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Saveiro enfim tem atributos para incomodar de verdade a Strada

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

23/03/2016 16h37

A briga no relevante segmento das picapes compactas – hoje restrito a Fiat Strada, Volkswagen Saveiro, Chevrolet Montana e à anabolizada Renault Duster Oroch – ficou bem mais acirrada. Apesar de haver apenas quatro modelos em oferta, é o terceiro maior segmento do mercado brasileiro, atrás apenas dos compactos e perdendo por pouco para os médios-compactos (27 modelos, sem contar à parte sedãs e hatches).

Nos últimos anos a Strada e suas opções de cabine simples, estendida e dupla (três-portas) dominou 50% das vendas. A chegada da Oroch 4-portas começou a mudar o cenário. Porém, a Saveiro 2017, à venda a partir de abril, promete dificultar bastante a vida fácil da líder.

A Volkswagen, pela primeira vez, dá identidade própria à picape (lançada em 1982), diferente do Gol e do Voyage. Toda a parte frontal mudou de forma clara. Foi além, ao procurar contrastar com recursos estilísticos a versão básica (Robust) da de topo (Cross). As intermediárias Trendline e Highline também apresentam pequenas diferenciações. Todas são de duas portas, mas a cabine dupla oferece mais espaço atrás do que a Strada, apesar do acesso limitado.

Painel, quadro de instrumentos e volante novos, aliados a materiais melhores de acabamento, dão um ar de modernidade ainda não visto no segmento. Isso se estende aos quatro sistemas de entretenimento – disponíveis conforme a versão – com telas táteis de até 6,3 polegadas e conectividade de alto padrão. Suporte removível para telefone celular é muito bem projetado, facilita a visualização segura da tela e inclui entrada USB para recarregar a bateria com fio curto.

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Novo patamar

Saveiro já era superior mecanicamente às concorrentes, inclusive a única oferecer de série freios a disco nas quatro rodas. Adicionou recursos eletrônicos como ABS com função para frenagem em estrada de terra e auxílio para partida em rampa. Também tem controle eletrônico de estabilidade/tração e bloqueio eletrônico do diferencial (via frenagem da roda que perde tração). Em trecho fora de estrada, durante avaliação no interior de São Paulo, mostrou-se muito superior ao limitado sistema Locker (bloqueio mecânico só até 20 km/h) da Strada, que exige a parada do veículo para ser acionado.

Outra mudança, que deveria ter ocorrido bem antes, foi elevar a altura de rodagem em 1,5 cm. Ao mesmo tempo, o desenho da parte inferior do para-choque dianteiro permitiu aumentar o ângulo de ataque, ponto fraco da Saveiro anterior tanto ao rodar em pavimentação ruim quanto com carga total ao passar por quebra-molas e valetas. A tampa da caçamba, como antes, inclui uma mola a gás (exclusiva) para manuseio mais suave.

Versão Cross é a única disponível com o motor 1.6 mais moderno da marca: bloco de alumínio, duplo comando de válvulas, 120 cv (etanol) e funcionamento particularmente suave desde a marcha lenta. As demais continuam com o 1.6 antigo, de apenas 104 cv.

Por fim, a fabricante mudou a política comercial para tornar a Saveiro um competidor de peso frente às envelhecidas concorrentes diretas. Em especial ao se compararem versões equivalentes e diferenças na segurança ativa. Preços vão de R$ 43.430 a R$ 69.250, fora opcionais.

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Roda Viva

+Crossover compacto da Renault, com plataorma do Duster, será lançado antes na Rússia. Para não se confundir com o Captur francês (baseado no Clio), pode se chamar Kaptur. O mesmo modelo estará no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro. Provavelmente, vendas se iniciarão depois do subcompacto Kwid, prioridade para a marca.

Argentina endurece, de novo, o jogo com o Brasil quanto ao livre comércio de veículos entre os dois países. Acordo bilateral tem sido renovado anualmente por meio de um mecanismo torto de cotas. Este é um dos furos do Mercosul. Surgiu expectativa de acertar um cronograma plurianual, pois há câmbio flutuante, agora, nas duas economias. Virou só esperança.

+Citroën Aircross aos poucos inverte tendências. Ao longo de 2016, versão com estepe externo terá 40% das vendas (hoje 60%). No dia a dia, motor 1.5 e câmbio manual revelam-se insuficientes para transportar cinco passageiros. O 1.6 automático (quatro marchas) vai bem melhor. Falta, em ambos, um simples botão para desligar o bom sistema multimídia.

Google liberou versão do Android Auto com comandos e telas em português. Agora, é possível conectar telefones inteligentes com Android à central multimídia dos carros e utilizar comandos de voz para aplicativos como Maps, Play Música e a Busca em si. Modelos Chevrolet, Honda e Volkswagen nacionais, além de vários importados, oferecem a conexão antes inacessível.

+Esclarecimento: na coluna da semana passada ficou uma dúvida sobre marcas centenárias. Citou-se a Audi, mas faltou incluir a Bugatti, como exemplo de marca que desapareceu por décadas e voltou ao mercado. Todas as demais, fundadas há 100 anos ou mais, nunca pararam. Nesta lista inclui-se a Daihatsu, que começou com motores estacionários em 1907 (primeiro carro veio em 1930).
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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