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Com aparência robusta e sem dar muita bola para a beleza 'clássica', Peugeot 3008 extrapola o hatch 308 (inédito no Brasil), com o qual divide a plataforma
| ÁLBUM DE FOTOS |
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MAIS IMAGENS DO 3008 |
| A ideia da Peugeot era misturar o conforto de monovolume, a dinâmica de station wagon e a robustez de utilitário esportivo. Mas não se pode ter tudo. Pelo menos, não plenamente. O interior não é tão cheio de conveniências como o de um monovolume, mas tem lá suas astúcias, como o compartimento refrigerado no apoio de braços. Não é tão "no chão" como uma station, mas os recursos eletrônicos e mecânicos de incremento de estabilidade deixam o crossover bastante neutro e controlável. E, finalmente, não tem as capacidades de fora-de-estrada de um utilitário, até pela falta de tração integral. Mas tem o jeito de veículo masculino e transmite uma agradável sensação de solidez. Em movimento, não há como não se surpreender com o moderno propulsor 1.6 16V turbo de 150 cv e torque de 24,5 kgfm já a 1.400 rpm. A impressão, que se mantém em todas as faixas de giros, é que sob o capô há um motor bem maior. Já na arrancada, exibe disposição de sobra para puxar a tonelada e meia do 3008. O bom comportamento dinâmico é acompanhado de perto pela estabilidade, oriunda de recursos eletrônicos, da engenhosa suspensão traseira com o sistema Dynamic Rolling Control e também da boa plataforma do 308 -- que ainda teve a rigidez torcional incrementada em 10%. Para uma utilização mais serena, o 3008 oferece um grande conforto a bordo. Os bancos, bem ergonômicos, garantem uma posição de dirigir bastante ereta -- que não cansa, mesmo em trajetos demorados -- e agradavelmente alta em relação aos carros comuns. Como o teto elevado permite uma utilização mais vertical do habitáculo, sobra espaço para cabeças e pernas, ainda mais quando o banco traseiro é recuado -- ele pode correr sobre trilhos. O piso do porta-malas também é regulável em três alturas. De acordo com a posição do banco traseiro e do piso, ele absorve entre 432 e 512 litros de bagagem. Com o banco traseiro rebatido, fica entre 740 e 1008 litros. Os comandos de vidros e travas são corretamente posicionados no apoio de braços nas portas. E, embora o volante não seja multifuncional, o crossover tem comandos satélites que controlam o som, na tradicional haste que se projeta da coluna de direção. Sensores de luminosidade e de chuva acionam automaticamente faróis e limpadores. Automático também é o acionamento do freio de estacionamento -- tanto no travamento quanto na liberação. No interior, porém, há um excesso de revestimentos em plástico. E, apesar do acabamento bem cuidado, não há requinte. Mas há, no habitáculo, muitos recursos interessantes: ar-condicionado com duas zonas de temperatura, teto solar duplo panorâmico, sistema multimídia com GPS, rádio/CD player e uma representação gráfica do sensor de obstáculos traseiro e dianteiro. Mas o recurso que mais chama a atenção é o HUD (head-up display). O sistema projeta, sobre uma placa de policarbonato, e coloca no campo de visão do motorista, sem que ele desvie o olhar da estrada, um velocímetro digital e monitor de distância para o veículo à frente, representada em décimos de segundo. |
| Desempenho - Impressiona, quando se acelera, saber que o motor do 3008 é um 1,6 litro. O crossover da Peugeot sai com vontade da paralisia e não perde o fôlego em momento algum, seja numa subida de serra, seja na retomada. Além do turbo de alta pressão, o propulsor tem várias tecnologias que elevam a potência e otimizam o consumo, como comando variável nas válvulas de escape e de admissão. O resultado é a boa potência de 150 cv a 5.800 rpm e, principalmente, o torque de 24,5 kgfm a apenas 1.400 rpm. Ou seja: já na arrancada, está na melhor faixa de torque. Segundo a Peugeot, o zero a 100 km/h é feito em 8,9 segundos e a máxima é de 201 km/h. Nota 9 |
