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IPVA menor para carro flex que gaste menos? Governo observa

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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

26/05/2015 20h26

Ganho de eficiência energética tem sido apontado como fator de maior benefício ao consumidor dentro do programa Inovar-Auto. É economia direta no bolso do motorista, principalmente se os fabricantes forem atraídos pelos incentivos adicionais e ultrapassarem a meta compulsória de 12% de melhoria em 2017 sobre o consumo da média dos modelos vendidos por cada marca em 2011.

As metas colocadas como desafio são de menos 15% e menos 19%, cada uma com prêmio de 1 ponto percentual de IPI, revertido para as empresas, por só três anos. No melhor cenário se atingiria a média de consumo de gasolina atual na União Europeia, apesar dos métodos de medição e combustíveis diferentes que dão vantagem ilusória na prática aos carros europeus. Até o momento, nenhum fabricante aqui instalado se voluntariou, mas há forte movimentação e segredos.

Há soluções, mas elas são caras

No simpósio sobre eficiência energética, emissões e combustíveis, organizado na última semana em São Paulo pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), viu-se que soluções são conhecidas, embora esbarrem em custos maiores. O país enfrentará nos próximos anos importações crescente de gasolina e diesel. Contar com um programa que economizaria até 28 bilhões de litros de gasolina entre 2014 e 2021 seria uma boa forma de manter em níveis baixos ou mesmo anular os gastos adicionais com combustíveis do exterior.

Para Francisco Nigro, professor da USP e pesquisador do IPT, diferenciar metas do Inovar-Auto para etanol e valorizá-las adequadamente fazem todo sentido para o desenvolvimento tecnológico do setor. Sugeriu fórmula de IPVA menor nos carros com motores flex e consumo relativo melhor de etanol (há proposta semelhante no âmbito federal que ainda não saiu do papel); e lembrou que motor turbo, injeção direta e câmbio CVT formam combinação favorável ao etanol, sem prejuízo de eficiência e desempenho ao usar gasolina.

Mário Massagardi, representando o Sindipeças, defendeu que os modelos mais eficientes em seus segmentos tenham incentivo específico ao apresentarem ganhos de consumo superior à média entre os modelos à venda. Ajudaria a introduzir tecnologias inovadoras e compensaria em parte seu preço elevado.

Equipamentos que ajudam

Até o momento o governo federal optou por dar uma espécie de "prêmio" a recursos que melhoram o consumo na vida real, porém sem se refletir nas medições dos ciclos cidade/estrada dos laboratórios: sistema start-stop do motor (que desliga-liga em paradas rápidas), indicadores de troca de marcha e de pressão dos pneus, além de controle aerodinâmico da grade frontal. Ar-condicionado de maior eficiência ainda não foi contemplado, embora esteja em mais de 80% dos veículos novos.

Discutiu-se ainda como veículos híbridos, plugáveis em tomada elétrica ou não, se enquadrarão em uma segunda fase do Inovar-Auto e também a convergência aprofundada dos programas de consumo e de emissões veiculares. A notícia ruim veio dos bastidores: governo federal deve adiar, pela segunda vez, para 1º de janeiro de 2017, uso obrigatório da gasolina com aditivos que deixam os motores mais limpos e eficientes. Assim não dá.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon

RODA VIVA

  • Embora tenha diferenças em relação ao carro lançado na Índia, o compacto Kwid também será produzido no Brasil em 2016, numa prova de pragmatismo na Renault. Para ela, um produto puramente francês, como o Clio, não se enquadraria na faixa dos R$ 30 mil necessária para ser competitivo por aqui. O hatch é curto, mas com bom espaço interno.

  • Substituto do Linea em alguns países, Fiat Aegea (nome provisório) ainda é o candidato mais forte a quarto produto da "fábrica Jeep" de Goiana (PE). Sua arquitetura igual à do Renegade já gerou sedãs Dodge Dart (EUA) e Fiat Viaggio (China). Dimensões maiores em relações aos compactos anabolizados (City, Versa, Logan) aumentam suas chances no mercado.

  • Terceira geração do Audi TT o deixou com ares mais modernos, sem macular as linhas inconfundíveis. Recebeu quadro de instrumentos totalmente digital e reprogramável, ficou 50 kg mais leve, ganhou 4 cm na distância entre-eixos (sem melhorar exíguo espaço atrás) e aerofólio ajustável com a velocidade. Agora a potência é 19 cv maior: 230 cv. Preços: R$ 209.990 a 229.990.
     
  • Golf Variant atraiu muitas curtidas no Facebook desse colunista por seu estilo equilibrado e por ser o modo mais racional de ter um porta-malas de nada menos que 605 litros. Mecânica idêntica à do Golf, inclusive motor turbo de 1,4 litro (140 cv). Importada do México tem versões de R$ 87.400 a 94.990. Fato é que as pessoas ainda gostam de peruas, mas preferem comprar SUVs.
     
  • Mercedes-Benz aposta que sua linha AMG ainda tem como crescer no Brasil, apesar dos preços proporcionais ao alto desempenho: sedã C 63 S por US$ 209.990 (dólar referenciado em R$ 2,60 pela desvalorização do euro). Empolga mesmo o cupê biposto AMG GT S (US$ 329.900), autêntico esportivo com chassi próprio, V8 de 510 cv, mais do que perfeito em curvas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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