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Tendência do mercado aponta SUV automático e branco como "carro do futuro"

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Jeep Renegade será nacional em 2015 e tem tudo que o povo quer... Imagem: Divulgação
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

25/11/2014 17h11

Nos últimos 12 anos, quando as vendas anuais de veículos no Brasil subiram 140%, o perfil dos compradores mudou e, mais ainda, a segmentação de produtos. Em grande parte isso se deve ao aumento de poder aquisitivo e ao fato de que os carros subiram menos que a inflação em termos reais por qualquer que seja o indicador pesquisado. Na base do mercado os preços nominais subiram 14%, em média, enquanto os salários avançaram 32%.

O segmento de entrada, de longe o mais importante, que se subdivide em três (básico, intermediário e superior), assistiu a fenômenos interessantes.

Não é de surpreender que hoje, das vendas totais, 70% dos modelos saiam de fábrica com ar-condicionado e 60% com direção assistida. O chamado carro "pelado" nunca foi opção de ninguém e sim mero reflexo do dinheiro curto para ter acesso ao automóvel. Parece óbvio, mas alguns ainda acreditam que a indústria era a única responsável por carros sem conforto ou acabamento rústico.

Recursos de conectividade eram reservados para carros maiores e caros. Agora, já estão em 25% dos básicos e em 35% dos intermediários do segmento de entrada.

No nível de segurança veicular, a produção média local ainda está uns seis anos atrasada em relação à Europa Ocidental, mas à medida que novas arquiteturas globais cheguem e as vendas voltem a crescer a defasagem diminuirá. O ritmo será ditado, de novo, pelo poder aquisitivo ou "riqueza" dos compradores.

Em termos de segmentação por tipo de carroceria o mercado brasileiro apontou em direção aos SUVs e a tendência vai se aprofundar porque ainda há poucos modelos (Ford EcoSport e Renault Duster) na categoria de utilitários esporte compactos. A atual distribuição entre veículos de passageiros se apresenta assim: 60%, compactos (41% hatches, 18% sedãs e 1% peruas); 14%, picapes; 9%, médios; 4%, monovolumes; 1%, grandes; 10%, SUVs; e 2%, outros.

A preferência pelos utilitários esporte tem explicações que vão da visibilidade à possibilidade de lidar melhor com piso irregular ou sem pavimentação, mas passa igualmente pela evolução financeira dos clientes da indústria. A previsão de estreia de pelos menos três novas versões compactas no próximo ano (Honda HR-V, Jeep Renegade e Peugeot 2008) e lançamentos também de SUVs médios apontam que esse tipo de carroceria representará em curto prazo 15% do mercado, à custa de sedãs e monovolumes, principalmente.

PEQUENINOS
Caminho ainda pouco claro diz respeito aos subcompactos. As famílias brasileiras decidiram ter menos filhos e, desse modo, diminuiria a exigência por porta-malas grande. Por outro lado, aumentarão as famílias que poderão adquirir um segundo carro e este poderia ser um subcompacto: dimensões menores oferecem vantagens na cidade e facilidade de estacionar. Teria menor consumo de combustível (em especial frente a um SUV pequeno) e preço em conta, porém há dúvidas sobre sua aceitação nos próximos anos.

Câmbio automático pode atrair mais interessados, pois além do maior conforto no trânsito, ganhou em eficiência energética e também se beneficiaria da folga financeira. Até preferência de cores mudou. Por décadas o branco, em um país de clima quente, ficou de lado e agora já divide a preferência com prata e preto.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Rombo nas contas externas brasileiras deixa mais distante a possibilidade de voltar o livre comércio entre Brasil e México, a partir do próximo ano. As cotas de importação devem continuar e os fabricantes sabem não haver solução de curto prazo, salvo se ocorrer grande desvalorização do real, fora das previsões da maioria dos analistas.

+ Preço é bem salgado -- quase R$ 80 mil, quando à venda em dezembro --, mas o Fiat 500 Abarth convence pelo conjunto. Necessidade de alterações na carroceria prejudicou um pouco a pureza de estilo. Quadro de instrumentos digital agora ficou muito bom com o fim do conflito de ponteiros. Pontos altos: motor de 167 cv/23 kgfm e suspensões não excessivamente duras.

+ Volkswagen Saveiro cabine dupla comprova no dia a dia que atende a quem exige espaço maior para carga e flexibilidade para transportar no banco traseiro até três pessoas (Fiat Strada, apenas duas). Portas são as mesmas do Gol 2-portas, mais largas. Novo motor de 1,6 L/120 cv é econômico e referência em termos de suavidade de funcionamento, embora não seja o mais potente.

+ Estilo ousado, sem dúvida, o novo Jeep Cherokee tem de sobra, principalmente na parte frontal. Se vai agradar seus fãs ou atrair novos clientes, como já acontece nos EUA, é cedo para dizer no caso do Brasil. Sua mecânica está bem provada, inclusive o motor V6 de 271 cv. Acabamento e materiais são de boa qualidade, porém há rangidos inexistentes na geração anterior.

+ Euro NCAP, que faz testes de colisão, terá um sistema de pontuação dupla a partir de 2016. Admitirá certos equipamentos de segurança como opcionais, na Europa, o que permitirá a carros menores (com limitações de preço) obter cinco estrelas máximas sem as penalizações atuais. Finalmente um pingo de bom senso, que falta no Latin NCAP.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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