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Sem vendas do Mille, novo Fiat Uno ousa para se diferenciar no segmento

Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

09/09/2014 18h10

Fiat foi rigorosa quanto ao tempo correto de renovação do Uno. Lançado há pouco mais de quatro anos, o modelo 2015 chega agora com a responsabilidade de melhorar as vendas, depois do fim do Uno Mille, que chegava a representar 50% dos resultados, distorção típica do mercado brasileiro. Para essa espécie de carreira solo o carro está bem preparado, apesar de motores com mesma potência/torque e sem direção eletroassistida, em termos mecânicos. A inalterada versão Vivace (duas e quatro portas) continua a ser a de entrada, repetindo a dupla personalidade do Nissan March (March, inalterado, e New March com visual e equipamentos atualizados).

A renovação externa se concentrou na parte frontal (para-choque, grade, faróis, lanternas e para-lamas) com bom resultado estético. Atrás, apenas novas lanternas que impressionam mais vistas de perto do que de longe. No total são cinco versões, incluindo a Evolution (no lugar da Economy) e a Sporting, marcada pela ponteira de escape dupla central que tem apenas apelo visual.

Na parte interna, no entanto, impôs um conceito ousado para esse segmento. Além de tudo novo, a Fiat incluiu no painel um quadro de instrumentos avantajado (em destaque o computador de bordo) e central multimídia com navegador GPS (opcional). O volante, regulável apenas em altura, tem botões de seleção nos raios. Bancos dianteiros são novos e têm regulagem fácil e correta de altura para o motorista. Há até cinto de segurança de três pontos para o passageiro central no banco de trás, muito mais importante para a segurança passiva do que um simples apoio de cabeça, também incluído.

Outra ousadia foi substituir a alavanca de câmbio por botões no console quando equipado com o automatizado de apenas uma embreagem, mantendo as borboletas no volante. Houve um passo adiante ao acrescentar relações de câmbio específicas e acelerômetro, que reduziram bem os vazios de aceleração nas trocas de marcha. No modo Sport, uma boa acelerada, em trecho livre de Buenos Aires (onde se deu o lançamento), permitiu sentir trocas mais rápidas. Agora existe um bem dimensionado apoio para o pé esquerdo.

Novidade entre carros nacionais é o sistema Start-stop (desliga-liga), apenas na específica versão Evolution com câmbio manual e motor 1.4, que traz ainda pneus superverdes de baixo atrito de rolamento. Nessa faixa de preço o fator economia de combustível é o segundo mais desejado, segundo a Fiat. Em situações de tráfego denso e muitas paradas, é possível alcançar economia de combustível de até 20%, com gasolina ou etanol. Se o ar-condicionado estiver ligado, o motor volta a funcionar depois de um minuto mesmo sem o procedimento de acionar o pedal de embreagem. Assim, em dias bem quentes, perde-se pouco em conforto térmico a bordo, pelo menos no caso dos passageiros da frente.

O novo Uno 2015 parte de R$ 30.990 (sem ar-condicionado), na versão Attractive 1.0, ou R$ 1.570 a mais que o ano-modelo 2014, compatível com as melhorias adicionadas (quase sem aumento real, na prática). A Evolution (1.4) custa R$ 34.990 e a Sporting , R$ 36.560. Esses preços se combinam com opcionais de fábrica e acessórios (instalados nas concessionárias). Pela primeira vez, para quem desejar, o carro pode ultrapassar os R$ 50.000, quase o dobro da versão Vivace 2-portas de R$ 26.370.

RODA VIVA
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+ Salão do Automóvel de São Paulo (30/10 a 9/11) terá quase um festival de modelos pseudoaventureiros, entre outras atrações e estreias de peso. Além do Sandero Stepway e do Cross up!, focados em pura decoração, haverá dois novos SUVs compactos: Peugeot 2008 (nacional em 2015) e Renault Captur (importado). Protótipo derivado do March, também.

+ Queda do mercado interno continua a se aprofundar: quase 10% em relação a janeiro-agosto de 2013. Para a Anfavea, houve a comoção com a morte do presidenciável Eduardo Campos que acabou por impactar as expectativas do consumidor, especialmente no Nordeste. Nos últimos meses do ano se espera reação de vendas, pois o IPI deve subir em janeiro.

+ Fenabrave até já contabilizou o provável aumento de liberação de crédito, quando os bancos puderem retomar veículos de inadimplentes sem as dificuldades de hoje. Estima em até 20% a elevação do nível de aprovação de pedidos, o que significa 30 mil automóveis e comerciais leves a mais por mês, ou o equivalente a um 13º mês de vendas. Em um segundo momento, juros podem diminuir.

+ Aumento da procura por modelos automáticos levou a Citroën a estender essa opção também à versão intermediária do C3, a Tendance (antes só na Exclusive). Por R$ 51.000 é um carro bem equipado e com câmbio de quatro marchas. Reprogramação eletrônica melhorou respostas ao acelerador e tornou a passagem de marchas mais suaves.

+ Enxugamento da oferta exagerada de modelos compactos, por parte da GM, já era esperado. Havia certo conflito na linha de produtos, além de mercado recessivo. Parou a oferta do Agile (ainda em produção na Argentina) e do Sonic (hatch e sedã), ambos importados do México, com problema de cotas ainda a ser resolvido pelos governos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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