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2014 viu aumento na segurança de motos; carros podem avançar mais

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Honda CG 150 já atende à lei e usa freios combinados desde o começo do ano Imagem: Divulgação
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

16/12/2014 20h20

Ao apagar das luzes de 2014, surgem boas notícias em relação à segurança veicular e equipamentos obrigatórios para veículos de duas rodas. Afinal, o Brasil tem uma frota de motocicletas e motonetas (scooters) de cerca de 14 milhões de unidades, segundo estudos que levam em conta sucateamento natural (sem baixa oficial), acidentes, roubos e furtos. Como expõe mais o condutor a riscos do que um veículo fechado, além dos conhecidos problemas de má habilitação, abusos no trânsito e pavimentação esburacada, qualquer avanço em segurança ativa só pode ser muito bem-vinda.

A exemplo dos automóveis, as motos acima de 300 cc fabricadas ou comercializadas no país terão que vir de série com freios antitravamento (ABS). Abaixo disso, será obrigatório o uso dos chamados freios combinados (CBS). Veja o cronograma:

1º de janeiro de 2016 -- 10% da produção nacional/importação com ABS/CBS;
1º de janeiro de 2017 -- 30%
1º de janeiro de 2018 -- 60%
1º de janeiro de 2019 -- 100%

Brasil vai começar abaixo de 25%

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    Situação de um ano atrás era precária

    Em julho de 2013, somente 23% das motocicletas disponíveis no mercado brasileiro (menos de um quarto do total) ofereciam ABS, segundo estudo do Cesvi Brasil. LEIA REPORTAGEM DA ÉPOCA

Podem surgir críticas em razão de que, na Europa, o ABS passará a ser obrigatório em modelos de 125 cm³ a partir de 2016. É o mesmo falso discurso de sempre, que desconsidera a realidade socioeconômica bem diferente no Brasil. O sistema mais eficiente encareceria uma moto básica em pelo menos 20% e, portanto, não seria razoável alijar tantos compradores. Nada impede, porém, ampliar as exigências a partir de 2020, se o poder aquisitivo do brasileiro subir e permitir.

CARROS PRECISAM AVANÇAR
Para os automóveis, no entanto, o ano se foi sem novas regulamentações, que exigem de quatro a cinco anos para abranger toda a produção. Apesar das trapalhadas consecutivas do Latin NCAP, o instituto tem razão em clamar pelo fim da comercialização na América Latina de carros sem nenhuma estrela nos testes de colisão contra barreira -- o caso mais recente é o do Lifan 320. Aqui estamos praticamente livres destes modelos, mas os vizinhos continuam a comercializá-los por preços atraentes, uma dificuldade às exportações brasileiras.

Ao menos dois equipamentos já deveriam estar em cronograma de obrigatoriedade: cintos de segurança retráteis em pelo menos duas posições do banco traseiro e encaixes Isofix para no mínimo dois bancos infantis. Há o risco de ainda se produzir modelos sem esses recursos em 2019. Outros itens de custo baixo e prioritários são o aviso de cintos (pelo menos os dianteiros) não atados e o monitoramento de pressão dos pneus baseado no sistema de freios ABS que já existe em todos os modelos novos.



BICICLETA TAMBÉM TEM LEI
O setor de duas rodas também pode se beneficiar se entrar em vigor uma lei em discussão no Congresso Nacional (aprovada na Comissão de Viação e Transporte, semana passada), que estabelece multa para fabricantes, importadores e lojistas que comercializem bicicletas sem equipamentos obrigatórios de segurança. Ou seja, a lei existe, mas, como não há punição, não é cumprida até hoje: bicicletas sem campainha, espelho retrovisor esquerdo e sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais continuam a ser vendidas, e.mais de 60 milhões de bicicletas em situação irregular seguem em circulação nas grandes cidades do país.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon 

RODA VIVA

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+Tanto GM como Ford, ao contrário da Volkswagen (com o up!) e da Fiat (novo produto para Betim, em 2016), relutam em se convencer de que o mercado aceita bem modelos subcompactos, com menos de 3,6 m de comprimento. Por isso, GM ainda não fechou a equação de custos do sucessor do Celta e Ford nem cogita de algo menor que o Ka. Apostas de risco?

+Sinal dos tempos: Chrysler e Fiat vão sumir do nome corporativo e prevalece abreviação de Fiat Chrysler Automobiles. Nos EUA, se identificará como FCA US, na Itália, FCA Italy e aqui, possivelmente, FCA Brazil. As marcas, claro, continuarão a existir como sempre. Curiosamente a nova instalação de Goiana (PE), em 2015, vem sendo chamada de fábrica Jeep.

+Fluence ganhou competitividade ao manter preço (R$ 66.890 a R$ 82.990) na linha 2015 e acrescentar retoques na dianteira (LEDs diurnos), além de quadro de instrumentos digital e novo sistema multimídia com tela tátil. Mecanicamente, nada mudou, salvo bons ajustes nas suspensões. Pena que não herdou o câmbio CVT (seis marchas virtuais) do Sentra, bem mais adequado.

+Chery decidiu se associar à Anfavea e abandonar a Abeifa, que reúne importadores e, agora, apenas dois futuros fabricantes: JAC e Jaguar Land Rover. O Celer nacional ficará um pouco mais caro que o chinês por ter evoluído. Com ajuda do novo QQ brasileiro pretende triplicar vendas em 2015 para 30.000 unidades. Confirmou o SUV novo Tiggo para 2016.

+Indianos continuam a agarrar oportunidades. Depois do negócio mais que inspirador da Tata adquirir, da Ford, Jaguar e Land Rover, chegou a vez da conterrânea Mahindra. Esta fábrica de utilitários já havia se apossado da sul-coreana Ssangyong e agora comprou de uma massa semifalida a sueca Saab, que já produziu automóveis bem interessantes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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