Trabalhadores do complexo fabril da Renault/Nissan, no Paraná, encerraram nesta sexta-feira (5) uma greve que já durava quatro dias, depois de acordo de reajuste salarial de 10,1%. Em São Paulo, porém, reuniões entre sindicalistas e empresários prosseguiram até a madrugada sem avanços.
A negociação salarial dos metalúrgicos acontece após recordes de venda e produção nos primeiros sete meses do ano, mas também em um momento em que a atividade da indústria mostrou desaceleração em agosto frente a julho.
Os cerca de 4 mil metalúrgicos da Renault/Nissan voltaram ao trabalho depois de aceitarem reajuste real de 2,5% mais reposição integral da inflação acumulada nos últimos doze meses, estimada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) em 7,6%.
O aumento será pago já em setembro e os dias parados não serão descontados dos salários. Os metalúrgicos exigiam reajuste de cerca de 13% (com 5% de aumento real).
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, nos quatro dias de greve 3,2 mil veículos deixaram de ser produzidos no complexo fabril franco-japonês.
Na fábrica da Volkswagen na região, no entanto, a paralisação entra no quinto dia e, segundo o sindicato, cerca de 4,2 mil veículos deixaram de ser fabricados na montadora alemã neste período. A assessoria de imprensa do sindicato informou que a empresa não ofereceu proposta nova.
NEGOCIAÇÃO EM SP CONTINUAEm São Paulo, a negociação entre montadoras da região metropolitana e do interior do Estado com sindicalistas foi interrompida às 2h da madrugada desta sexta-feira sem avanços.
As conversas foram retomadas nesta tarde sem prazo definido, mas trabalhadores da região do ABC estão em estado de greve, podendo cruzar os braços na segunda-feira dependendo do resultado das negociações. A região concentra grandes fábricas de empresas como Volkswagen, Ford e Scania .
Trabalhadores do interior paulista podem decidir na próxima semana por paralisação por tempo indeterminado após greve de 24 horas realizada na quarta-feira na General Motors, Honda, Toyota e Mercedes-Benz .