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Controle da poluição dos carros não pode sofrer com espertezas

Paulo Pereira/Greenpeace
Ativista do Greenpeace protesta contra o reembolso da taxa de R$ 47,44 aos motoristas aprovados na inspeção veicular na cidade de São Paulo Imagem: Paulo Pereira/Greenpeace
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

23/07/2013 19h19Atualizada em 23/07/2013 21h18

Improvisação, em assuntos que merecem atenção do poder público, infelizmente continua como regra. Demonstração desse descaso aconteceu com a inspeção técnica ambiental (ITA) na cidade de São Paulo. Em nível nacional existe um Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV) que obriga governos estaduais a levantar um inventário de emissões e controlar via inspeção de veículos o nível de poluentes.

Liminar concedida há meses ao Ministério Público paulista, pela 14ª Vara da Fazenda Pública, determinou a ITA em 128 municípios e em toda a frota movida a diesel no Estado. Nada aconteceu até agora. Em teoria, outros Estados poderiam ser acionados, pois o PCPV existe desde 1994. Na capital paulista, a inspeção começou de forma totalmente deturpada há quatro anos.

Esta coluna sempre defendeu a fiscalização de segurança e ambiental integradas. Mas o pior dos mundos aconteceu na maior cidade do país. Além de a inspeção não incluir itens de segurança, começou justamente pelos veículos novos, subvertendo a mais comezinha das lógicas. Apenas depois de todo o desperdício de tempo e dinheiro é que a nova administração da Prefeitura decidiu implantar o mesmo cronograma adotado em outros países e defendido aqui por várias vezes.

Já em 2014, a ITA atingirá apenas veículos a partir do quarto licenciamento (mais de três anos de uso), a cada dois anos, até o décimo, quando passa a ser anual. Movidos a diesel continuam com a regra antiga Só pagará a taxa de serviço quem for reprovado. Aqueles licenciados em outros municípios, que circulem por mais de 120 dias na capital, serão obrigados a fazer inspeção (antes dispensados), mas deverão pagar a taxa. Esta exigência pretende trazer de volta parcela da frota da capital licenciada em municípios vizinhos para escapar da inspeção. Isso causava prejuízo a São Paulo, que perdeu sua parte na divisão do IPVA estadual.

É GRÁTIS, SÓ QUE NÃO
Improvisação, no entanto, continua. A Prefeitura vai abolir a ITA centralizada pela empresa Controlar, que instalou 16 centros, 200 linhas de inspeção e, à exceção de sua avidez por faturar, faz um bom trabalho. Experiências de pulverizar o programa tentadas em outros países não deram certo pela dificuldade de fiscalização. Também se questiona a gratuidade do serviço. Afinal, quem não possui carro acabará por também pagar a conta.

Outro ponto importante, particularmente em uma cidade de elevado poder aquisitivo, é o estímulo para a troca do veículo após três anos de uso, período de dispensa da obrigação. Resultado aparecerá na forma de renovação mais acelerada da frota, algo altamente benéfico para a qualidade do ar.

Vergonhosa mesmo foi a atitude de sindicatos de comerciantes de autopeças e de donos de oficinas. Podiam ao menos ficar neutros, porém, ao contrário, divulgaram protestos com argumento absurdo em favor de seus próprios negócios. Para eles, a inspeção deveria continuar anual, para todos os veículos, a fim de "conscientizar" os motoristas sobre a importância da manutenção. Ora, isso permanece em pauta: frota-alvo a fiscalizar passará por vistoria. E, afinal, carros novos têm sistemas antipoluição garantidos por cinco anos ou 80.000 km. Chega de esperteza.

Siga o colunista: twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Novo atraso no início da produção do SUV médio-compacto ix35 na fábrica Hyundai-CAOA, de Anápolis, GO. Plano inicial era começar a montagem no final de 2012. Além de atrasos previsíveis, cronograma pode ter sido prejudicado pela falência do banco BVA, em que o Grupo CAOA tinha aplicações de R$ 600 milhões. Segundo a empresa, Tucson continuará em linha.

+ Audi A3 Sportback impressiona por suas maiores dimensões (quase 6 cm a mais de entre-eixos) e ainda ter perdido cerca de 90 kg de massa total por uso extensivo de alumínio e aços leves. Destaque ao interior com ótimo acabamento, tela multimídia de 7 pol e freio de estacionamento eletromecânico. Motor 1,8 l/180 cv turbo utiliza inédita injeção direta e indireta. Preço: 124.300.

+ Sem nada lembrar a geração anterior, novo Toyota RAV4 exibe estilo mais jovem e dispensou estepe externo. Roda sobressalente fica sob o assoalho do porta-malas, cuja tampa é ruidosa em piso irregular. Mas, suspensões são ótimas em qualquer situação. Materiais internos equilibram partes rígidas e de toque suave. Ótimo conjunto motor e câmbio CVT (7 marchas virtuais).

+ Focada no mercado brasileiro, Fiat não economizou ao decidir desenvolver versão flexível para o motor Multiair do subcompacto descolado 500. Mesmo ao representar só 15% das vendas, motor 1,4/16 v, de ajuste eletro-hidráulico das válvulas de admissão, cobre essa lacuna e oferece dois cv extras de potência (107 cv) com etanol. Diferença é pouco perceptível.

+ Correção: potência do inédito motor V-6 a gasolina do novo Ranger Rover Sport é de 340 cv (diesel 292 cv). No início do próximo ano, a marca inglesa lançará versão diesel híbrida na Europa. Não há, porém, previsão desta opção ser exportada para o Brasil em razão do preço elevado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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