A Renault quer fazer volume no mercado brasileiro e essa estratégia passava obrigatoriamente pelo Sandero e pelo Logan. Só que ao lançar os dois compactos, a marca francesa jogou o Clio hatch para segundo plano. E para não conflitá-lo com os novos modelos da montadora, a estratégia foi rebaixá-lo. Fabricado desde 1996, o Clio ganhou a nomenclatura Campus e compete agora diretamente com modelos de entrada da Fiat, Ford e Volkswagen -- Mille, Ka e Gol G4, respectivamente. Oferecido em uma única versão de acabamento, o dois volumes tem também opção única de motor com o 1.0 16V flex. Assim, parte de R$ 25.900, na versão duas portas, e R$ 27.310, para a quatro portas.
Apesar do "downgrade", a Renault conseguiu, pelo menos, atuar em um segmento não antes explorado. Os números, no entanto, não surpreendem. Tampouco empolgam. O Clio Campus segue na oitava colocação entre os veículos de entrada mais vendidos. No mês de novembro, 680 unidades foram comercializadas. Enquanto isso, Fiat Mille e Fiat Palio ultrapassaram as 9 mil vendas, e Gol -- juntando a geração nova com a antiga -- beirou as 18 mil unidades.
Mas o modelo da marca francesa, agora fabricado na Argentina, tem suas virtudes. O motor 1.0 16V Flex gera uma potência de 77 cv de potência a 6 mil rpm, abastecido com álcool. É bastante significativo para o segmento onde os propulsores dificilmente ultrapassam os 70 cv. Mas é na relação ao custo/benefício que o hatch compacto se mostra competitivo. De série, é pouco equipado, algo normal em um segmento onde o preço faz a diferença: ar quente, alarme sonoro de luzes acesas, banco traseiro rebatível, acendedor de cigarros, vidros verdes e pára-choque na cor do veículo.
| FICHA TÉCNICA |
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| Renault Clio Campus 1.0 16V Flex |
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| Motor: A álcool e a gasolina, dianteiro, transversal, 999 cm³ , quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Injeção eletrônica de combustível multiponto seqüencial. |
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| Transmissão: Manual, com cinco marchas a frente e uma a ré. Tração dianteira. |
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| Potência: 77 cv a álcool e 76 cv a gasolina a 6.000 rpm. |
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| Torque: 10,2 kgfm a álcool e 10,0 kgfm a gasolina a 4.250 rpm. |
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| Diâmetro e curso: 69,0 mm x 66,8 mm. Taxa de compressão: 10,0:1. |
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Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulo inferior, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora. |
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| Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor; sem ABS. |
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| Carroceria: Hatch compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. 3,81 metros de comprimento, 1,63 metro de largura, 1,41 metro de altura e 2,47 metros de distância entre-eixos. Sem airbag. |
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| Peso: 880 kg em ordem de marcha, com 525 kg de carga útil. |
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| Porta-malas: 255 litros/596 litros com o banco traseiro rebatido. |
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| Tanque: 50 litros. |
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Os pacotes opcionais dão um toque a mais em termos de conforto. A partir de R$ 5 mil, estão disponíveis desembaçador de vidro traseiro, limpador de vidro traseiro, ar condicionado e direção hidráulica. Por R$ 5.800, o pacote mais completo oferece todos esses itens e mais vidros elétricos dianteiros, travas elétricas e alarme anti-furto. Curiosamente, na Europa, a nomenclatura Campus é utilizada para a segunda geração do hatch -- a mesma daqui --, mas lá já existe uma terceira geração.
IMPRESSÕES AO DIRIGIRA proposta do Clio Campus é prática e simples. Literalmente. Trata-se de um carro com preço competitivo, pouco equipado e que não deixa a desejar em termos de dirigibilidade. Quanto à disposição, o motor 1.0 16V se mostra ágil e eficiente, com respostas rápidas às investidas no acelerador. Em termos de potência, os 77 cv se mostram suficientes para um modelo de 880 kg. O zero a 100 km/h foi realizado em 14,5 segundos.
Problemas apenas em relação ao câmbio. O curso da marcha tende a ser longo demais e, além disso, os engantes não são precisos. O escalonamento também deixa a desejar, principalmente em rotações mais baixas. Ao sair da primeira e engatar a segunda, por exemplo, o motor parece perder o fôlego. Nas mudanças a caixa também se mostra bastante barulhenta.
No interior, não há luxos. Existe boa oferta de porta-objetos, e os encaixes das peças são bastante precisos. A ergonomia é prejudicada pelo posicionamento de alguns comandos, como o de acionamento dos vidros elétricos, junto à porta e de difícil acesso para o motorista. O quadro de instrumentos é de fácil leitura. Mas o Campus também tem um mínimo de conforto.
A versão testada, com pacote opcional completo, oferece ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, alarme, entre outros. No consumo, o Clio Campus agradou em sua proposta mais popular. Com álcool, fez a boa média de 9,1 km/l em uso 2/3 na cidade e o restante em estrada.
(por Karina Craveiro)