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30/01/2010 - 11h00

VW Fox I-Motion foi pensado para ambiente urbano, mas exige paciência

Da Auto Press
A Volkswagen teve, por um bom tempo, vida mansa com o Fox. O hatch, que inaugurou em 2003 o tal segmento de "compactos altinhos" (high roof) no Brasil, não tinha concorrentes. O Renault Sandero, lançado em 2008, até vende bem, mas nunca ameaçou o modelo da marca alemã. Mas tudo começou a mudar no ano passado, com a chegada do Chevrolet Agile, rival fabricado por uma marca com mais tradição e estrutura no país (leia-se enorme rede de concessionários), além de ter desenho moderno e bom nível de acabamento. Tanto que a Volks tratou de mexer no Fox: atualizou o visual, melhorou o interior e, de quebra, ampliou e sofisticou a lista de equipamentos com itens mais luxuosos, como teto solar, sensores de chuva e de obstáculos e até câmbio automatizado. Uma forma de tentar emprestar ao modelo uma imagem de requinte perante os rivais e de oferecer equipamentos não encontrados nos concorrentes.
  • Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

    Volks busca requintar imagem do Fox com câmbio I-Motion e recheio mais luxuoso

Para a indústria, o consumidor brasileiro vê o câmbio automatizado como um item de conforto e sofisticação. Tanto que o sistema da Volkswagen, batizado de I-Motion, estreou no compacto premium Polo e passou a ser oferecido nas versões superiores do Gol e do Voyage e, agora, do Fox. O I-Motion consiste em uma caixa manual de cinco velocidades com embreagem robotizada e software desenvolvido pela Volkswagen brasileira em parceria com a matriz na Alemanha -- conjunto que dispensa o uso do pedal da esquerda. Ele possui modos de condução automática ou por mudanças sequenciais na alavanca do câmbio ou em borboletas atrás do volante, item que agrega ainda mais requinte. O câmbio automatizado trabalha sempre com o motor 1.6, que gera 101 cv de potência e 15,4 kgfm de torque com gasolina ou 104 cv e 15,6 kgfm com etanol.

A elevação do status do Fox foi acompanhada de perto pelos preços na tabela. A versão testada, a top Prime I-Motion, parte dos R$ 40.300. Mas por esse preço traz um número muito limitado de itens de série -- direção hidráulica, banco do motorista com regulagem de altura, para-sóis com espelhos iluminados, volante com ajustes de altura e de profundidade, computador de bordo, faróis e lanterna de neblina e aerofólio traseiro. Para que esta versão fique medianamente equipada, acrescentando ar-condicionado, vidros elétricos, alarme e aparelho de som multimídia, é preciso desembolsar R$ 44.912.

Além desses, o Fox Prime pode receber uma quase interminável lista de opcionais que evidenciam ainda mais sua proposta de sofisticação. Como o modelo avaliado, equipado com ar, trio, aparelho de som com comandos no volante e entradas USB e SD card, alarme, abertura e travamento na chave, retrovisores com piscas integrados, rodas de liga leve, redes nas laterais do porta-malas, sensores de luminosidade e de chuva, banco traseiro bipartido e deslizante. Também integram a versão testada itens como airbag duplo, freios com ABS, sensor de obstáculos traseiros, teto solar, retrovisor eletrocrômico e following/leaving home dos faróis. Só que tudo isso eleva o preço do compacto a R$ 53.991.

FICHA TÉCNICA

Volkswagen Fox Prime 1.6 I-Motion
Motor: Gasolina e etanol, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual automatizado com cinco marchas à frente e uma a ré, com opção de mudanças sequenciais manuais através da manopla do câmbio ou de borboletas atrás do volante. Tração dianteira.
Potência: 101 cv com gasolina e 104 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque: 15,4 kgfm com gasolina e 15,6 kgfm com etanol a 2.500 rpm.
Diâmetro e curso: 76,5 mm x 86,9 mm. Taxa de compressão: 12,1:1.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece ABS como opcional.
Pneus: 195/55 R15 em rodas de aço. Rodas de liga leve opcionais.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,82 metros de comprimento, 1,64 metro de largura, 1,54 metro de altura e 2,46 metros de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal como opcional.
Peso: 1.054 kg em ordem de marcha, com 440 kg de carga útil.
Porta-malas: 260 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Feita a equivalência, o Fox é 5% mais caro que o Agile LTZ e 3% que o Sandero Privilège. O preço do Fox completo fica mais alto ainda porque tem uma oferta de equipamento mais ampla -- inclusive é o único que tem oferta de câmbio automatizado. Completo, porém, chega a custar mais caro que um Volkswagen Golf de entrada.

