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14/11/2008 - 21h40

Linea Dualogic se vale de tecnologia para tentar o sucesso entre sedãs médios

da Auto Press
Em seus quase 10 anos no mercado brasileiro, o Fiat Marea jamais chegou a ter vendas expressivas. Depois que ele saiu de linha, para tentar competir de verdade no segmento de sedãs médios, a Fiat buscou uma solução peculiar e caseira. Recorreu à base de um compacto para desenvolver seu novo três volumes e adentrar em um segmento do mercado brasileiro que, segundo a própria marca, movimentou em 2007 aproximadamente R$ 12 bilhões -- cifras tentadoras demais para serem deixadas de lado. Para tal missão, o Linea surgiu baseado sobre a plataforma alongada do Punto. O hatch foi lançado no ano passado para brigar no chamado segmento dos compactos premium, mas estrategicamente foi classificado pela própria Fiat no ranking de vendas da Fenabrave como um hatch médio. Tática similar foi adotada com o Linea, lançado no final de setembro para disputar vendas no nicho dos sedãs médios.

Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Linea é a aposta da Fiat para o segmento dos sedãs médios, mas seu comportamento distoa

Em outubro, primeiro mês completo de vendas, o Linea assinalou 938 unidades comercializadas. O número ainda está distante dos 2.500 carros mensais previstos pela Fiat em seu lançamento. Como comparação, os líderes do segmento de sedãs médios Honda Civic e Toyota Corolla venderam 6.776 e 4.703 unidades, respectivamente, no mesmo período. Motivos para isso?

É na trena que se constata as reais dimensões do Linea. Em relação ao Punto, o sedã esticou em 53 cm no comprimento -- de 4,03 m para 4,56 m. O aumento de entre-eixos foi de apenas 9 cm -- de 2,51 m para 2,60 m ­--, enquanto que em largura externa foram 5 cm -- de 1,68 m para 1,73 m. O balanço traseiro -- distância entre o eixo e a extremidade da carroceria -- esticou bastante, o que colabora para a percepção externa de um carro médio. Tal percepção, porém, não se converte em espaço para os passageiros.

QUERENDO SER MÉDIO
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
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Por dentro, a largura na dianteira de uma porta a outra, com o acabamento das portas incluído, é exatamente a mesma: 1,36 metro -- largura igual também à do sedã compacto Siena. Já no banco traseiro, o Linea é apenas 4 cm mais espaçoso: 1,35 m contra 1,31 m do Punto. Não por acaso, vários elementos do Linea, como portas dianteiras, quadro de instrumentos, retrovisores e pára-brisa, são os mesmos do Punto. O porta-malas, porém, foi valorizado e deixa o Linea bem competitivo em relação aos sedãs médios -- é capaz de alojar 500 litros (Civic tem modestos 340 l e Corolla, 470 l) .

Como carro médio que se propõe ser, o Linea também teve de adotar um motor mais potente. O propulsor 1.9 16V desenvolve até 132 cv com álcool (130 cv com gasolina), a 5.750 rpm . O torque máximo de 18,1 e 18,6 kgfm (gasolina e álcool, respectivamente) é alcançado a 4.500 rpm. O motor possui duas opções de câmbio: o manual e o automatizado Dualogic, utilizado na versão avaliada. O Dualogic é semelhante a um câmbio manual, do qual se difere pelo aclopamento automático da embreagem e pela mudança hidráulica das marchas. De acordo com projeções da Fiat, o Linea sem pedal de embreagem deve responder por 60% das vendas totais.

