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Estreia de três rivais em um mês mostra: briga de jipinhos será boa

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HR-V, Renegade e 2008 querem roubar clientes de EcoSport e Duster Imagem: Arte UOL Carros
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Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Cenário raro em termos no Brasil: três montadoras preparam lançamentos de concorrentes de um mesmo segmento num espaço de 30 dias. A bola da vez está nos SUVs compactos -- também chamados de "crossovers", por terem aspecto de utilitário e estrutura monobloco, mais baixa. Conceitualmente, crossover é mais do que isso. De qualquer forma, o Honda HR-V "abriu os trabalhos" na semana passada, e será seguido por Jeep Renegade e Peugeot 2008, em março e abril. Um degrau acima em porte, também no próximo mês, estreia o JAC T6.

O Ford EcoSport criou, em fevereiro de 2003, o que seria considerado pouco mais que um nicho. Projeto nascido no Brasil, cresceu em vendas de modo impressionante e só encontraria concorrente à altura em outubro de 2011, com o Renault Duster (que terá facelift apresentado no fim deste mês). O mexicano Chevrolet Tracker surgiu em outubro de 2013, porém limitado pelas cotas de importação.

Suzuki Jimny, de tração 4x4 temporária, não se enquadra exatamente no conceito. Chegou do Japão em 1998, saiu de mercado, mas em 2012 passou a ser fabricado aqui. O goiano Mitsubishi TR4, de 2002 (também diferenciado pela tração 4x4 não permanente), cumpriu papel modesto, mas já saiu de produção.

O HR-V pretende ser nova referência dentro do segmento, incomodando bastante Ford, Renault, Jeep e Peugeot. Em relação ao líder EcoSport, tem 5 cm a mais no comprimento, porém garante espaço interno maior pelos 9 cm extras de entre-eixos. Mesmo sendo 11 cm mais baixo que o pioneiro rival, só pessoas com mais de 1,85 m tocam de leve a cabeça no teto, porém há recurso de reclinar — pouco — o encosto do banco traseiro. 

Estilo é marcante e harmônico, sem estepe pendurado na porta de carga (ótimos 437 litros) e com maçanetas traseiras ocultadas nas colunas C. Na parte interna, quadro de instrumentos, volante pequeno, com diâmetro ajustável em dois planos, e console central com a parte inferior vazada agradam. Como o ar-condicionado digital não é de duas zonas, a Honda criou uma discreta saída de ar tripla de fluxo diferenciado, facilmente regulável pelo passageiro.

Recurso inédito e de série entre os carros aqui produzidos, o freio de estacionamento elétrico acionado por botão tem liberação automática ao se tocar o acelerador. É um recurso de extremo valor no para-e-anda do trânsito, já que 99% dos HR-V serão produzidos apenas com câmbio automático CVT (continuamente variável), de sete marchas virtuais. Compensa com folga a ausência de itens secundários, a exemplo do sensor de iluminação para acendimento dos faróis.

A Honda fez um balanceamento de custos razoável entre as versões, a partir de R$ 69.900 (LX, de câmbio manual e rodas de aço, que representará simbólico 1% das vendas e está na gama "só para constar"). A intermediária EX custa R$ 80.400, sem GPS. A de topo, EXL, por R$ 88.700 agrega GPS e inédita (entre carros nacionais) tela tátil, que aceita movimentos de pinça com os dedos. Carros japoneses e alemães não são baratos e isso não vai mudar. Por acaso, dominam as vendas no mundo...

Dinamicamente o HR-V vai muito bem, embora deva um pouco de potência para sua massa de 1.271 kg. A exemplo de todo câmbio CVT, quando se exige a fundo o motor, apresenta comportamento linear sem entusiasmo. Em acelerações normais é aceitável, inclusive pelo freio-motor e seleção manual de “marchas”.

O motor flex 1.8 -- o mesmo do Civic com câmbio automático convencional -- entrega 139/140 cv (etanol/gasolina). Na prática não muda nada, mas é estranho no caso de motores aspirados (sem turbo). Fabricante atribui aos câmbios diferentes e à necessidade de conter consumo com etanol.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon

RODA VIVA
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+Cotação do dólar, que atingiu R$ 3,25 na semana passada (Anfavea previu R$ 3,10 para dezembro), muda de forma radical as alopradas comparações de preços feitas com carros "idênticos" vendidos no exterior, em especial nos Estados Unidos, há menos de dois anos. Lá, a carga de impostos é menos de um terço da brasileira. Muitos se revoltaram. Coluna voltará ao assunto em breve para pôr pingo nos is.

+Mini passa a oferecer Cooper (R$ 105.950) e Cooper S (R$ 123.500) com quatro portas, de melhor acesso ao banco traseiro. Cresceu 16 cm no comprimento (7,2 cm no entre-eixos), mas largura mantida em 1,72 m não ajuda no conforto de quem vai atrás. Essencialmente, trata-se de carro de imagem para 2 adultos + 2 crianças. Motores turbo de 1,5 litro (3-cilindros, 136 cv) e 2 litros (192 cv), por ora, só a gasolina.

+Motor turbo dá nova vida ao redesenhado (no final de 2013) Lexus NX 200t, que chega ao Brasil a partir de R$ 216.300. Marca do Grupo Toyota (antes o menos entusiasmado com motores superalimentados) tem forte presença mercadológica nos EUA e se esforça para se tornar mais conhecida no Brasil. Seu estilo agrada bastante, acabamento é ótimo, salvo pormenores pouco visíveis.

+Correção. Diferentemente do publicado na coluna da semana passada, o hatch médio-compacto Honda Civic Type R (310 cv), mostrado no Salão de Genebra 2015, tem tração apenas dianteira, e não nas quatro rodas, como é o caso do Ford Focus RS.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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