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Novo Renault Sandero mostra que mercado dos compactos está mais exigente

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Sandero ganhou novos itens de série e ficou, em média, 5% mais barato. Manobra da Renault indica novo posicionamento do brasileiro em relação ao concorrido mercado dos compactos: disposição para pagar um pouco mais, desde que marcas ofereçam "mais por menos" Imagem: Rodolfo Buhrer/La Imagem/Divulgação
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Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

02/07/2014 07h52

A vida vai ficar cada vez mais difícil para fabricantes que “militam” no disputado mercado brasileiro de compactos. Afinal, são nada menos de 28 modelos no mercado, entre nacionais e importados (incluídos quatro subcompactos), que representam 53% ou 1,5 milhões de unidades vendidas por ano. Cobiçado por todas as marcas, o segmento tem aumentado seu grau de exigência, pois os compradores estão dispostos a gastar um pouco além, desde que se ofereça mais por menos.

Recado entendido pela Renault, que começa a vender daqui a duas semanas a segunda geração do Sandero. A empresa partiu para uma virada cultural, de estilo à engenharia, o que aumentou sua atratividade sem deixar de lado o conceito quase-médio a preço de compacto. Manteve a versão de entrada abaixo dos R$ 30.000 (R$ 29.890), e agregou direção de assistência hidráulica como item de série. Na média das três versões, derrubou o preço em 5% -- o que não é pouco --, e ampliou o conceito de inovação acessível, iniciado ainda na primeira geração com o sistema de navegação GPS. 

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Com um motor 1.0 potente e econômico, mais um pacote também recheado de itens, novo Ford Ka será mais um concorrente de respeito no já populoso segmento dos compactos Imagem: Divulgação
Agora é possível ter câmera de ré, sensores traseiros de estacionamento e ar-condicionado digital, por exemplo, na versão de topo, por ainda bem interessantes R$ 43.820. A fábrica investiu em aerodinâmica (Cx reduzido de 0,38 para 0,35), arcabouço estrutural (deve melhorar nos testes de impacto), adotou motor de 1 litro mais evoluído (mesmo do Clio e Logan), melhorou as suspensões (bitolas maiores), cuidou melhor do interior (novo quadro de instrumentos e acabamentos) e até caprichou no desenho das calotas para aro de 15 polegadas (rodas de liga leve, só na versão mais cara).

O Sandero manteve credenciais de ótimo espaço interno para pernas (entre-eixos de 2,59 metros), largura para ombros e porta-malas referencial no segmento com 320 litros. Também resolveu coisas simples, como a realocação do comando elétrico dos espelhos externos, mas o tanque de combustível deveria comportar mais de 50 litros.

Numa primeira avaliação, dá para notar mais silêncio a bordo e a direção ganhou respostas um pouco melhores, apesar da regulagem de altura do volante desagradável, do tipo “queda-livre”. O desenho dos instrumentos é honesto, mas a leitura deixa a desejar, e alavanca de câmbio continua sensível aos movimentos bruscos de aceleração. O motor 1.6 (106/98 cv, movido com etanol/gasolina) ficará rapidamente em desvantagem frente aos concorrentes, enquanto o 1.0 (80/77 cv, na mesma ordem dos combustíveis), que ainda responde por 40% das vendas, tem adversários incômodos na tendência dos três-cilindros.

Dentro de 45 dias chegará o câmbio automatizado de uma embreagem, que substituirá o automático da geração anterior. Fabricado pela ZF, custará em torno de R$ 3.000 e, assim, potencializa aumentar a participação atual nas vendas de 5% para pelo menos 10%.

A Renault pretende manter o Sandero entre os 10 automóveis mais vendidos do país (começou como 17º, em 2007, e hoje briga até por lugar entre os cinco primeiros). Não será fácil, especialmente com o avanço do Volkswagem up! e do novo Ford Ka, este a partir de agosto. Estará contente, porém, se ficar entre os três preferidos numa lista que considera concorrentes mais diretos, como Ford Fiesta, Volkswagen Fox, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. Estes modelos teriam resultados menos afetados por vendas a frotistas.

RODA VIVA
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+ Desde o final do primeiro trimestre já se considerava certo IPI reduzido até o fim do ano. E acabou confirmado. Desânimo com a economia brasileira, crédito restrito, acomodação após nove anos de crescimento e antecipação de vendas nos momentos de euforia são explicações para duas quedas sucessivas: 1% em 2013 e até 5% este ano (ao que tudo indica).

+ Troca inteligente: sairia a discutível obrigatoriedade (futura) de rastreadores e entrariam equipamentos de segurança de baixo custo. Há até o mote da década de segurança viária, campanha da ONU que o Brasil abraçou e quase nada fez. Não se pode continuar a oferecer carros sem pelos menos dois cintos retráteis e dois apoios de cabeça no banco traseiro como equipamentos de série.

+ A Ford confirmou que versão sedã do novo Ka terá apenas o sinal “+” para se diferenciar do hatch. Na realidade, o novo modelo só herdou o nome do antigo Ka. Sua arquitetura é a mesma do novo Fiesta, inclusive distância entre-eixos. Apenas os balanços dianteiro e traseiro serão menores, mas o formato da carroceria melhora o espaço interno.

+ A Fiat retirou o nome Palio da versão 2015 da station Weekend. O que aparentemente significaria apenas uma simplificação, na realidade reflete o menor interesse dos compradores pelas peruas, em razão do avanço dos utilitários esporte (SUVs). Já se prevê, infelizmente, o fim desse segmento no Brasil em poucos anos. A própria Weekend, por exemplo, não terá sucessora.

+ A Volvo, fabricante paranaense de caminhões, fez um ótimo trabalho que chamou de atlas da acidentalidade no transporte rodoviário brasileiro, focado em veículos pesados. A publicação traz uma compilação de dados oficiais de todos os tipos de acidentes em estradas federais do País. Esperamos que tenha eco nas decisões por um trânsito mais seguro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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