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05/10/2009 - 08h00

Audi A5 3.2 V6 marca volta da marca alemã ao universo dos cupês médios

Da Auto Press
A Audi é uma espécie de novata no restrito grupo das chamadas marcas premium. Por isso mesmo, faz questão de ocupar todos os nichos de mercado onde as suas concorrentes já atuam. É o caso da propícia volta ao segmento de cupês de quatro lugares com o A5, uma configuração que o fabricante não explorava desde os anos 90, com o S2. Seu lançamento deu à Audi um exemplar para brigar com a variação cupê do BMW Série 3 e com o Mercedes-Benz Classe E Coupé, que chega ao Brasil em outubro. E para o mercado nacional, a Audi tratou de marcar posição. Tanto que só importa para cá a versão mais forte do A5.
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    O A5 briga com a variação cupê do BMW Série 3 e com o Mercedes-Benz Classe E Coupé

Este A5 parte dos R$ 254.500. Não por acaso, fica justamente entre os R$ 234 mil do BMW 325 Ci e os R$ 280 mil do Mercedes E350 Coupé. O motor do cupê médio é um 3.2 litros com seis cilindros em "V", 24 válvulas, injeção direta e comando variável de abertura de válvulas na admissão. São 269 cv de potência a 6.500 rpm e torque máximo de 30,7 kgfm disponível desde os 3 mil giros até as 5 mil rotações. Em alumínio, ele trabalha em conjunto com a transmissão Multitronic, de oito velocidades, com opção de mudanças através de borboletas atrás do volante. Com isso, o propulsor também se mostra intermediário em relação aos oponentes: é bem mais potente que os 218 cv do 325Ci e próximo ao do E Coupé, que oferece 272 cv.

Na Europa, também existem os blocos 1.8 turbo de 170 cv, 2.0 turbo de 180 cv e 211 cv, além de três variações turbodiesel. Há ainda a versão "preparada" S5, com tração integral quattro e motor 4.2 V8 a gasolina com injeção direta e 354 cv.

FORMA E CONTEÚDO
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A lista de itens de série do cupê que vem ao Brasil é recheada. Na parte de segurança, controles de estabilidade e de tração, seis airbags, freios com ABS, EBD e assistente de emergência, faróis de xênon autodirecionais, espelhos eletrocrômicos e sensores de obstáculos dianteiros e traseiros com grafismos. Além dessas "firulas", lá estão os previsíveis ar automático com dual zone e sensor de raios solares, direção hidráulica, trio, bancos com ajustes elétricos, retrovisores com desembaçadores e rebatíveis eletricamente, entre outros.

O modelo também vem com chave capaz de armazenar dados do computador de bordo, freio de estacionamento elétrico e o Audi Music Interface, um sistema de som com rádio/CD/MP3, disqueteira para seis CDs, entrada para cartão de memória SD e conexão Bluetooth com informações dispostas em um display no painel.

A suspensão independente -- na frente em alumínio com cinco braços e atrás com braços sobrepostos em alumínio -- pode agregar como opcional o Audi Drive Select, sistema que adapta a direção e os amortecedores ao tipo de condução: automática, Comfort (mais macia e elevada) e Dynamic (rebaixada e mais firme).

As tecnologias mais "esnobes", contudo, estão concentradas na lista de opcionais. Como o controle de cruzeiro adaptativo, que mantém uma distância programada em segundos para um veículo à frente (não presente no veículo do ensaio fotográfico), sensor de ponto-cego com avisos sonoros, som premium Bang&Olufsen e rodas aro 18 ou 19, além do pacote S-line, com spoilers laterais, para-choques com difusor, grade frontal esportiva e outros aparatos estéticos. Só que no visual o A5 já dá conta do recado. A começar pela frente com faróis geométricos e filetes de LEDs que, quando acesos, conferem agressividade ao modelo.
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    São 4,62 m de comprimento, 1,85 m de largura, 2,75 m de entre-eixos e só 1,37 m de altura

A robustez fica por conta dos vincos no capô inclinado, pela generosa grade em forma de "U" e pelas encorpadas caixas de rodas, que "alargam" o cupê. Nas laterais, um sobressalto na parte inferior da carroceria e um vinco na altura da maçaneta das portas conferem um visual harmonioso com o caimento da terceira coluna e a linha de cintura em cunha típica dos cupês. Na traseira, corte da tampa do porta-malas em arco, lanternas trapezoidais, duplo escapamento e para-choque bojudo.

FICHA TÉCNICA

Audi A5 3.2 V6 FSI Quattro
Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 3.197 cm³, com seis cilindros em "V", 24 válvulas, duplo comando de válvulas variável nos cabeçotes, sistema variável de abertura e fechamento das válvulas de admissão. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Automática sequencial do tipo continuamente variável, com oito marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência: 269 cv a 6.500 rpm.
Torque: 33,7 kgfm entre 3 mil rpm e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 84,5 mm x 92,8 mm. Taxa de compressão: 12,5:1.
Suspensão: Dianteira independente com cinco braços em alumínio, subchassi e barra estabilizadora traseira independente do tipo trapezoidal, com braços articulados sobrepostos em alumínio, subchassi e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. Oferece ABS, EBD e assistente de emergência.
Carroceria: Cupê em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 4,62 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,37 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.495 kg em ordem de marcha.
Porta-malas: 455 litros.
Tanque de combustível: 65 litros.
IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O Audi A5 é um daqueles carros para ver e ser visto. Afinal, o cupê médio jamais passa despercebido por onde passa, graças ao seu design arrojado e instigante. E, equipado com motor V6, também corresponde quando se requer desempenho. Com 269 cv e 33,7 kgfm, o motor trabalha de forma cheia na maior parte do tempo. Acelerações vigorosas e retomadas convincentes são uma constante no modelo.

A boa performance do A5 pode ser comprovada em trechos de serra. Na subida, o torque disponível já aos 3 mil giros e o câmbio automático de oito velocidades, bem sincronizado, não deixa o cupê ficar indeciso entre uma curva e outra. As respostas ao pedal do acelerador são quase imediatas e não há qualquer delay entre uma marcha e outra -- afinal, trata-se de uma transmissão automática sequencial do tipo continuamente variável. Na hora de descer, a diversão fica por conta das borboletas atrás do volante para fazer as mudanças sequenciais e ter uma maior interação com o carro.

Ainda na descida, é possível conferir o bom comportamento dinâmico do modelo. O A5 não faz menção de desgarrar e mesmo ao entrar muito agressivo em uma curva é possível perceber os controles eletrônicos de estabilidade e de tração "segurando" o carro. Nas retas em estradas planas, o ideal é colocar o opcional Audi Drive Select na posição "Dynamic". A direção e a suspensão ficam mais firmes, privilegiando a condução esportiva. O mais impressionante é que não há sinais de flutuação, comprovando mais uma vez o insano equilíbrio do veículo.

Mas se nas estradas bem pavimentadas o A5 sobressai, no asfalto esburacado dos grandes centros a suspensão mais enrijecida se faz notar. Mesmo rodando no modo "Comfort", a suspensão não filtra bem as irregularidades e o cupê "bate" bastante. O conforto também segue o normal de um cupê e entrar no carro exige um certo contorcionismo, principalmente para quem vai atrás. Só na frente há bom espaço para pernas, enquanto o vão para cabeças é limitado para todos os ocupantes. O consumo também não é dos melhores: o modelo avaliado anotou a média de 5,6 km/l com uso 2/3 urbano e o restante rodoviário. Ou seja, o A5 é mesmo um carro de rico. (por Fernando Miragaya)

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