motocicletas) no Brasil, conseguiu implantar entre 2008 e 2013 uma polêmica inspeção ambiental veicular (IAV). Houve mais erros do que acertos, porém nada justifica a falta de ação ao longo de quatro anos, além de simples encerramento do programa.

Recentemente, a capital paulista sediou o 13º Encontro de Alto Nível sobre Contaminação Atmosférica e os Desafios das Megacidades, organizado pela Aiesa (Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental).

Na contramão do mundo

Ao contrário da Cidade do México e de Santiago (Chile), a Região Metropolitana de São Paulo e seus 39 municípios não dispõem de ações diretas para controle de emissões de oxidantes fotoquímicos -- geradores de ozônio ao nível do solo -- e de material particulado fino (MP2,5).

Entre as recomendações apresentadas estão o avanço da legislação de emissões em veículos novos e o combate a fraudes de motoristas de caminhões e transportadoras. Estes anulam o sistema de reagente à base de ureia em motores a diesel modernos.

Em São Paulo, metrópole com maior tráfego de veículos pesados do país, o problema tende a se agravar, pois também a fiscalização em campo deve ser permanente.

Em cenário ideal, a sugestão da Aiesa é um programa de renovação de frota e inibir a circulação de veículos de alto potencial poluidor. A Cidade do México já estabeleceu restrições a automóveis, ônibus e caminhões de tecnologia antiga, apesar de inspeções ambientais sérias, obrigatórias e regulares existentes há décadas.

Hoje apenas o Estado do Rio de Janeiro continua a fazer vistoria, algo bem superficial, mal controlado e a preço fora de propósito. No fundo frustra quem é obrigado a pagar e desconfia de que o problema não está sendo resolvido.

Em São Paulo capital tentou-se fazer algo um pouco mais rigoroso. Começou de forma errada ao atingir carros novos com menos de três anos de uso. Sem incluir os outros municípios da região metropolitana, dependentes de acordo político passando pelo governo estadual, a eficácia da IAV fica comprometida.

Por isso, quem estiver à frente da prefeitura paulistana em 2017 terá de tentar logo uma solução para toda a região. 

Lucio Sassi/RBS/Folhapress
Dona de maior frota de veículos pesados no país, São Paulo sofre sem fiscalização Imagem: Lucio Sassi/RBS/Folhapress

Quais as soluções?

Há debates sobre IAV paga ou gratuita. Com pagamento se conseguiria algo mais sério do ponto de vista técnico, porém o eventual reembolso teria de vir diretamente dos 50% que cabem aos municípios no IPVA, pois se trata de imposto apenas sobre proprietários de veículos. Sem esta decisão transparente fica difícil defender a gratuidade.

Com exceção de motores a diesel, que exigem inspeção anual, os demais veículos leves poderiam ser checados depois de três anos de uso. Entre quatro e dez anos seriam verificados bienalmente e, acima disso, anualmente, como ocorre em outros países.

O correto seria utilizar rolos dinamométricos sob as rodas motrizes que simulem condições reais de uso, técnica consagrada no mundo.

Roda Viva

+Tudo indica que o mercado interno chegou ao fundo do poço, ou seja, não vai piorar mais. Nos sete primeiros meses deste ano o recuo chegou a quase 25% em relação a igual período de 2015. Até o final de 2016, a Anfavea (associação dos fabricantes) confia que os números negativos limitem-se a 19% e reação mesmo, só em 2017. Estoques totais baixaram de 39 para 37 dias em julho.

+Como já se esperava, Chevrolet Onix e Prisma Joy mantiveram as linhas antigas e ganharam alterações mecânicas já presentes na reformulação dos dois modelos recém-lançados. Passaram a ser versões de entrada, ganharam alguns equipamentos e o preço subiu para R$ 38.990 e 42.990, respectivamente. O primeiro deve representar 20% e o segundo 30% das vendas destes compactos.

+Etios pegou embalo graças ao novo painel, motores mais potentes e econômicos e opção, pela primeira vez, de câmbio automático. Quem compra, atualmente, modelos novos manteve o poder aquisitivo e a Toyota acredita que a versão de topo, Platinum, encontrará interessados. Fez retoques na parte frontal, incluiu novas rodas e cobra R$ 62.490 (hatch) e 65.990 (sedã).

+Nissan faz uma aposta diferente para carros elétricos com pilha a combustível. Utiliza etanol e um reformador a bordo para gerar hidrogênio e em seguida eletricidade. Dessa forma fica longe de tomadas e baterias de baixa autonomia. Protótipo mostrado no Rio de Janeiro tem alcance de 600 quilômetros e baixíssimo custo/km. Ainda não há previsão de mercado.

+Busca incessante por economia de combustível levou a GM a admitir, em um seminário técnico nos EUA, que pode desenvolver uma caixa automática, do tipo CVT, para modelos pequenos. Embora nem todos gostem de certa dormência ao não sentir as passagens de marchas, parece que o pragmatismo e as leis de eficiência energética acabaram por prevalecer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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