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Jovem ainda quer carro no Brasil, mas sem fazer dívida, diz pesquisa

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Jovem está mais conectado, dá mais carona e pega ônibus quando é vantajoso Imagem: iStock/Getty Images
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

29/12/2015 19h30

De uns tempos para cá, pesquisas apontam desinteresse dos jovens em dirigir automóveis e até em se candidatar à carteira de motorista. Essa tendência aparece em países centrais de alta taxa de motorização e se atribui, entre outras razões, ao crescente grau de conectividade da internet em dispositivos portáteis, à menor necessidade de deslocamentos e, de certa forma, a meios de transporte coletivos e alternativos, incluindo aplicativos para táxis e motoristas particulares do Uber.

Quem produz autopeças, fabrica veículos e os comercializa estão atentos sobre o impacto desses novos consumidores. Já se prevê salões de concessionárias diminuindo de área e até com apenas um ou dois modelos em exposição -- o mais vendido e/ou o recém-lançado.

No Brasil esse caminho poderá também ser trilhado, só não se sabe em que ritmo. Para prospectar intenções, a pesquisa "Jovem x Automóvel", conduzida por Lupércio Thomaz, jornalista e diretor da rede social Campus Universitário, entrevistou 404 estudantes (51%, masculino; 48%, feminino) entre 18 e 25 anos, das cidades de São Paulo e Ribeirão Preto.

Uma das revelações foi de que 59% dos entrevistados ainda não possuem carteira de habilitação, mas entre esses 95% pretendem fazê-lo, demonstração de sensível diferença em relação às enquetes no exterior.

O carro é o quê?

Curiosamente, o carro significa expressão de liberdade para 18% desses universitários, enquanto 51% o consideram apenas meio de transporte. Para as gerações do Século 20, a resposta à mesma pergunta provavelmente teria proporção invertida. Entre os que indicaram a preferência pelo carro, 53% são homens e 47% mulheres.

Outros dados interessantes da pesquisa:

+ 69% declaram que utilizam pouco ou raramente carros em seus deslocamentos. Ônibus (46%) e metrô (31%) são as alternativas mais citadas. Motocicleta, 3% e bicicleta, 5%.

+ 60% dão carona a quem estuda ou trabalha junto.

+ 90% usariam menos o automóvel, se o transporte público fosse melhor.

+ 77% aceitariam compartilhar um veículo, a exemplo de bicicletas.

+ 73% não estariam dispostos a se endividar para ter um carro.

+ Se tivessem R$ 50.000, apenas 13% comprariam um automóvel.

Outras respostas: intercâmbio cultural (18%), viagem de estudo (15%), pós-graduação (12%), cursos complementares (11%), outra graduação (8%), turismo (7%) e outros projetos (16%).

Das conclusões que se podem tirar do estudo, há sentimento de diminuição de prioridade do automóvel na vida dos jovens. Vontade de compartilhar e de não se endividar podem ser sinais de alerta tanto para fabricantes quanto concessionárias sobre o futuro do negócio.

Mais negativo, porém, o fato de apenas 11% considerarem o carro como objeto de desejo, enquanto 7% o apontam como fonte de poluição/barulho, 6%, vilão do meio ambiente; 5%, estorvo para o trânsito; 2%, gerador de acidentes. Por outro lado, objeto de desejo e expressão de liberdade somam 29%, contra 20% de posições críticas.

Também é necessário frisar que a pesquisa foi conduzida em duas das maiores cidades do Estado mais desenvolvido do país. Em regiões com taxa de motorização menor, o resultado certamente seria outro. Para sorte do automóvel.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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