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No "clube da centenárias", BMW planeja próximos 100 anos

Matthias Schrader/AP
Conceito Vision Next 100 celebra marco e antecipa próximos 100 anos da BMW Imagem: Matthias Schrader/AP
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

17/03/2016 08h00Atualizada em 01/11/2016 08h59

O grupo restrito de fabricantes de veículos que estão no mercado há 100 anos ou mais, de forma contínua, aumentou neste mês de março com a entrada da BMW.

Além da "novata" alemã, formam o clube, em ordem alfabética: Alfa Romeo, Aston Martin, Audi, Buick, Cadillac, Chevrolet, Dodge, Fiat, Ford, Lancia, Mercedes-Benz, Maserati, Opel, Peugeot, Renault, Rolls-Royce, Skoda e Vauxhall.

Esta seleção da Coluna tem critérios próprios, pois considera marcas (entre mais de 1.000) fundadas há 100 anos ou mais tendo vínculo com a mobilidade desde o início e que estão produzindo.

Vauxhall, por exemplo, começou fabricando bicicletas. Maserati, fundada apenas como oficina, só produziu carros de competição antes de seu primeiro modelo para as ruas em 1946. A própria BMW iniciou com motores de avião e apenas em 1929 lançou o primeiro automóvel. A Audi, como marca, teria menos de 100 anos por outras referências.

BMW + Mercedes?

A empresa alemã Bayerische Motoren Werke, fundada em Munique, em 7 de março de 1916, mostra uma história bem curiosa.

Especialista desde o início em automóveis caros sofreu bastante após a 2ª Guerra Mundial em uma Alemanha arrasada que se erguia aos poucos nos anos 1950.

Para sobreviver, em 1957 passou a fabricar o minúsculo Isetta, sob licença dos italianos da Iso, o mesmo modelo em formato ovalar e de única porta produzido no Brasil a partir de 1956 pela Romi. O preço era acessível, mas não sustentava a marca BMW, nem a divisão de motocicletas.

Procurou, assim, a próspera Daimler-Benz, fabricante também de caminhões e ônibus, veículos essenciais para reconstrução da Alemanha e da Europa.

Organizou-se uma assembleia de acionistas em que a família Quandt, dona da BMW, ofereceu ao concorrente a venda do controle.

AP
Viúva do criador da BMW, Johanna Quandt posa com filhos Stefan Quandt e Susanne Klatten, em foto 2009; família mantém ações e posição no conselho da marca e é apontada como responsável por decisões que aumentaram vendas na década Imagem: AP

Aprovado o negócio, faltava redigir a ata e colher assinaturas, então um processo lento. Herbert Quandt resolveu pensar melhor e, em 1959, desistiu do negócio.

Conseguiu levantar capitais para sanear as finanças e lançou um modelo pequeno próprio, o BMW 700. Depois se seguiu uma trajetória surpreendente.

Isetta, garota-propaganda do museu

Século da conectividade

Atualmente, o grupo é dono da Rolls-Royce, da Minie da submarca i, responsável por elétricos e híbridos plugáveis em tomadas. Chegou à liderança do mercado mundial de veículos premium em 2014.

Para comemorar o centenário a marca apresentou o carro-conceito BMW Vision Next 100, visando ao futuro da mobilidade. É um cupê-sedã de linhas esportivas, adaptável ao que vier em termos de tecnologia.

No modo Boost pode ser conduzido pelo motorista ou de forma totalmente autônoma. Há um segundo modo, Easy, que recolhe volante, console central, encostos de cabeça e painéis das portas para que motorista e passageiro fiquem sentados frente a frente, sem nenhuma preocupação até chegar ao destino.

A empresa sabe que o modelo de negócio do automóvel irá mudar drasticamente na medida em que inteligência artificial, conectividade e internet das coisas, entre outros avanços, tomarem conta da indústria da mobilidade.

Como disse Klaus Froehlich, membro do conselho de pesquisa e desenvolvimento, em entrevista à Reuters, no Salão de Genebra: "Hoje temos 20% de nossos engenheiros e parceiros trabalhando em softwares. Chegaremos a 50% para depender menos de serviços de internet de terceiros".

Siga o colunista: Fernando Calmon no Facebook

Roda Viva

+ Importados de todas as origens alcançaram apenas 14,8% de participação nos emplacamentos totais no mês passado. Não se via porcentual tão baixo desde 2009.

Desvalorização do real, por outro lado, movimenta exportações. Hyundai começou a vender o HB20 para o Paraguai e ampliará para outros países. Plano original dos sul-coreanos era limitar-se ao Brasil.

+ Motor turboflex TSI do up! se aproxima de 30% das vendas totais do subcompacto da Volkswagen. Isso mesmo ao se considerar seu preço superior às versões comuns.

Rumores dão conta de que o Ka também receberá motor de 1 litro turbo (EcoBoost), mas aparentemente a produção não será grande.

Algumas fontes indicam que os propulsores virão do exterior.

+ Picape Hilux SRX de cabine dupla e câmbio automático de seis marchas traz no refinamento a explicação para liderança, com sete airbags e belo quadro de instrumentos.

Anda bem com o novo motor diesel e está melhor em estabilidade, dirigibilidade (principalmente pela suspensão traseira), desempenho e ruído interno. Capota marítima (opcional) faz falta.

+ Internet facilitou contratação de empresas que se especializaram em atendimento personalizado. Tudo pode ser agendado, de lavagem ecológica a troca de óleo.

Uma delas, a Easy Carros, atende em quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Para quem tem pouco tempo livre é uma opção.

Coluna originalmente publicada às terças-feiras

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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