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12/02/2012 - 14h15

Plymouth 1929 carrega estilo dos aviões da 2ª Guerra

Revista Fullpower

Guilherme Silveira
Especial para o UOL
  • Calhambeque virou bomba de estilo com pintura de combate, interior de alumínio e V8 de Dodge

    Calhambeque virou bomba de estilo com pintura de combate, interior de alumínio e V8 de Dodge

Um hot rod é sempre um carro diferenciado. Aliás, esta era a origem dos carros montados pelos jovens americanos a partir da década de 1920, quando ganhavam peças de outros modelos para se tornarem mais rápidos e estilosos. Apesar do imenso número de hot rods montados desde os primórdios, ainda é possível encontrar carros totalmente exclusivos e únicos, como este incrível Plymouth 1929 do empresário Mauro Gaibar.

O carro, originalmente equipado com motor quatro cilindros, foi achado em péssimo estado e ganhou vida nova após extensa restauração feita por Norberto Jensen, da Hot & Custons. O carro ganhou até reforço estrutural na parte dianteira do chassi, tendo em vista a instalação de um motorzão V8.

Jensen construiu o Plymouth para uso próprio, mas sabia que propostas de compra logo apareceriam. O primeiro a tentar convencer o construtor a se desfazer do hot em troca de uma boa quantia de dinheiro foi um amigo do atual proprietário. Depois, foi a vez de Gaibar insistir até conseguir levar o carro para a garagem de casa. 

Mas não pense que se trata de um objeto de coleção, adquirido apenas para ser admirado e polido. “Qualquer que seja o carro, ele tem que rodar. Pelo menos uma vez por semana, o hot rod me leva ao trabalho com maestria”, afirma o empresário.

BOMBARDEIRO
No primeiro contato, este Plymouth pede alguns minutos para ser apreciado, e compreendido. Primeiramente, deve-se observar o espetáculo garantido por detalhes extraídos de pinturas aeronáuticas. Todos foram feitos à mão pelo pinstriper Marcelo Lobão e ajudam a torná-lo um legítimo Bomber -- os aviões de combate da 2ª Guerra.

Ainda externamente, as rodas de aço aro 15" foram devidamente alargadas, cromadas e tiveram suas bordas internas pintadas de vermelho. Elas vestem pneus BF Goodrich 285/70 na traseira e 215/70 na dianteira. O toque final é dado pelas calotas com um logo "V8" estampado.

O interior, recheado de peças importadas, chama atenção especialmente pelo banco. Trata-se de uma chapa de alumínio lisa, reta, que o caracteriza como um Bomber. Por conta do desconforto e do baixo “grip” em curvas, o proprietário afirmou que vai complementá-lo com almofadas de couro envelhecido. De qualquer forma, o assento inteiriço causa um ótimo efeito visual junto às laterais de portas, que contam com abertura inversa, tipo suicida, também em alumínio. Outro aspecto que o torna um bombardeiro são os instrumentos do tipo aviação, com acabamento preto da Classic Instruments. Para completar, volante branco gringo gigante e pedaleiras Billet de alumínio. O para-brisa escamoteável é original do Plymouth, enquanto faróis e colete do radiador de água são emprestados de um Fordinho 1932.

Seu tanque dianteiro em forma de barril remete aos tempos das primeiras arrancadas feitas em desertos de sal, quando se utilizava gasolina suficiente apenas para cada puxada. É importado e de alumínio. Mas não é ele que comporta o combustível. Trata-se de um tanque especial, de inox, que fica no porta-malas e tem 45 litros de capacidade.

Curto e leve, com cerca de 1.100 kg, o Bomber de 1929 desfruta de quase 350 cavalos de emoção, com muito torque despejado na traseira. O veoitão Dodge 318 (5,2 litros) traz uma receita picante: comando de válvulas de 292º no bloco e cabeçotes de alumínio da Edelbrock -- com válvulas grandes e mais livre em fluxo, além de balanceiros roletados. Alimentando tudo, dois carburadores Holley Quadrijet 390 CFM instalados em coletor Weiand, com ar devidamente sugado por um enorme scoop da BDS.

Embora o comandão tenha bastante tempo de permanência e embaralhe bonito em marcha lenta, o coletor tipo tunnel Ram, mais alto, auxilia num bom torque desde as 2.000 rpm. Sem contar o ímpeto em disparar a rotação ao se pisar fundo, que segue rápido até 7.000 rpm.

O ronco seco e alto dos escapes 4x1, aliado ao cheiro da gasosa de alta octanagem que domina a cabine quando se anda devagar, emociona e instiga o piloto a acelerar. Engatar as cinco marchas do câmbio -- transmissão da Dakota V6 -- é algo justo e preciso. Além disso, a embreagem também impressiona pela maciez de acionamento. Já a suspensão, com feixes de molas transversais de duplo triângulo na dianteira e four link com coil over regulável na traseira, quica bastante. Mas garante segurança e firmeza na medida. Para frear este verdadeiro “senhor da guerra”, há quatro freios a disco também da picape Dodge. O resultado é uma boa eficiência ao pisar mais fundo no pedal central.

Embora seja convidativo acelerar forte este hot raro, o legal mesmo é passear e dar “tiros” curtos quando a pista está livre à frente. Afinal, todos querem mesmo é apreciar alguns de seus diversos detalhes.

Para saber mais sobre a receita bombástica do hot rod, leia a edição 117 da Fullpower
 

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