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Alta Roda

Até quem mexe com diesel é contra lei que libera uso em carros

Murilo Góes/UOL
Entidades do setor têm opiniões divergentes sobre Projeto de Lei que regulamenta uso do combustível derivado do petróleo em automóveis de passeo Imagem: Murilo Góes/UOL
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

15/06/2016 09h12

Projeto de Lei em discussão na Câmara dos Deputados, liberando o uso do diesel em carros de passeio no Brasil, foi um dos temas centrais do seminário Revisão das Perspectivas 2016, da AutoData, esta semana em São Paulo (SP).

Não há consenso nem entre empresas especialistas do setor: enquanto Cummins (especializada em propulsores para ônibus e caminhões) e Power Systems Research (consultoria) apresentaram argumentos contrários, FPT Industrial (empresa de trens-de-força do grupo FCA) e MWM (outra fabricante focada no combustível derivado do petróleo) mostraram-se favoráveis, talvez pela expectativa de produzir aqui estes motores.

A Anfavea (associação dos fabricantes) reafirmou sua desaprovação, entre outros motivos pelos investimentos já feitos para melhorar o consumo das matrizes atuais (a gasolina ou flex).

O assunto diesel não é novo. Dois projetos de lei anteriores a respeito foram arquivados. Depois de toda a confusão envolvendo emissões poluentes desse combustível no exterior, desde o escândalo da Volkswagen (saiba mais no Especial de UOL Carros), que eclodiu em setembro de 2015, pairam dúvidas sobre as reais razões de reabertura do tema. 

Se a referência for emissão de poluentes, não há condições de o diesel competir com bioetanol de cana-de-açúcar no Brasil. Pelo contrário: só danificará a matriz energética do País.

Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota, reafirmou a aposta da empresa em híbridos (motores a gasolina ou flex, no caso brasileiro, auxiliados por motor elétrico) e nas pilhas a hidrogênio para automóveis puramente elétricos. 

Ele acredita que 40% das vendas da marca na América Latina até 2030 virão dessas duas opções. E, em 2050, a totalidade de sua comercialização no mundo. Significa que o motor a combustão não acaba tão cedo, mas já começa a vislumbrar ameaça de extinção. 

E o mercado?

Um ponto positivo do seminário é que, se a onda de desânimo e falta de confiança de compradores e investidores levaram à penosa situação atual do mercado, começam a surgir sinais de esperança para 2017. 

Até agora nenhum executivo quis se comprometer sobre o que pode ocorrer no próximo ano. Há apenas o consenso de fundo do poço em 2016.

Anfavea (associação dos fabricantes) prefere esperar mais dados nos próximos meses para rever números.

Mas surge o sentimento de que mudanças econômicas em curso melhorariam o humor de pessoas e empresas. O novo presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, previu crescimento do PIB de forma bastante modesta em 2017: apenas 1,3%.

Esse patamar o autoriza a estimar que a produção de veículos leves e pesados subirá 2,7% no ano que vem, incluindo mercado interno e exportações. Se parece um alívio, Ioschpe deixou claro: “Sempre é bom voltar a crescer, mas igualar os números recordes de 2013, por enquanto, não vislumbro antes de 2023”.

Nas palestras houve reconhecimento do artificialismo que inflou as vendas no passado recente, conduzindo ao excesso de capacidade e à redução do nível de emprego.

Importante, porém, saber que o mercado brasileiro não está saturado. Alguns esperam um sinal positivo de recuperação da confiança para “acordar” os compradores. Vendas represadas trariam condições de encurtar essa nova década perdida para o setor automobilístico.

Roda Viva

+Inauguração da fábrica do grupo Jaguar Land Rover, em Itatiaia (RJ), fecha o ciclo de novos entrantes para produção de modelos mais caros. Capacidade: 24.000 unidades/ano. Range Rover Evoque e Discovery Sport têm índice de nacionalização inicial em torno de 40%. Anteriormente, Land Rover montou o Defender em São Bernardo do Campo (SP) de 1998 a 2005.

+Apesar da situação do mercado de veículos (quase 50% de queda acumulada nas vendas em dois anos), o país não perdeu tanto protagonismo na região. Volkswagen é mais um grupo a ampliar a abrangência administrativa de seu principal executivo no Brasil. O sul-africano David Powels responde agora pela América do Sul, América Central e Caribe.

+BMW M2 chega este mês às lojas como um cupê compacto de tração traseira (partilha a mesma arquitetura do hatch Série 1) e desempenho excepcional: acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,3 s. Utiliza um raro, nos dias de hoje, motor 3.0 turbo 6-cilindros em linha, de 370 cv e nada menos que 47,4 kgfm. Preço é de R$ 379.950, ou mais de R$ 1.000 por cv.

+Escalada de oferta de câmbios automáticos em carros compactos inclui os Nissan March e Versa, nas versões de 1.6. Marca japonesa optou pelo CVT (marchas infinitas dentro de intervalo fixo de maior e menor redução), mais adequado a uma condução urbana moderada. Poupa combustível, mas é encarecido pela importação: custa R$ 4.800.

+Segundo pesquisa da J.D. Power do Brasil, subiu o índice de satisfação no processo de compra de veículos novos. Com menos interessados para atender, as concessionárias estão se esforçando mais para vender e procurando fidelizar os clientes. Índice de avaliação positiva subiu de 774 pontos (numa escala até 1.000), em 2015, para 793 pontos este ano.

+Está disponível aqui óleo sintético de última geração cujo foco é manter a capacidade de lubrificação em temperaturas altas. Essas condições ocorrem em motores modernos de baixa cilindrada e alta potência. Parceira da Mercedes-Benz na F1, Petronas desenvolveu o Syntium CoolTech para maior dissipação de calor nos motores de competição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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