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Brasil patina em ação e acidentes de carro já matam 46 mil ao ano

Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

04/06/2014 18h36Atualizada em 04/06/2014 18h51

Pouco se divulgou sobre a importância do "Maio Amarelo", mês de ações institucionais criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Na realidade, o mês terminou sem que se notasse nenhum movimento coordenado de autoridades de trânsito, legisladores ou de outras entidades no sentido de, se não estabilizar, pelo menos criar condições para que acidentes interrompam sua curva ascendente no país.

Reprodução
Viu esta imagem da campanha Maio amarelo? Não? Este foi o problema dela Imagem: Reprodução

Pior: o governo brasileiro é signatário da "Década de Ação pela Segurança no Trânsito" (2011/2020), proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ao chegar quase na metade do prazo as estatísticas continuam a nos envergonhar. Só conhecida agora, a divulgação oficial do número de mortos em ruas e estradas aponta para 46 mil em 2012, contra 44 mil em 2011.

Pode-se até certo ponto contemporizar, pois o aumento da mortalidade ficou um pouco abaixo do ritmo de crescimento da frota. O índice mais usado no mundo para avaliar riscos relaciona mortos à frota, mas no Brasil esta é uma peça de ficção. Afinal, veículos que saem de circulação continuam nas estatísticas e a avaliação verdadeira depende de estudos independentes ao cruzar taxas de sucateamento natural, acidentes e roubos/desmanches.

Estamos em quarto lugar na classificação mundial de mortes, mas nossa frota real é apenas a oitava no mundo. Não para por aí. Segundo a Seguradora Líder, responsável pelas indenizações centralizadas, acidentes geraram mais de 60.000 fatalidades. Provavelmente, vítimas de atropelamento sem registros nos números oficiais.

Pesquisa da Fundação Mapfre, também ligada ao ramo de seguros, divulgada neste Maio Amarelo, mostra resultados assustadores. Ouvidas 1.419 pessoas, em todo o Brasil, o resultado foi o seguinte:

+ 47% dos entrevistados tiveram familiar ou amigo morto ou ferido no trânsito.
+ 80% acham que as leis de trânsito não são respeitadas.
+ Nota média dos entrevistados para o trânsito brasileiro foi de 4,6 (de 10).
+ As vias urbanas são de má qualidade, com nota média de 4,4.
+ Duas em cada três pessoas acham que os acidentes não podem ser considerados "acidentes".
+ A formação dos condutores no Brasil não tem qualidade e a educação de trânsito praticamente não existe.

Enquanto isso a Espanha, dentro do esforço preconizado pela ONU, conseguiu reduzir de 10 mil mortes ao ano para 1.800. E a Suécia pretende chegar ao chamado "índice zero" de mortos em acidentes até 2024.

Almeida Rocha/Folhapress
Total de acidentes cresceu de 2011 (44 mil) para 2012 (46 mil), quando deveria cair Imagem: Almeida Rocha/Folhapress

COMO FREAR A MORTALIDADE
Segundo o consultor J. Pedro Corrêa, o único jeito de um esforço contínuo dar resultados e diminuir fatalidades seria um acordo político nacional para que a iniciativa de um governo não fosse paralisada pelo sucessor.

Outro dado muito preocupante da pesquisa da Mapfre: praticamente todos os entrevistados sabem o que é um airbag (bolsa inflável em colisões), porém 50% desconhecem para que servem os freios ABS (antitravamento). Torna-se necessário, portanto, uma urgente campanha nacional do governo e de entidades ligadas ao setor a fim de explicar como se evitam acidentes – ou se arrefecem suas consequências – por meio de não travamento das rodas. E, ainda mais importante, que o pedal de freio deve ser acionado com o máximo de força e nunca pode ser aliviado até passar o perigo, mesmo ao sentir aquela pulsação no pedal, indicadora de que o sistema está funcionando de forma correta.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Marcado para agosto início de fabricação de dois novos modelos: Mitsubishi Lancer nacionalizado, em Catalão (GO) e Volkswagen Fox 2015, em São José dos Pinhais (PR). No caso deste, o motor MSI 1,6 l (120 cv) deverá substituir o atual VHT 1,6 l (104 cv). Aos poucos, o novo motor tomará lugar do atual em toda a linha para atender metas de consumo do Inovar-Auto.

+ Conforme antecipado pela coluna, Toyota produzirá -- se conseguir todos os incentivos governamentais -- o híbrido Prius na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Desconto no IPVA e dispensa do rodízio em São Paulo (SP), aprovados semana passada, não seriam suficientes. Marca espera políticas específicas de IPI e importação para decidir.

+ Jaguar F-Type cupê chega por preços entre R$ 426.300 e R$ 662.000. Estilo é mais atraente que o conversível, lançado primeiro (rara inversão de prioridade). Apesar da carroceria de alumínio, versão R (550 cv) pesa 1.650 kg, mais 150 kg que o Porsche 911 Carrera S, um dos rivais da marca inglesa. Acelera de 0 a 100 km/h em 4,2 s, nada avassalador. Dirigibilidade é ponto alto.

+ Confirmada de 18 a 22 de junho, em Araxá (MG), 21ª edição do Brazil Classics Fiat Show, evento de antigomobilismo com tradição de 30 anos. Além de seleção rigorosa pelo espaço limitado no Grande Hotel, organiza um movimentado leilão. Na última edição (2012), 56 automóveis trocaram de mãos, o que envolveu valores acima de R$ 2 milhões.

+ Estado de São Paulo acaba de obrigar os cartórios, sem custo adicional, a se responsabilizarem pela informação ao Detran de transação de veículos. Comprador e vendedor deslocavam-se ao mesmo tempo para suas instalações (pouco ajudou a diminuir furtos, roubos e fraudes), pagavam pelo serviço e o cartório lavava as mãos quanto ao dever de notificar ao Estado.

* A coluna Alta Roda é publicada originalmente às terças-feiras

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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