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Cláudio de Souza/UOL - jan.2008
Sede da General Motors em Detroit (EUA): montadora faz apelo ao Senado
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Atualizada às 2h24Os membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovaram na noite desta quarta-feira (10) um pacote de socorro de cerca de US$ 14 bilhões para duas das maiores montadoras norte-americanas de veículos: General Motors e Chrysler. A medida busca manter as companhias em funcionamento, longe da falência, até março de 2009. A Ford, que vem afirmando estar em condições operacionais e de caixa mais favoráveis que as rivais, ficou fora do pacote, pelo menos por ora.
O texto foi acertado ao longo do dia entre negociadores da maioria democrata no Congresso, favorável ao plano, e a Casa Branca, que resistia ao socorro financeiro -- posição mantida pela maioria dos parlamentares republicanos. Acabou aprovado por 237 votos, contra 170. Somente 32 republicanos votaram pela ajuda.
O projeto prevê a liberação, de forma imediata, de até US$ 14 bilhões em empréstimos para GM e Chrysler, tendo como contrapartida uma série de medidas que cada uma terá de tomar para sanear suas finanças -- entre outras coisas, cortar os elevados salários de seus executivos, bem como os "agrados" multimilionários concedidos a eles em caso de demissão. Dias antes da votação, a GM dos EUA chegou a
divulgar um mea culpa em forma de anúncio na mídia especializada, admitindo ter feito carros de qualidade inferior e propondo-se a alterar sua relação com os consumidores dos EUA -- dos bolsos dos quais, em última análise, sairá o dinheiro da ajuda.
O bom comportamento financeiro das companhias recebedoras do dinheiro deverá ser fiscalizado por um "todo-poderoso" designado pelo governo. Ele terá autonomia para retirar a ajuda e mesmo para decretar a falência das empresas. Outra medida que se assemelha a uma "estatização branca" de GM e Chrysler é o direito de o governo comprar, a um preço pré-estabelecido, ações das empresas em até 20% do valor do socorro.
BRIGA NO SENADOO pacote ainda terá de passar pelo Senado dos EUA, onde suas perspectivas de aprovação não são tão favoráveis, segundo analistas. Lá, os republicanos têm mais chances de atrapalhar a concessão do socorro, ou mesmo de derrubá-lo. A maioria democrata é de apenas um senador, incluindo dois independentes que fecham com as posições do partido. São 50 votos -- mas são necessários 60 (de um total de 100) para aprovar o pacote no Senado.
De acordo com a CNN, o valor de US$ 14 bilhões ficou US$ 1 bilhão abaixo do esperado, e é menos da metade dos US$ 34 bilhões aventados inicialmente como necessários para salvar as montadoras (o valor incluía a Ford). A GM deve usar US$ 10 bilhões até o final de março de 2009 (US$ 4 bilhões em regime de urgência), e a Chrysler, hoje pertencente a um fundo internacional de investimentos, ficaria com os restantes US$ 4 bilhões.
No Brasil, executivos da General Motors e da Ford vêm afirmando que a situação delicada de suas matrizes não vai barrar investimentos locais já definidos. A GM planeja lançar quase 20 novos modelos no Brasil até 2012, e a Ford, seis carros inéditos apenas em 2009. A Chrysler, que controla também as marcas Dodge e Jeep, não tem produção própria no Brasil. Os governos federal e de São Paulo injetaram R$ 8 bilhões (metade cada um) em bancos e financeiras ligados a montadoras, numa tentativa de manter a oferta de crédito ao consumidor para a compra de carros a prazo.
GM AGRADECE E APELAA General Motors dos EUA divulgou uma nota oficial agradecendo a aprovação da ajuda financeira pela Câmara dos Representantes, e pedindo uma rápida tramitação dela no Senado. O texto, na íntegra, diz o seguinte:
Agradecemos à Câmara e sua liderança pelo voto bipartidário para apoiar as montadoras domésticas dos Estados Unidos neste momento tão crítico para a economia da nação. O voto da Câmara nos deixou mais pertos de salvar empregos e criar uma indústria automotiva norte-americana mais competitiva, para manter a vitalidade da economia nacional. Encorajamos o Senado a agir em breve, para que continuemos a toda velocidade na reestruturação e nos planos de tecnologias avançadas que darão forma a uma General Motors mais forte e mais viável.