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01/06/2009 - 10h22

GM pede concordata em NY; venda da Chrysler é aprovada

Por Kevin Krolicki e John Crawley

DETROIT/WASHINGTON (Reuters) - A General Motors pediu proteção judicial contra falência nesta segunda-feira, empurrando a montadora centenária, que já foi considerada como símbolo da força e dinamismo econômico norte-americano, para uma nova e incerta era de controle estatal.

O pedido de proteção contra falência é o terceiro maior da história dos Estados Unidos e o maior já feito pela indústria manufatureira do país.

Em termos dos ativos de US$ 82 bilhões listados pela companhia até o final de março, a concordata da GM só fica atrás dos colapsos do banco de investimento Lehman Brothers e da companhia de telecomunicações WorldCom.

A decisão de forçar a GM em direção a um rápido processo de concordata, e fornecer US$ 30 bilhões em fundos adicionais dos contribuintes para reestruturar a montadora, é uma aposta grande e arriscada do governo de Barack Obama.

Mas em um sinal de progresso no esforço do governo, um juiz de falências aprovou a venda de praticamente todos os ativos da Chrysler para um grupo liderado pela italiana Fiat.

A recuperação judicial da Chrysler, também financiada pelo Tesouro norte-americano, era vista como um teste para uma reorganização da GM, que é muito maior e complexa que a da rival.

O plano da GM prevê um rápido processo de venda que permitirá que uma GM muito menor saia da recuperação judicial dentro de 60 a 90 dias.

"Agora a parte difícil começa , que é tornar a GM e a Chrysler competitivas. Se eles não fizerem isso, então teremos de fazer tudo isso de novo em alguns anos", disse Christopher Richter, analista do setor automotivo da CLSA Asia-Pacific Markets, em Tóquio.

"A implicação imediata é que as companhias ficarão menores e a fatia de mercado estará disponível para ser tomada, o que significa que concorrentes como Toyota, Honda, Nissan e Hyundai ganharão participação."

Procurada, a GM no Brasil informou por sua assessoria de imprensa que o pedido de proteção judicial da matriz não afeta as operações no país. O presidente da filial brasileira, Jaime Ardila, concederá entrevista à imprensa na terça-feira para "comentar o estado dos negócios da empresa no país".

LINHA VITAL

Desde o começo do ano, a GM tem sido mantida por fundos do governo dos Estados Unidos, conforme a força tarefa apontada pela Casa Branca avaliava planos de reestruturação envolvendo US$ 50 bilhões em financiamento federal.

Assumindo uma fatia de 60% na GM reorganizada, o governo de Obama está apostando que a montadora poderá competir com rivais como a Toyota, após sua dívida ter sido reduzida pela metade e os custos trabalhistas terem sido cortados em um novo contrato aceito pela central sindical United Auto Workers.

Os governos do Canadá e da província de Ontário decidiram fornecer outros US$ 9,5 bilhões à GM em uma adição tardia aos planos de concordata.

A montadora planeja fechar 11 fábricas nos Estados Unidos e desativar outras três unidades. A GM ainda não forneceu uma meta atualizada sobre a redução dos postos de trabalho, mas pretende cortar 21 mil vagas entre os 54 mil trabalhadores sindicalizados pela UAW que emprega no país.

A UAW terá uma participação de 17,5% na "nova GM". O governo canadense, por sua vez, receberá uma fatia de 12%, enquanto os detentores de bônus da GM terão 10%.

INVESTIDORES RELUTANTES

Autoridades envolvidas nos planos afirmaram que a Casa Branca é um "investidor relutante" na GM, mas tem que evitar uma liquidação que, segundo analistas, custaria dezenas de milhares de empregos em um momento no qual a economia dos EUA está imersa em recessão.

A montadora sozinha emprega 92 mil pessoas nos Estados Unidos e é indiretamente responsável por 500 mil aposentados.

"Nós queremos uma saída rápida e limpa (da concordata) assim que as condições permitirem", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, a estudantes da Universidade de Pequim. "Nós estamos muito otimistas de que essas companhias deixarão a concordata sem mais assistência do governo."

O presidente Barack Obama deve discursar brevemente sobre a indústria automotiva às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira. Mais cedo, ele afirmou que a Chrysler se fortalecerá após a aprovação da venda de seus ativos para o grupo de investidores liderado pela Fiat.

Autoridades dos EUA acrescentaram que não há planos de fornecer nenhum novo financiamento à GM e insistiram que todas as três montadoras de Detroit podem sobreviver. A Ford Motor nao buscou ajuda emergencial junto a Washington.

No caso da GM, a meta de reestruturação é permitir que a montadora retorne à lucratividade caso as vendas no setor automotivo nacional se recuperem mesmo que levemente, para quase 10 milhões de unidades anualmente.

Até agora, para parar de perder dinheiro, a GM conta que a indústria norte-americana alcançará a marca de 16 milhões de veículos vista pela última vez em 2007, afirmaram autoridades.

Mesmo que a GM e a Chrysler saiam rapidamente da concordata, a força tarefa permanecerá em atividade.

Fundada em 1908, a GM chegou a dominar o setor automotivo global e dos Estados Unidos durante a administração do presidente-executivo Alfred Sloan. Até meados de 1950, no auge do seu sucesso, a GM tinha cerca de 514 mil empregados e respondia por cerca de metade da produção de carros dos Estados Unidos.

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