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Em quatro anos, Inovar-Auto melhora carros, mas preço sobe

Murilo Góes/UOL
Volkswagen up! TSI é exemplo de veículo moderno: seguro e extremamente eficiente Imagem: Murilo Góes/UOL
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

15/12/2015 21h03

O Inovar-Auto é o exemplo puro de excesso de intervenção governamental na indústria automobilística. Pode ter havido intenção de fortalecer o setor ao criar obstáculos para quem não produz localmente, mas a estratégia acabou por produzir uma legislação complexa e difícil de implementar.

O marco legal começou em 2011 e incluiu incentivos para inovação. Foi preciso editar duas leis, quatro portarias e um decreto ao longo de quatro anos para um programa que, teoricamente, termina em 2017.

Apesar do viés protecionista e questionado por organismos internacionais, sempre é bom lembrar que o México tem uma lei mais direta: só pode importar quem produz localmente. Mas sabe-se que o "jeitinho" mexicano também apareceu por lá e o número de acordos comerciais multilaterais ajudaram. Aos poucos, atraiu várias fabricantes -- a última foi a Kia -- para se tornar o maior produtor de veículos da América Latina. Em razão da crise atual, o Brasil verá o México (com o mercado dos EUA escancarado para eles) ainda mais à frente por muitos anos, apesar de nosso potencial grande mercado interno.

Veículos mais eficientes: ponto positivo

Exigência de melhor eficiência energética, embutida no Inovar-Auto, é realmente um ponto indiscutivelmente positivo. Os fabricantes terão que demonstrar, a partir de outubro de 2016, que atendem a meta mínima de redução de 12,08% no consumo de etanol e gasolina sobre a média dos veículos à venda de cada marca, tendo como referência... 2011. As multas em caso de descumprimento são altíssimas e, assim, todos deverão se ajustar.

Com a fase atual de preços altos de combustíveis, essa é boa vantagem para os consumidores na hora de abastecer. Também exigirá das fábricas, especialmente as que produzem modelos de maior porte (picapes e SUVs), um acerto fino da produção para se manterem dentro da média obrigatória de economia. Vendas adicionais de modelos menores terão que compensar eventuais desajustes. Talvez signifique crescimento na procura por modelos com motor 1.0.

Mas há um problema adicional nessa adequação. A indústria domina várias tecnologias para menor consumo, mas tem que manter preço competitivo em momento de forte recessão no mercado.

Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) apresentou estudo recente, feito na Austrália, que compara os valores de custo de cada recurso técnico com o respectivo potencial de economia de combustível. A análise inclui não somente motores, mas itens de carroceria (aerodinâmica, peso), acessórios (direção, pneus) e tipos de caixas de câmbio. A pesquisa ainda demonstra uma equação bastante complexa e cada fabricante monta um verdadeiro quebra-cabeça. Considera o dólar australiano em R$ 2,67, a preço de custo (sem impostos ou margem de lucro) e não de venda. Um veículo híbrido consegue 45% de economia por menos de R$ 10 mil. Um elétrico compacto economiza 100% de combustível, mas seu custo é de R$ 35 mil -- ou 250% mais caro de produzir sem incentivo fiscal. Esta é uma das maiores dificuldade para a aceitação do carro elétrico. A diferença de custo entre um motor turbo simples, com 7% de economia, e um turbo com todos os recursos, para economizar 20%, chega a 450%.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon

Roda viva

+ Ford prepara ampliação da família de motores de três cilindros no Brasil, segredo bem guardado. Inteiramente novo e batizado de Dragon, tem 1,5 litro e se destaca pela economia. Estreia aqui (sem versão turbo, de início) na renovação do EcoSport, em novembro de 2016. Já o motor de 1.0 turbo para o Fiesta deve sofrer atraso pelas condições atuais.

+ Site britânico just-auto.com antecipou: indiana Mahindra acertou a compra de uma das casas de estilos mais importantes do mundo, a Pininfarina. Nada de oficial ainda se anunciou. Ícone italiano do desenho automobilístico (Ferrari e outras marcas), fundado em 1930, venderá 76% de seu capital. Tata, também indiana, é dona da Jaguar Land Rover desde 2008.

+ Renault Duster Oroch começa a ultrapassar Montana para garantir o terceiro lugar em venda entre as picapes pequenas/compactas. Espaço interno, acesso por quatro portas e comportamento exemplar (suspensão traseira independente) são pontos fortes. Motor 1.6 até vai bem no uso urbano, mas o 2.0 aproveita melhor seu potencial, apesar do consumo elevado.

+ Superdose de crossovers anunciada pela Chery: além do Tiggo 5 e sua geração anterior, Tiggo 3, para produção em Jacareí (SP), a marca chinesa também produzirá o Tiggo 1, baseado na arquitetura do compacto Celer. Os planos são para 2016 e 2017. Antes, estreia o subcompacto QQ nacional, em março próximo. É preciso fôlego para manter uma linha tão diversificada.

+ Lobby dos extintores de incêndio para automóveis tenta reverter decisão correta tomada pelo Contran. Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados deu apoio ao decreto legislativo que traz de volta os extintores sob argumento falacioso de 40 mil desempregados. Falta passar por outra comissão e pelo Plenário. Assim, ainda há esperança de rejeição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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