ACELERADAS
- A versão Absolute 1.9 16V com câmbio Dualogic de série começa em R$ 68.640. O Linea top de linha é a versão T-Jet, que parte de R$ 78.900, equipada com motor 1.4 16V Turbo -- apenas a gasolina --, capaz de gerar 152 cv a 5.500 rpm e 21,1 kgfm de torque a partir de 2.250 rpm (confira aqui as impressões de UOL Carros sobre o T-Jet).
- O Linea foi projetado pelo Centro de Estilo da Fiat na Itália em colaboração com o fabricante turco Tofas, parceiro da montadora. O seu mercado de lançamento foi a Turquia.
- A capacidade volumétrica exata do motor 1.9 16V é de 1.838 cm³, mas a Fiat preferiu arredondar a litragem para cima.
- Na Europa Ocidental, o modelo é vendido apenas na Espanha, Alemanha e Portugal. Os seus principais mercados são o Leste Europeu, o Mediterrâneo e o Oriente Médio.
- Além das sólidas branco e preto, o Linea dispõe de oito opções de cores metálicas: azul, bege, prata, preto, vermelho, além de três tons
de cinza.
- Além dos três anos de garantia, cada comprador do Linea será inscrito no Clube L'Unico, que oferece um call center exclusivo, além de serviços como busca e entrega do veículo para revisões.
APOSTA NA TECNOLOGIA
Além de um design arrojado e "esticado", que colabora com sua imagem de sedã médio, o grande apelo do Linea é a eletrônica embarcada, sublinhada em suas propagandas. Opcional na versão básica e de série na Absolute e T-Jet, o sistema Blue&Me, desenvolvido pela Microsoft, permite o acionamento de funções do sistema de som e do celular -- discagem, leitura de mensagens e viva-voz -- por comando de voz ou teclas no volante. E conta com a vanguarda de ser o primeiro modelo nacional com GPS integrado ao painel, em vez de aparelhos com ventosas nos vidros.

Ao Blue&Me pode ser agregado um navegador - os dois saem por R$ 1.950 --, cujas rotas são armazenadas em um pendrive de 2 gigabytes, conectado a uma entrada USB no porta-luvas. Só que o GPS do Linea não exibe o mapa do percurso, mas uma indicação por setas do rumo a ser seguido no visor entre os instrumentos. A orientação é repetida por uma voz feminina, que diz avisos como "vire à direita" ou "daqui a cem metros, virar à esquerda".

Dentre os principais itens de série, se destacam o ar-condicionado, duplo airbag, freios com ABS e EBD, computador de bordo, controle de cruzeiro, direção hidráulica, rádio/CD/MP3 e volante multifuncional regulável em altura e profundidade. Desta forma, o Linea 1.9 16V Dualogic parte dos R$ 63.900 -- R$ 3 mil a mais que a versão de entrada com câmbio manual, que custa R$ 60.900.

Como opcionais, o sedã oferece ar digital automático, rodas aro 16 e sensor de estacionamento traseiro, além de bancos em couro, Blue&Me/Nav e sensores de luminosidade e chuva. Com isso, o modelo chega a R$ 72.208, como na configuração avaliada. Se receber ainda o kit de segurança, que inclui airbags laterais e de cortina e encostos de cabeça dianteiro ativos, o Linea alcança R$ 74.830. Preço próximo aos sedãs médios do mercado com transmissão automática.

  • Leia a avaliação das versões Absolute e T-Jet

    FICHA TÉCNICA
    Fiat Linea 1.9 16V Dualogic
    Motor: A gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.838 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto seqüencial e acelerador eletrônico.
    Transmissão: Câmbio manual automatizado seqüencial de cinco marchas. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
    Potência: 130 cv com gasolina e 132 cv com álcool a 5.750 rpm.
    Torque: 18,1 kgfm com gasolina
    e 18,6 kgfm com álcool a
    4.500 rpm.
    Diâmetro e curso: 86,4 mm x 78,4 mm.
    Taxa de compressão: 11,5:1.
    Suspensão:
    Dianteira: independente do tipo McPherson, com braços oscilantes fixados ao subchassi, com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos.
    Traseira: semi-independente, com travessa de torção com seção aberta, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
    Freios: Discos ventilados na frente a sólidos atrás. Oferece ABS e EBD.
    Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,56 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,50 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal de série e airbags laterais e do tipo cortina, além de encostos de cabeça ativos, como opcionais.
    Peso: 1.320 kg em ordem de marcha, com 400 kg de carga útil.
    Porta-malas: 500 litros/870 litros rebatido.
    Tanque: 60 litros.
    IMPRESSÕES AO DIRIGIR
    O design do Linea promete desempenho. Esta veia mais temperamental é sentida em elementos como a calibragem da suspensão mais firme e o ronco do motor. A 100 km/h, o giro do propulsor fica na casa dos 3 mil rpm, um regime confortável acusticamente. Mas a qualquer investida mais profunda sobre o acelerador, o som grave invade o habitáculo. Isso pode agradar os que gostam de velocidade -- ou ao menos da sensação de desempenho --, mas vai contra quem normalmente espera encontrar conforto acústico.