| Estabilidade - Além da boa plataforma, os vários sistemas de estabilização tornam o 3008 bastante neutro, tanto em retas quanto em trechos sinuosos. Na verdade, no trajeto do teste foi até difícil alcançar o limite que pusesse os controles eletrônicos em ação. Principalmente por causa do Dynamic Rolling Control, sistema mecânico que equilibra a ação dos amortecedores traseiros e reduz a inclinação da carroceria. Nota 9 |
| Interatividade - O lado minivan do 3008 se expressa abertamente no lado de dentro. A posição alta de dirigir, os comandos amigáveis e os recursos de conforto e conveniência facilitam a vida a bordo. O sistema head-up display projeta numa pequena placa de policarbonato, à frente do quadro de instrumentos, informações como velocidade e distância do veículo à frente -- em décimos de segundo. O bom sistema multimídia, com uma tela de LCD de 7" no centro do painel, concentra informações de GPS, rádio/CD player, computador de bordo e sensor de obstáculos dianteiro e traseiro -- item benvindo, dada a visibilidade traseira ruim. O câmbio manual de seis marchas é macio e preciso, mas tem a manipulação atrapalhada pelo apoio de braços central dianteiro, alto demais. A situação piora ainda mais se uma garrafa é colocada no porta-copos dianteiro, que fica entre o apoio de braço e a alavanca de câmbio. A impressão é a de que o 3008 foi pensado apenas para usar câmbio automático, recurso que sequer está disponível no modelo a gasolina. Nota 8 |
| Consumo - A Peugeot aponta o consumo de 13,5 km/l no uso misto rodoviário/urbano. No trajeto de teste, na maior parte rodoviário, o computador acusou 11,9 km/l. Nota 7 |
| Conforto - Outro ponto em que a faceta monovolume do 3008 fica explícita. A neutralidade, o isolamento acústico e a maciez e ergonomia dos bancos são notáveis. O espaço interno é generoso para pernas, ombros e cabeças. O teto de vidro panorâmico ajuda na sensação de amplitude e o ar-condicionado duplo completa a boa-vida a bordo. Nota 8 |
| Tecnologia - A Peugeot caprichou no embarque de tecnologia no 3008. A plataforma, originária do 307 e reformada para o 308, recebeu evoluções para responder às novas exigências de segurança. Estão presentes áreas de deformação programada, seis airbags, ABS e recursos eletrônicos de controle de estabilidade e tração, além do engenhoso Dynamic Rolling Control no eixo traseiro. O sistema multimídia, com GPS, computador de bordo, controle do som e representação gráfica dos sensores de obstáculos, também é bem completo. Nota 9 |
| Habitabilidade - A altura elevada do 3008 facilita o acesso ao interior. Lá dentro, há poucos porta-trecos. Em compensação, o profundo apoio de braço central esconde um bom compartimento refrigerado, resfriado pelos dutos que levam o ar-condicionado aos bancos traseiros. O porta-malas tem um sistema que permite alterar a altura do piso em três níveis. No intermediário, forma um prático piso plano com os encostos rebatidos do banco traseiro. Nota 9 |
| Acabamento - O 3008 não é um modelo de luxo e nem se propõe a isso. Como um veículo familiar com perfil meio aventureiro, ele prima pela praticidade. Daí a grande quantidade de acabamentos em plástico no interior. Só que isso não empresta muita nobreza ao crossover. No modelo testado, os bancos eram revestidos de um tecido grosso, resistente mas não muito agradável ao toque. Nota 7 |
| Design - Os desenhos da Peugeot são famosos pela ousadia, elegância e modernidade. No caso do 3008, porém, a marca foi atrás de robustez, mas tentando preservar as linhas características da marca. O resultado, embora original, não é dos mais harmoniosos. A grade agigantada, os para-lamas saltados do corpo do carro, os conjuntos óticos em forma de triângulos irregulares e as saias laterais com aparência de "aplainadas" por uma desempenadeira causam estranhamento, embora transmitam solidez -- característica muitas vezes mais valorizada num crossover que a beleza "clássica". Nota 7 |
| Custo/benefício - Apesar dos recursos tecnológicos superiores, os preços de 21.350 a 35.380 euros deixam o 3008 bem no miolo do mercado de crossovers, onde briga com modelos como Honda CR-V, Chevrolet Captiva, Ford Kuga, Renault Koleos e Volkswagen Tiguan. Nota 8 |
| Total - O Peugeot 3008 somou 81 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 8,1 |

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