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Com minicarros e modelos superconectados, Salão de Genebra abala tradições

Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

11/03/2014 21h32

Otimismo discreto, após cinco anos de queda contínua nas vendas do mercado europeu, marca o Salão de Genebra 2014. Os fabricantes apostaram nessa recuperação, que demorou a cruzar o Atlântico, pois os Estados Unidos já vinham em ritmo de forte reação ao desastre financeiro de 2008. Prova disso foi a apresentação de mais de 20 carros-conceito.

Até o próximo dia 16, será possível ver que a conectividade nos automóveis, além de irreversível, caminha a um ritmo mais rápido que o esperado. A rivalidade entre gigantes nos telefones inteligentes e tabletes passa agora para o interior dos veículos. Apple, Google e Microsoft se convenceram de que as telas nos painéis e consoles são a melhor extensão para aplicativos dos quais as pessoas não querem se separar em horas no trânsito ou viagens. Para o Car Play, a Apple (com iPhone e sistema iOS) já fechou 15 parcerias, mas o Google (Android) está na cola.

SUVs e crossovers compactos puxam a lista de novidades entre os conceituais da mostra suíça. Destaque para o Volkswagen T-ROC. Apesar de ter apenas duas portas e teto removível, pouco críveis de se tornarem reais, indica o novo estilo diferenciado da marca no Tiguan, Taigun (a ser fabricado no Brasil) e no próximo derivado do Polo. Hyundai Intrado, ainda mais audacioso, também fornece pistas sobre o inédito SUV compacto brasileiro e o sucessor do ix35.

Ainda nesse segmento o Citroën C4 Cactus, na versão definitiva, chega ao mercado europeu no segundo semestre e ficou bem próximo ao conceito apresentado em outros salões. Sua arquitetura igual à do Peugeot 2008, que terá produção brasileira no final do ano, abre a mesma possibilidade aqui.

Subcompactos econômicos formam outro segmento em alta. Novo Renault Twingo, de motor traseiro e soluções práticas, chamou atenção pelo perfil semelhante ao do Fiat 500. Não terá vida fácil para enfrentar seu futuro sócio de projeto, o smart, além do renovado trio dos irmanados Toyota Aygo, Peugeot 108 e Citroën C1.

Muitos olhos sobre o Jeep Renegade, embora partilhe o que não se vê com o Punto e o monovolume 500L, além da produção na Itália. Conforme essa coluna antecipou, será o primeiro produto da nova fábrica do grupo ítalo-americano em Goiana (PE), mas haverá ainda uma derivação Fiat com toque brasileiro.

Terceira geração do Audi TT apresenta mudanças sutis. O conceitual TTS, porém, inquieta quem pensava que os 360 cv dos Mercedes-Benz A 45 AMG, sacados de apenas 2 litros de cilindrada, era o máximo em termos de potência específica. Não é: fora algum recuo na versão final, a Audi, candidamente, anunciou 420 cv para os mesmos 2 litros!

BMW lançou seu primeiro produto de tração dianteira, Série 2 Active Tourer, monovolume que parece hatch de teto alto. Mas perseguiu a distribuição de 50% do peso em cada eixo, ideal para a dirigibilidade e tradição em todos os seus carros de tração traseira. Como isso é muito difícil quando o trem de força está sobre as rodas dianteiras, teve de se contentar com 50,5% na frente e 49,5% atrás...

A Ferrari, que já adotara pela primeira vez tração nas quatro rodas no modelo FF, agora se rende ao turbocompressor e à redução de cilindrada, no California T. Diminuiu consumo e emissões com o V8 de 3,9 litros e 560 cv.

Lançamentos de supercarros em Genebra continuam, apesar de a Suíça ser o único país onde se proíbem corridas por lei desde o mega-acidente das 24 Horas de Le Mans, na França, em 1955. Novo Lamborghini Huracán, de 610 cv, abusa um pouco menos dos vincos. E o Koenigsegg One:1 rompeu todos os parâmetros: 1.341 cv, além da incrível e inédita relação de 1 kg para 1 cv.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Desde que o sedã compacto anabolizado Peugeot 301 surgiu no Salão de Paris de 2012, especula-se que poderia ser fabricado nas instalações de Porto Real (RJ). Fontes da coluna lembram, porém, que sua produção é cara e não daria para enfrentar o preço de concorrentes do naipe de Logan, Cobalt e Grand Siena.

+ Segundo estudos da consultoria Ernest&Young, nada menos que 104 milhões de veículos previstos para começar a circular no ano de 2025 terão a bordo recursos de conectividade em diferentes níveis de sofisticação. Isso representaria 88% dos veículos a serem vendidos naquele ano, nos mercados de todo o mundo. Esperamos ver algo do tipo no Brasil, e bem antes.

+ Desenvoltura do motor de três-cilindros, de 1 litro e 82 cv, boa posição ao guiar, recursos úteis (entre eles destravamento elétrico da tampa do porta-malas, que inclui prática divisória) e acabamento superior à média entre modelos pequenos demonstram que o Volkswagen up! será ator de peso. Seu preço condiz com o oferecido alto nível de segurança e robustez construtiva.

+ Relatório divulgado nos EUA aponta que os custos totais ao longo da vida útil dos carros puramente elétricos são mais altos que os modelos convencionais ou híbridos de desempenho e tamanho similares. Cálculos apontaram que, nos parâmetros de uso lá, os elétricos deixam uma conta final maior de US$ 16.000 a US$ 19.000 (R$ 37.000 a R$ 44.000).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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