    O câmbio automatizado Dualogic possui controles eletrônicos de acionamento da embreagem e de mudanças. Mas ao contrário do Dualogic que equipa o Stilo, no Linea o sistema não possui borboletas atrás do volante. As passagens podem ser feitas manualmente, mesmo no modo automático. Basta dar toques para trás para marchas mais altas e para frente em reduções. Deslocando-se a alavanca para a esquerda, o câmbio entra no modo manual. Nesse modo as marchas não sobem automaticamente, um recurso útil quando a retenção de uma velocidade é desejada, como em curvas ou ultrapassagens. No modo automático, de zero a 100 km/h são gastos 11,4 segundos.

    O funcionamento da caixa agrada mais em ritmos rápidos, no que colabora a função "sport". Já nos congestionamentos, a desenvoltura não se repete, pois o câmbio demonstra um "delay" nas mudanças e dá alguns trancos. Para se passar a alavanca do neutro para a ré, ou para a primeira marcha, o sistema exige que se pressione o freio. Caso contrário, uma sineta de alarme insistente e um tanto irritante -- junto ao aviso de "manobra não permitida" em laranja, no display do quadro de instrumentos -- alertará o motorista. O mesmo aviso adverte sobre qualquer mudança de marcha fora de hora.

    Se a relação com o câmbio pode causar algum estranhamento, o comportamento dinâmico do Linea transmite confiança. Os bancos apoiam bem o corpo do motorista em curvas e, junto com o volante de excelente pega, permite encontrar facilmente a melhor posição de dirigir. O modelo testado, equipado com o pacote opcional Essence, trazia rodas aro 16 com pneus 205/55, o que assegurou ao carro uma dose extra de estabilidade. Mesmo em curvas mais fechadas, ou realizadas em velocidades elevadas, não demonstrou grande tendência a desgarrar de frente ou de traseira. As frenagens também são estáveis e controladas, amparadas pelos freios com ABS e EBD de série.

    Embora as medidas do habitáculo não proporcionem um espaço interno muito vasto, o pacote de equipamentos tenta compensar no quesito comodidade. Como o sistema Blue&Me, opcional, que pode agregar o navegador GPS. O sistema pode ser acionado por meio de reconhecimento vocal ou por teclas no volante. Mas seu funcionamento é pouco intuitivo, o que compromete a efetiva interatividade do motorista com o Linea.
    por Julio Cabral

