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Rodízio de carros em Paris não precisa ser exemplo para São Paulo

Thomas Samson/AFP
Poluição prejudica a visibilidade na região da torre Eiffel, em Paris, em dezembro último Imagem: Thomas Samson/AFP
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

01/04/2014 19h21

Infelizmente, aspectos políticos sobrepostos aos técnicos têm atrapalhado, de novo, o debate neutro sobre as emissões de CO2, aquecimento global e mudanças climáticas. Ninguém desconhece o problema (salvo alguns poucos cientistas céticos), mas muitas vezes só se olha um lado da questão.

O recém-divulgado relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU, pregou de novo o quase apocalipse, se a temperatura média de planeta subir 2 graus celsius até o fim do século. Nenhuma palavra sobre novas áreas agricultáveis, rotas marítimas mais curtas e outras externalidades "positivas" do aquecimento global, mesmo sem compensar suas desvantagens.

Outro ponto obscuro: o recente rodízio de 50% dos veículos, em Paris, pelo aumento da concentração de material particulado ultrafino (MP10, ou seja, 10 milésimos de milímetro de diâmetro). Teve repercussão no Brasil, mas quando se suspendeu a operação, um dia depois, a ênfase já não era a mesma. Autoridades parisienses disseram que as condições meteorológicas mudaram e viabilizaram o fim da restrição. De fato pode ter ocorrido, mas dúvidas persistem:

1) Faltava uma semana para a eleição do novo prefeito da cidade. Será que houve excesso de zelo e a administração temia perder votos? Lavraram apenas 4.000 multas nesse dia de imensa quebra de rotina e até desinformação. No dia seguinte, alívio geral...

2) Talvez alguém tenha se preocupado com quem ia pagar a conta, pois se estabeleceu gratuidade do transporte público por três dias.

3) Primeira intervenção desse tipo na capital francesa aconteceu em 1997. Então, se trata de fenômeno relativamente raro.

4) A nuvem recente de poluição se estendeu além de sua área metropolitana, afetando regiões e países vizinhos. Nenhum apelou para essa medida.

5) Emissões de MP10 não vêm apenas dos escapamentos de automóveis. Há fontes industriais, de climatização e outras. Motores a diesel, grande maioria na França, emitem bem mais material particulado, na média da frota circulante de veículos leves.

São mais brandos no Brasil os limites de alertas de poluição, que obrigariam também a um rodízio ambiental nas cidades afetadas. O cenário, porém, se diferencia de Paris. Ozônio no nível do solo e poeira suspensa no ar ocorrem com frequência, em especial em dias ensolarados de inverno, pouco vento e sem chuva. Incomparáveis, em danos à saúde, às micropartículas liberadas por motores a diesel que, por enquanto, continuam banidos em automóveis por aqui.

Apesar de algum exagero nas críticas à qualidade do ar, jamais podem se negligenciar as condições de rodagem da frota. Afetam qualquer veículo à medida que envelhece, sem manutenção devida. Por isso, preocupa o voluntarismo da Prefeitura de São Paulo, cidade mais afetada pela poluição, quanto ao programa de inspeção veicular desmantelado sem muito compromisso.

Até agora, o assunto parece comprometido por falta de empenho e dificuldades em colocar várias empresas na inspeção. No exterior, tentativas semelhantes falharam e se reverteram. Que fique de mau exemplo para cidades brasileiras. No Rio de Janeiro a inspeção é centralizada, mas além de muito cara, sofre de padrões sofríveis de qualidade.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Dois anos depois de lançada no Salão de Paris, a quarta geração do Clio roda disfarçada no Brasil. Segundo a fábrica, só para "testar motores". Se a Renault deseja alcançar 8% do mercado brasileiro (hoje, 6%), fica bem difícil conseguir sem aumentar opções frente a tantos concorrentes. A começar por rivais franceses atualizados: Peugeot 208 e Citroën C3.

+ Embora restrito, de início, às versões mais caras da linha -- Gol Rallye e Saveiro Cross --, o novo motor Volkswagen 1,6 litro MSI indica que evolução voltada a consumo e desempenho se torna regra. Da mesma família EA211 1,0 litro, 3-cilindros, do up!, esse 4-cilindros se destaca pelo bloco de alumínio e a volta do duplo comando de válvulas. Deverá ser de série no novo Fox, previsto para meados do ano.

+ Volkswagen foi conservadora ao limitar a potência a 120 cv (etanol), enquanto concorrentes de mesma arquitetura oferecem até 130 cv. Talvez tenha privilegiado consumo de combustível, mas ainda não revelou números oficiais do padrão Inmetro. Com 15 kg menos de massa e mais 16 cv que o atual EA111, a diferença de desempenho ficou marcante.

+ Segmento competitivo e rentável explica porque a Ford recriou a versão Sport na nova Ranger, cabine simples. Apenas com motor flex de 2,5 litros, 4-cilindos do Fusion, 173 cv (etanol). Tem preço competitivo de R$ 67.990 e boa posição de guiar, semelhante à de automóveis. Representará só 5% das vendas totais dessa picape média.

+ Destaque na V ExpoAlumínio, em São Paulo, é a estrutura da carroceria totalmente neste metal do Range Rover Vogue. Novellis é a única fornecedora para a construção do primeiro SUV com monobloco todo em alumínio (além de partes móveis como portas e tampas). Resultou na redução de até 420 kg de peso, o que muda muito em consumo e dinâmica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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