FOX DE NOVO VISUAL
Mas o que marca esta nova fase do Fox é o design. Por fora, adotou a nova identidade visual da Volkswagen na Europa, com faróis e grade muito parecidos com os utilizados no novo Polo, apresentado em Genebra, ano passado. O face-lift emprestou mais agressividade ao visual excessivamente comportado do Fox. Destaque para os faróis com máscara negra e mais angulosos e a grade com barra horizontal, itens que tentam seguir a nova identidade visual da marca. Mesmo assim, ainda é um carro com poucas ousadias estéticas, como costuma ocorrer com os modelos da Volkswagen.

A melhora é mais notável no interior, onde fica nítida a maior preocupação com o acabamento. Desde seu lançamento, em 2003, o Fox sempre se caracterizou por um ar despojado, com painéis de plástico e partes da lataria à mostra. Agora, as portas vêm com revestimento em tecido. O material dos painéis aparenta mais qualidade, há cobertura nas colunas das portas e o porta-luvas até ganhou tampa. Os principais comandos são bastante intuitivos -- a exceção é o desembaçador traseiro, cujo acionamento é feito na ponta da haste do limpador -- e estão ao alcance do motorista. Além disso, o modelo adotou novo quadro de instrumentos, que propicia uma visualização rápida, clara e objetiva, e passou a incorporar, além do computador de bordo, luzes de leitura traseiras, redes nas costas dos assentos dianteiros e pneus 195/55 R15. Afinal, detalhes visuais costumam impressionar bastante o consumidor brasileiro. Mesmo assim, há abuso de peças plásticas e os revestimentos dos bancos deixam a desejar. Alguns encaixes deixam sobras aparentes e há rebarbas nas borrachas que vedam as janelas e na forração do teto e do porta-malas.(por Fernando Miragaya)

IMPRESSÕES AO DIRIGIR: Fox I-Motion demanda paciência na dose certa

Os câmbios automatizados, por mais que vendam a ideia de conforto e requinte, não deixam de ser caixas manuais. Ou seja, é preciso encará-los como transmissões manuais, tanto no modo automático quanto no modo sequencial. No Volkswagen Fox Prime I-Motion, só desta forma -- e com algum tempo para dominar o "espaço" correto entre as marchas -- é possível minimizar os famigerados trancos. Na opção sequencial, quando se faz as mudanças através das borboletas (paddle shift) ou da manopla de câmbio, é bem mais fácil ter esse controle.
Mesmo assim, a caixa robotizada inibe um ímpeto maior do compacto e mostra que o maior compromisso do Fox I-Motion é mesmo com o uso urbano, em tráfego pesado ou engarrafamentos. Aliás, é sua grande vocação, principalmente devido à benesse do conforto traduzida na ausência do pedal de embreagem. Em trechos sem congestionamento, o modelo oferece arrancadas satisfatórias, com um zero a 100 km/h em 11,4 segundos, sempre com etanol no tanque.
Na hora das ultrapassagens e nos trechos de subida, o modelo automatizado surpreende. As respostas são rápidas e o motor enche rapidamente. Aos 2.500 giros, o torque de 15,6 kgfm já está integralmente disponível, o que promove retomadas seguras, principalmente com a caixa funcionando no modo sequencial.
Mas é nas altas velocidades é que o Fox mostra suas fraquezas. O isolamento acústico falha perto dos 100 km/h. Aos 120-130 km/h uma sensação de flutuação surge. A estabilidade também deixa a desejar em freadas bruscas, quando mergulha, e ao enfrentar curvas de forma mais agressiva. Tradicionalmente, as versões "civis" do Fox tinham problemas nesse item. O acerto parcial apareceu primeiro no CrossFox, depois na SpaceFox, mais bem-nascidos nesse quesito. O novo Fox se beneficiou dessa experiência e recebeu mudanças na carga de amortecedores. O modelo agora tem um comportamento mais neutro, em função do enrijecimento da suspensão. Em troca, perdeu um pouco do conforto, pois filtra menos as irregularidades do piso. De qualquer forma, é um hatch altinho, não um modelo dado a arroubos esportivos. Tanto que a carroceria rola nas curvas e, no limite, tende a soltar de frente.
Em contrapartida, o Fox mostra suas virtudes por dentro. O motorista desfruta de uma posição elevada e boa para dirigir, visibilidade satisfatória e ergonomia eficiente. Além disso, há folga para pernas e cabeças, e a altura do modelo aumenta a sensação de amplitude no habitáculo. Os magros 260 litros de volume do porta-malas estão de acordo com o segmento, mas eles crescem para 350 litros, quando o banco traseiro deslizante está na posição mais avançada. No consumo, o Fox também revelou qualidades. O modelo avaliado, com 100% de etanol no tanque e uso 2/3 urbano fez a elogiável média de 8,2 km/l.(FM)

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