Carros

Focus atualiza segmento médio, acomodado com sedãs e estagnado com hatches

Divulgação
Alta Roda

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Fernando Calmon

Colunista do UOL

Com a chegada da terceira geração do Focus o segmento de médios-compactos recebeu um forte sopro de atualização. Cenário é diferente entre hatches e sedãs. O primeiro perdeu participação em grande parte por falta de novidades e o segundo está consolidado por representar alinhamento quase total com modelos existentes no exterior.

A Ford decidiu aumentar o foco (com perdão do trocadilho) justamente no sedã em razão de histórico baixo índice de aceitação frente aos japoneses Civic e Corolla, além do Cruze. Quanto ao hatch, sua vida foi facilitada pelos longos anos de pouco investimento no Golf. Agora abriu duas frentes de batalha: contra o Golf 7 e ainda o novo Corolla (primeiro semestre de 2014).

Entre as decisões estratégicas da Ford está a igualdade paulatina de produtos em todas as suas fábricas no mundo. Hoje a diferença pode chegar a dois anos, mas deve cair para 1,5 ano, em média. No caso do Focus haverá na Europa reestilização frontal no próximo ano. O modelo atual, no entanto, deverá ser o primeiro automóvel produzido na região (no caso, Argentina) a obter o máximo de 5 estrelas no critério Latin NCAP, em teste de impacto patrocinado, já em novembro.

O MELHOR... DE 2012

O título não está errado. Estamos em 2013, é claro, e o Novo Ford Focus (que custa entre R$ 60.990 e R$ 87.990) chega às lojas em novembro, podendo ser reservado a partir de outubro. Então por que ele é "o melhor hatch médio do ano passado"? Por que em 2012 ainda não havia o Volkswagen Golf 7 no Brasil. Em 2013, há.

Motor de 2 litros/178 cavalos também é primeiro flex com injeção direta capaz de funcionar com etanol puro (nos EUA, 15% de gasolina). Garante partida até 10 °C negativos, sem ajuda de gasolina ou preaquecimento elétrico, graças principalmente aos 150 bar de pressão de injeção (30 vezes maior que a indireta convencional). Ganho de potência foi de 13% e consumo médio caiu até 15%, só possível com injeção direta, um recurso caro. Motor de 1,6 litro manteve partida com preaquecimento elétrico e injeção convencional, mas ganhou 5 cv (agora 135 cv) e nota A (máxima) de eficiência pelo critério Inmetro.

Estilo do novo Focus é atraente, em especial desenho do teto do sedã e lanternas traseiras do hatch. Interior tem acabamento cuidadoso, bancos envolventes e painel em espuma injetada (toque macio) em toda a extensão, material caro que concorrentes aplicam com parcimônia. Versões de topo oferecem vários equipamentos sofisticados como tela tátil de 8 polegadas e assistência mãos-livres para estacionar. Faltam para-brisa com faixa degradê e pintura interna do capô na cor externa. Freios traseiros a tambor, nas versões de entrada, não se justificam pelo bom nível do carro. Porta-malas do sedã perdeu 105 litros: agora, 421 litros, o menor do segmento.

Avaliação inicial do Focus sedã, na região vinícola de Mendoza, Argentina, mostrou destaque tradicional em dirigibilidade -- ainda melhor com direção de assistência elétrica -- e comportamento exemplar em curvas. Motor de 2 litros, único disponível nesta versão (no hatch há as duas possibilidades), tem funcionamento bastante suave. A caixa de câmbio automatizada de duas embreagens e seis marchas (Powershift) funciona melhor do que no Fiesta: trocas rápidas e exatas. Desempenho geral reflete certa inferioridade a concorrentes com motores turbo de potência inferior.

Preços vão de R$ 60.990 a R$ 87.990 (hatch) e R$ 69.890 a R$ 89.900 (sedã). São bastante competitivos, inclusive na montagem dos pacotes e na oferta de equipamentos de ponta. Garantia completa de três anos.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Mercedes-Benz confirmou a produção de automóveis no Brasil. Além do GLA, um SUV compacto na mesma arquitetura do Classe A, recém-apresentado no Salão de Frankfurt, fabricará também o novo Classe C, a estrear no Salão de Detroit, em janeiro próximo. Pequeno município de Iracemápolis, a 150 km de São Paulo, foi o escolhido graças à infraestrutura do Estado.

+ Coincidentemente, investimento de R$ 500 milhões é idêntico ao anunciado pela Audi, duas semanas antes (17 de setembro). Da mesma forma, capacidade de produção inicial de 20.000 unidades/ano para ambas. E parece combinado, mas não foi: as duas marcas alemãs escondem o terceiro produto para completar 30.000 unidades/ano: os hatches Classe A e A3.

+ Certas decisões técnicas não deveriam tardar tanto. No caso, uma caixa de câmbio automática atualizada, de seis marchas, com respostas precisas, sem trancos ou hesitações. Dessa forma, o Citroën C4 Lounge entrega bom compromisso preço-desempenho, mesmo com o motor de 2 litros/151 cv, que mostra casamento perfeito, em uso urbano e em estradas.

+ Vem aí uma leva de motores com turbocompressores de menor cilindrada (técnica de downsizing), fabricados no Brasil, para atender metas, tanto obrigatórias como incentivadas, de redução de consumo de combustível. Preferidos serão motores de 1,4 litro, mas também os de 1 litro serão resgatados da situação atual, meio no limbo das preferências dos consumidores.

+ Está mais fácil solicitar indenizações do seguro de acidentes chamado popularmente de obrigatório (DPVAT, sigla quilométrica criada pela burocracia). Toda a documentação pode ser levada a qualquer agência dos Correios (desde que não esteja em greve...) para dar início ao processo, sem a necessidade de intermediários. Espera-se, assim, diminuição de fraudes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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