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Alta Roda

Fiat Mobi terá de vencer "briga em casa" com Uno para fazer sucesso

Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

20/04/2016 21h57

Finalmente o mercado de subcompactos começa a esquentar no Brasil. Espaços mal planejados nas cidades para circular e estacionar, exigências de menor consumo e emissões e muitos carros rodando com, no máximo, um passageiro, além do motorista, justificariam presença menos tímida no total de hatch compactos, de longe o segmento mais importante em vendas.

Por isso, a Fiat faz sua aposta no Mobi.

O carrinho servirá para atrair pessoas a esse segmento e colocar racionalidade na compra. Ao vivo, parece mais harmônico do que em fotos, embora a parte frontal seja exageradamente volumosa e a traseira muito "chapada". Rompe com a certa leveza de estilo da marca italiana. Desenhado em Betim, é necessário aceitar as limitações do projeto baseado no Uno.

Há redução de 21 cm no comprimento, 7 cm no entre-eixos e 4 cm na largura. Resultado: um banco traseiro muito limitado para pernas e ombros e porta-malas de apenas 215 litros (235 se incluído o "cargobox").

Problema maior está na relação custo-benefício: na própria gama Fiat o Mobi terá concorrência -- por algum tempo -- do antigo Palio Fire (representa mais de 50% das vendas da linha Palio) e do próprio Uno. Segundo o paulistano Stefan Ketter, presidente da FCA para América Latina (menos México), a marca quer voltar à liderança de automóveis e desbancar a GM "sem comprometer a rentabilidade".

Preços começam com a versão Easy, de R$ 31.900, e vão até R$ 42.300, na Like On. Há ainda a Way (altura de suspensão maior e penduricalhos de pseudocrossovers) que chega a R$ 43.800. Motor continua a ser o 4-cilindros de 1 litro do Uno que, no segundo semestre, receberá o 3-cilindros de apenas seis válvulas. Daqui a um ano o Mobi terá o mesmo motor, o que pode significar desvalorização adicional no mercado de usados. Até 60 kg mais leve que o "primo", porém, o Mobi tem agilidade razoável no trânsito.

Pontos altos: suspensão bem calibrada, interior com texturização criativa dos plásticos, regulagem do encosto do banco traseiro (pode ser bipartido), ângulo de abertura das portas traseiras e tampa do porta-malas em vidro temperado. Os bancos dianteiros são novos, menos macios que o padrão da marca (o que é bom) e oferecem adequada sustentação lateral.

A partir de junho a Fiat oferecerá interessante suporte que aproveita o telefone celular para interagir com sistemas do carro e utilizará aplicativos como Spotify (música) e Waze (rotas). Mas o aparelho é fixado horizontalmente, menos prático para leitura de mapas.

Entre pontos fracos estão visibilidade traseira, ruim para manobras, acesso ao porta-malas prejudicado pela estrutura metálica acima do para-choque e janelas atrás muito pequenas (os vidros traseiros, só por isso, abaixam totalmente). Apenas uma cordinha sustenta o chamado bagagito, ao se abrir a tampa.

Mobi terá que confiar na força da novidade para sustentar suas vendas. Não há certeza de que ajudará a Fiat a ganhar participação de mercado em razão do conflito de preços dentro da própria linha da marca. Além disso, valor ficou acima do esperado e muito próximo de concorrentes como VW up!, que tem motor mais potente e econômico, visibilidade melhor e porta-malas maior.

Siga o colunista: Fernando Calmon no Facebook

Roda viva

+ Ford lança em maio Fiesta com motor 1.0 3-cilindros turbo (EcoBoost). Unidade motriz, só a gasolina, é importada da Europa. Nacionalização está fora dos planos. No novo EcoSport, pouco antes do Salão do Automóvel de São Paulo (novembro), conforme antecipado por esta coluna, estreia o novo motor Dragon, aspirado flex, de três cilindros e 1,5 litro (mais potente que o 1.2 da Peugeot).

+ Graças à instalação de subsidiária no Brasil, a Porsche agora oferece a versão Carrera do 911 por R$ 509 mil. É porta de entrada para um verdadeiro carro esporte, todos biturbo de 3 litros e 370 cv ou 420 cv (Carrera S) e câmbio automatizado de sete marchas. Cupê, cabriolet e targa estão disponíveis em até 14 configurações, incluído o 911 Turbo S por R$ 1,277 milhão.

+ Dirigir o 911 em um autódromo de traçado desafiante, como o Velo Città em Mogi Guaçu (SP), traz sensações inigualáveis em relação ao que existe de melhor no mundo. Respostas de direção e acelerador, capacidade incrível de frenagem e mudança de comportamento geral do automóvel ao girar de um botão no volante levam à vontade de não parar nunca de guiar.

+ Mau sinal: mortes no trânsito no Brasil cresceram quase 2% em 2014 em relação a 2013. Passaram de 42.266 para 43.075, a partir de levantamento compilado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária no defasado Banco de Dados do DataSUS. Assim, fica ainda mais distante o país cumprir meta voluntária da ONU de redução de 50% das mortes em uma década.

+ Comunidade técnica brasileira ganhou relevância com a promoção de William Bertagni a vice-presidente de Engenharia Veicular para a Europa da Opel, subsidiária alemã da GM. Bertagni tem de 30 anos de experiência em desenvolvimento de produto e foi um dos responsáveis pela arquitetura GSV que originou nossos Onix, Prisma, Cobalt, Spin e o futuro Tracker (2017).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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