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Reciclagem de carros é dívida do governo que pode finalmente ser paga

MEHDI FEDOUACH/AFP
Centros de reciclagem são comuns na Europa, Estados Unidos e mesmo na vizinha Argentina Imagem: MEHDI FEDOUACH/AFP
Divulgação
Alta RodaFernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colunista do UOL

21/08/2012 20h11

Entre os eventos mais tradicionais do setor automotivo no país está o Congresso Fenabrave, da associação das concessionárias de todos os tipos de veículos motorizados terrestres, incluídos motocicletas, máquinas agrícolas e implementos rodoviários. Embora focado nos negócios, várias pautas discutidas interessam ao mercado como um todo e ao comprador final do veículo.

A 21ª edição, realizada na última semana em São Paulo (SP), mostrou que assuntos abordados em outros anos começam a evoluir e há sinais de mudanças para melhor. Uma dívida do poder público mostra, agora, chance de solução. O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif, anunciou no congresso a criação dos primeiros pátios ou depósitos destinados à reciclagem de carros. “É o início da chamada indústria desmontadora de veículos”, saudou. 

No Brasil, apenas 1,5% é reciclado. Graças à iniciativa, a inspeção técnica veicular, eternamente adiada por demagogia política, quando implantada trará benefícios adicionais para renovação da frota circulante sucateada, além de óbvios ganhos de segurança e ambientais.

Indústria de reciclagem, se realmente sair do papel, ajudará a resolver outra dificuldade. Acidentes com perda total ("PT", no jargão segurador) criam caminhos escusos de recuperação malfeita e recolocação de um veículo inseguro no mercado. Centros de desmontagem fiscalizados resolveriam essa grave trapaça contra o consumidor.

FINANCIAMENTO
Sobre a conjuntura atual, se confirmou que a taxa recorde de 6% de inadimplência nos financiamentos começou a cair e deve chegar a 5% até o final do ano, ainda longe dos 3% históricos. Em grande parte ela se deve menos aos financiamentos de 60 meses sem entrada (sempre “mosca azul” no mercado) e mais ao afrouxamento excessivo das exigências bancárias. Agora, 55% dos cadastros de clientes de automóveis novos são aprovados (contra 80% na normalidade). Problema continua nos carros usados, importantes no processo comercial, cuja aprovação cadastral estacionou nos 30%.

Na palestra de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, não passou despercebido para esta coluna a afirmação de que, em breve, se regulamentará o cadastro positivo.

Trata-se de um instrumento importante para graduação da taxa de juros nos financiamentos de carros. Quem tem histórico de honrar compromissos pagará menos juros. Mas o processo de amadurecimento é longo e se atrasou por ação de entidades de falsa defesa dos consumidores com viés apenas ideológico.

Interessante foi a pesquisa da J.D. Power mostrando que 48% dos automóveis novos, hoje vendidos, são em substituição a outro veículo, 27% fazem a primeira compra e 25%, um carro adicional. Demonstração do grande potencial do mercado brasileiro em relação a países maduros, onde a troca do usado pelo novo pode representar até 80% do total.

Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave, mostrou confiança de que as vendas de 2012 superem em mais de 4% o recorde de 2011. Deixou a entender que, mantidas as condições atuais de IPI reduzido até o final do ano, o mercado poderia crescer até mais de 5%, resultado que, poucos meses atrás, quase ninguém cogitava. Ainda não ficou claro se o crescimento é sustentável ou significa antecipação de vendas de 2013. Dependerá de a economia arrancar do atoleiro atual com a desenvoltura de um bom veículo 4x4.

O congresso teve 40 palestrantes do Brasil e do exterior e exposição de 15.000 m² que reuniu 70 fornecedores. Presença institucional de alguns fabricantes incluiu a Hyundai Brasil. Ela monta uma nova rede, a partir do zero, apenas para o seu novo compacto nacional HB20.

Siga o colunista: www.twitter.com/fernandocalmon


RODA VIVA
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+ Honda terá versão do Fit com visual "aventureiro", a ser lançado no Salão do Automóvel de São Paulo (24 de outubro a 4 de novembro). Nada de protótipo de verdadeiro SUV baseado na arquitetura do modelo. Assim, HB20 não estará sozinho nessa estratégia. Marca japonesa não exibirá o compacto de entrada Brio, apesar de previsto para produção no Brasil.

+ Expectativa de vendas elevadas do novo EcoSport, se confirmada, trará efeitos colaterais aos planos da Ford. Kuga, utilitário esporte com base no Focus, andava meio de lado na filial argentina. Mas, poderá, finalmente, sair de conjecturas e entrar em produção mais adiante. A empresa avalia: SUVs avançarão sobre outros segmentos e quer surfar na onda.

+ Voyage Comfortline 1,6/104 cv, com câmbio automatizado de uma embreagem (I-Motion), abre opção interessante na faixa de preço pouco acima dos R$ 40 mil. Linhas recém atualizadas, bom acabamento, suspensões firmes sem provocar desconforto e motor que tem "vida" em baixas rotações são pontos altos. Instrumento combinado exige melhor visibilidade.

+ Apesar de otimismo sobre possível recorde de 380.000 unidades vendidas até o fim de agosto, F. Meneghetti, presidente da Fenabrave, preocupa-se com oportunismo de alguns escritórios de advocacia. "Ações revisionais de financiamentos, questionando juros contratuais, são propostas sem critérios. Algumas vezes, logo depois de paga a primeira prestação."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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