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Alta Roda

Pegadinhas e falta de incentivo afastam paulistano do carro

Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

05/02/2016 19h43

No primeiro mês do ano, as notícias sobre o mercado são piores do que se pensava. A queda de quase 40% sobre janeiro de 2015 fez recuar as 153.000 unidades vendidas a números de nove anos trás. As explicações são várias: dezembro passado, relativamente bom com muitas promoções de final de ano; antecipação de compras para aproveitar oportunidades; utilização do 13º salário para aumentar o valor da entrada e pagar menos juros; a natural disputa entre os fabricantes para fechar o ano com bons resultados.

Fenabrave, associação das concessionárias, lembrou que em janeiro de 2015 ainda havia automóveis faturados com IPI reduzido. "Os resultados de janeiro não devem ser balizadores para as projeções de 2016, pois este mês é atípico historicamente e carrega aspectos negativos por razões que não se repetem ao longo do ano", afirmou o presidente da entidade, Alarico Assumpção Jr.

Bem, são argumentos tangíveis, juntamente com a falta de confiança dos compradores e as crises política e econômica. Mas o que preocupa de verdade são fatores intangíveis.

Pegadinhas

A região da grande São Paulo responde por cerca de 22% das vendas de todo o país e proprietários de carros estão apavorados em guiar na maior cidade do Brasil. Existe um cerco e uma atribuição de culpa do automóvel completamente irracional e estressante que vão desde criação de faixas de ônibus à direita sem critérios (diferente dos poucos e racionais corredores à esquerda) ou ciclovias que levam do nada a lugar nenhum sempre em detrimentos de faixas de circulação de veículos ou de estacionamento. Há outros:

+ Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) antecipou para outubro de 2015, com óbvio viés político, a estatística apontando a velocidade média menor na cidade ter diminuído as mortes nos trânsito em 30,7%. Só que o consumo de combustível caiu em 15% e, portanto, retirou carros das ruas.

+ São Paulo não é Manhattan, em Nova York, onde as pessoas fervilham em torno dos carros e a velocidade foi reduzida para 40 km/h em parte da cidade. Ciclovias lá são pouco usadas.

+ Prefeitura instalou contadores de bicicleta na mais segura e racional ciclovia da cidade. Nas inúteis, nem pensar.

+ Faixas de ônibus à direita em São Paulo têm sinalização do solo entrecortada por onde carros podem sair à direita ou acessar essas as vias em grande parte improvisadas ou inúteis em custo-benefício na fluidez geral do trânsito. E há inúmeras saída de garagens, estacionamentos e comércios no meio da quadra que sujeitam o motorista a multa máxima de sete pontos (antes de cinco pontos). Essas faixas de ônibus estão se apagando e não são repintadas, além de haver em muitas delas horários em que os carros podem circular, mais para confundir do que ajudar.

+ Vias de 50 km/h são de repente diminuídas para 40 km/h com apenas uma placa e um radar 20 metros depois.

Em São Paulo há algumas frases educativas em poucos painéis de avisos de trânsito. Uma delas muda o conhecido dito popular "pressa é inimiga da perfeição" por "pressa é inimiga da direção". Se for só frase de efeito, melhor "pressa é inimiga da inteligente ação". Se possuir carro quase se tornou crime na maior cidade do país por que o motorista vai trocar o seu por um modelo novo ou pouco usado, mais seguro e menos poluidor?

Siga o colunista: Fernando Calmon no Facebook

Roda viva

+ Fontes desta coluna indicaram atraso do terceiro produto da fábrica FCA, em Goiana (PE). O projeto Jeep 551 será um SUV com base na picape Fiat Toro. Produção pode começar só em 2017, de acordo com recente declaração de Sergio Marchionne, presidente mundial da FCA, sem citar diretamente o adiamento ao falar sobre planos no Brasil.

+ Jetta é primeiro carro não premium parcialmente montado no Brasil (versão intermediária, 60% das vendas, sai de São Bernardo do Campo) em que todas as configurações têm motor turbo -- de 1,,4 litro ou 2 litros. Pelo elevado torque de 25,5 kgfm, a partir de apenas 1.500 rpm, motor menor anda mais e bebe menos que o 2.0 aspirado anterior. Ainda não é flex pela arquitetura diferente da do Golf.

+ Segunda geração do Audi Q7, além de mais sofisticada e 325 kg a menos de massa, lança novos recursos de segurança e conforto. Acionamento da terceira fileira de banco para dois passageiros (opcional) é elétrico. Parte de R$ 399.990 e chega a R$ 489.490. Esterçamento das rodas traseiras ajuda em baixa velocidade, nas mudanças de direção e em curvas ao se andar mais rápido.

+ Bom sinal: Cesvi indica crescimento de 22,3%, em 2015 sobre 2014 do sistema de controle de estabilidade (ESC, em inglês), de série, em modelos de veículos leves no Brasil, nacionais e importados (no caso estes são maioria). Análise é qualitativa não quantitativa: carros mais baratos, aplicação bem menor.

+ Entre os cuidados na compra de carros usados está o histórico legal sobre adulterações de chassi, alertas de roubo, alienações, multas e débitos, participações do veículo em leilões e também no caso de sinistros com perda total (no jargão, PT). No site www.boavistaservicos.com.br informações podem ser obtidas por R$ 19. Há versão mobile também.

Esta coluna é publicada originalmente às terças-feiras

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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