O Mustang reinaugurou, em 2005, o glamour dos "muscles cars" norte-americanos. Foi o sucesso deste Ford que obrigou Chevrolet e Chrysler a revisitarem antigas propostas, como Camaro e Challenger, respectivamente. Desde que foi lançado, por volta dos anos 60, o Mustang se tornou sinônimo de desempenho esportivo a preços acessíveis. As coisas certamente mudaram ao longo das últimas décadas e um verdadeiro esportivo, hoje, é cada vez mais caro -- no México, este Mustang custa o equivalente a R$ 60 mil. De qualquer maneira, o precursor dos "pony cars" continua a ser um parâmetro para a Ford.
Mas, "a César o que é de César": não há história e prestígio como o do Mustang. A versão 2010 foi remodelada, mas preserva os atributos que permitiram o veículo ser um sucesso de vendas. A dianteira está mais curvilínea e ostenta um capô mais pronunciado. Foram incorporadas novas lanternas com leds e as setas agora estão localizadas ao lado dos faróis.
Como poucos 2+2 no mercado, o Mustang oferece bastante conforto para passageiros da frente, com bancos amplos, bom espaço nas laterais e várias regulagens -- que para o condutor são elétricas. Porém, na parte traseira, os passageiros têm a sensação de desconforto e, para um adulto de estatura média, é um lugar complicado para se passar um longo tempo. De qualquer maneira, por dentro, o "Ford Pônei" tem materiais de melhor qualidade que as versões anteriores e diversas partes são revestidas em couro, além de uma boa ergonomia. Uma grande ferramenta é o sistema Sync -- desenvolvido pela montadora em conjunto com a Microsoft --, que controla o áudio e tem a interface com iPods e, via Bluetooth, com telefones celulares. Existem também outros detalhes que chamam a atenção, como a opção de escolha da cor de iluminação do painel de instrumentos, variando de azul, verde, roxo, laranja ou vermelho -- só para mencionar alguns. A Ford diz que são 125 tons diferentes de iluminação disponíveis.
FICHA TÉCNICA
| Ford Mustang 4.6 V8 2010 |
| Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 4.606 cm³, oito cilindros em "V", três válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e variação de fase na abertura de válvulas. Injeção eletrônica de combustível multiponto sequencial. Acelerador eletrônico. |
| Transmissão: Automática com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Oferece controle de tração. |
| Potência: 320 cv a 6 mil rpm. |
| Torque: 44,9 kgfm a 4.250 rpm. |
| Diâmetro e curso: 90,2 mm x 90 mm. Taxa de compressão: 9,8:1. |
| Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços inferiores triangulares, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira dependente do tipo eixo rígido com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade. |
| Freios: Discos ventilados nas quatro rodas. Oferece de série ABS e EBD. |
| Carroceria: Cupê em monobloco com duas portas e quatro lugares. |
| Dimensões: 4,76 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,38 m de altura e 2,72 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais. |
| Peso: 1.319 kg. |
| Porta-malas: 248 litros. |
| Tanque: 60 litros. |
O Mustang tem um motor de 8 cilindros em "V" com 4,6 litros, que entrega 320 cv de potência a 6 mil giros e 44,9 kgfm de torque máximo aos 4.250 rpm. A transmissão pode ser manual ou automática, em ambos os casos com cinco relações. A suspensão traseira de eixo rígido também depõe contra o conjunto do veículo. Embora potência e torque sejam importantes para carros como o Mustang, equipamentos de segurança também são fundamentais. Nesse sentido, lá estão freios a disco nas quatro rodas, ABS e EBD, controles eletrônicos de tração, de estabilidade e anticapotamento, sensor de monitoramento da pressão de pneus, faróis adaptativos, luzes de freio com intensidade variável e airbags frontais e laterais dianteiros.
O modelo é um desses exemplos onde a funcionalidade está abaixo da estética. Enquanto o espaço do porta-malas tem um bom tamanho -- 248 litros --, as dimensões da tampa são ligeiramente reduzidas, em grande parte pelo corte exigido pela aplicação das lanternas. Um par de malas não muito grandes cabem sem qualquer problema.
PRIMEIRAS IMPRESSÕESO motor V8 do Mustang 2010 tem a mesma potência do Bullit da geração anterior -- uma versão especial desenvolvida em 2007 e inspirada pelo filme homônimo, estrelado por Steve McQueen. O Ford, com seus 320 cv e 44,9 kgfm de torque, é um carro rápido e cumpre o seu papel com uma melodia viciante. Nesse sentido podemos dizer que a Ford conseguiu extrair um som melódico, perfeito. Existem determinados aspectos que favorecem o novo Mustang em algumas situações, mas que o penalizam em outras. A suspensão tem uma definição que poderia ser descrita como robusta, mas ao mesmo tempo é suave o suficiente para filtrar as imperfeições da estrada. A direção também é suave. Em relação a altura do piso, ele também está perfeito para a cidade e não arrasta o fundo em terrenos acidentados.
Tudo acima é positivo ao Mustang, mas quando se tenta extrair toda a esportividade deste carro, isso pode se tornar um problema. Quando se está no limite, a direção fica geralmente leve. Outra imperfeição está na suspensão. O eixo rígido traseiro repassa o que acontece em uma roda à outra, provocando uma reação estranha. Há outros pequenos problemas com a falta de ajuste de profundidade do volante e indicadores de marcha no painel de instrumentos, para a versão automática.
Outro ponto negativo é a transmissão. Na versão automática não é possível manipulá-la sequencialmente, algo importante para obter todos os recursos do motor. Isto não significa que o Mustang 2010 seja ruim, muito pelo contrário. Raramente se vê um veículo tão equilibrado para o uso diário: confortável, com boa visibilidade, não é demasiado duro e também oferece um desempenho digno de esportivo, com valores globais de um "pony car". Um V8 de som e estilo.
(por Rubén Hoyo, da AutoCosmos/México, exclusivo para Auto Press)