    DE ZERO A 100 PONTOS, O FIAT LINEA 1.9 16V DUALOGIC
    Desempenho - O motor 1.9 16V Flex empolga mais pela sonoridade do que pelos números reais. O zero a 100 km/h foi cumprido em 11,4 segundos, com velocidade máxima de 183 km/h. O câmbio Dualogic não prima pela suavidade nem rapidez das mudanças - principalmente em baixas velocidades -, no que perde para caixas automáticas convencionais, mas está bem escalonado. Em retomadas, o câmbio chega a reduzir duas marchas como reação a uma acelerada mais profunda. De 60 km/h a 100 km/h em "drive" foram necessários 7,3 s. Nota 7.
    Estabilidade - O carro mantém-se firme em retas e curvas, sem torcer a carroceria em demasia nem alargar a trajetória desejada. Não tem tendência pronunciada a desgarrar de frente nem de traseira. A direção é bem calibrada, com o peso correto, auxiliada pelo volante de boa pegada. Os freios a disco na quatro rodas com ABS e EBD são eficientes e progressivos, o que permite frenagens bruscas controladas. Nota 8.
    Interatividade - A visibilidade interna é boa, auxiliada pelas janelas posicionadas junto às colunas e pelos retrovisores bem dimensionados. A manobrabilidade é assistida pelo sensor de estacionamento traseiro, opcional. O banco do motorista possui ajuste de altura e tem bom apoio lateral, que acomoda bem o condutor e ajuda na tarefa de conduzir. Deveria haver um botão de destravamento das portas no console, em vez de apenas nas maçanetas. Não se pode dizer que o sistema Blue&Me com navegador, também opcional, seja intuitivo. É imprescindível uma meticulosa leitura no manual para desvendar o seu funcionamento, que é complexo. Para inserir o nome de uma rua, é preciso acionar o botão diversas vezes para chegar à letra desejada. Já o computador de bordo reúne as funções do sistema My Car, que permite personalizar funções do carro. Nota 7.
    Consumo - Ao longo da avaliação, realizada 2/3 em trânsito urbano e 1/3 em vias expressas e rodovias, o modelo obteve média de 6,7 km/l com álcool. Nota 6.
    Conforto - A suspensão tem ajuste firme, que repassa prontamente as imperfeições do piso, como junções ou ondulações no asfalto. O espaço para cabeça e pernas paras os passageiros dianteiros é bom. A limitada largura do habitáculo é denunciada por detalhes, como o estreito apoio de braço entre os bancos dianteiros, que só pode ser utilizado por um dos ocupantes. O banco traseiro é bastante limitado. Pessoas com mais de 1,75 m sentadas junto às janelas tendem a raspar a cabeça no teto. O espaço para pernas também não é muito generoso e só dois adultos de estatura mediana e uma criança viajam bem. O som metálico do motor invade o habitáculo toda vez que se pisa vigorosamente no pedal direito. Nota 6.
    Tecnologia - Derivado de uma plataforma compacta, o modelo fica devendo em relação à suspensão -- independente apenas na dianteira -- e aos controles de tração ou de estabilidade, indisponíveis mesmo como opcionais. O motor 1.9 16V possui bloco e cabeçote em ferro fundido. O câmbio Dualogic, com gerenciamento eletrônico, é moderno, embora sua eficiência dependa bastante de prática do motorista. De série, estão disponíveis equipamentos como airbag de duplo estágio, computador de bordo, volante multifuncional com comandos do som, rádio CD/MP3, chave do tipo canivete e alerta de limite de velocidade. Nota 7.
    Habitabilidade - O espaço do porta-malas, com 500 litros, é generoso, mas a tampa não possui uma maçaneta definida e a sua entrada é muito alta, o que dificulta o acondicionamento da bagagem. As portas têm um bom ângulo de abertura e contam com porta-objetos. Os bancos dianteiros abrigam porta-revistas nas costas, além de bolsos em suas laterais. Os cintos de segurança são do tipo retrátil de três pontas para todos os passageiros. Sente-se falta de porta-trecos no painel e de um porta-luvas com mais espaço. Nota 6.
    Acabamento - O aspecto geral é harmônico. Os plásticos utilizados possuem aspecto texturizado, mas são rígidos ao tato. Nesse segmento, se espera algumas seções macias. A tampa do porta-luvas apresenta rebarbas e o metal da moldura das portas é visível do interior. As alças para os passageiros não retornam com a devida suavidade quando soltas. Nota 7.
    Design - O Linea exibe linhas que se projetam para a frente, o que empresta arrojo ao modelo. O estilo interno guarda muita semelhança com o Punto. No painel, diferem apenas o console superior e o quadro de instrumentos, que recebeu uma grafia mais estilizada, porém de pior leitura. Nota 8.
    Custo/benefício - Os seus concorrentes diretos custam mais ou menos o mesmo que o sedã da Fiat (R$ 63.900), embora nem todos possuam um pacote de equipamentos de série equivalente. O Honda Civic LXS parte de R$ 59.990 (preço promocional), enquanto o Toyota Corolla XLi 1.8 custa R$ 61.975. Já o Chevrolet Vectra Elegance 2.0 8V parte de R$ 64.449, enquanto o C4 Pallas GLX Flex (disponível temporariamente apenas na versão automática) está em promoção por R$ 64.490 e o Renault Mégane Dynamique 2.0 parte dos R$ 61.490. Nota 6.
    Total - O Fiat Linea 1.9 16V Dualogic somou 68 pontos de 100 possíveis. NOTA FINAL: 6,8.



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