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10/11/2008 - 15h08

Mais sofisticada, chave de automóvel ganha estilo moderno e recursos inteligentes

Da Auto Press
Foi-se o tempo em que a chave do carro quase se confundia com a de casa. Hoje elas são glamourosas e parecem feitas para chamar a atenção. Ostentam sofisticação nos desenhos, nos vários botões de comandos e até mesmo nos materiais. Quase todas têm formato anatômico e são feitas de plástico rígido e resistente, com acabamento em borracha ou metal e texturas agradáveis aos olhos e ao toque. Só que design não é tudo -- nas chaves atuais, conta muito o nível de recursos.

NÃO BASTA DAR A PARTIDA
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Volkswagen compartilha chave-canivete do Polo para os novos Gol e Voyage (acima), enquanto Volvo tem chave com LEDs e monitoramento para S80 e XC60 (abaixo)
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E é no segmento dos carros de luxo que desfilam as mais avançadas tecnologias de chaves da indústria automobilística mundial. Há modelos em que já é possível dar a partida no motor e acionar o ar-condicionado pela chave, à distância, para refrescar ou aquecer previamente o interior do veículo. Mas as possibilidades vão muito além. A partir da unidade de comando eletrônico ECU, pode-se configurar as posições dos bancos, do volante e dos espelhos retrovisores, ajustar a temperatura e a intensidade do ar-condicionado e até escolher a estação de rádio favorita. Feitos todos os ajustes, o chip interno da chave guarda as informações e, toda vez que o motorista se aproxima, as configurações são processadas. "É o que chamamos de personalização. O veículo se prepara sozinho para receber um determinado usuário a partir de uma simples leitura da chave", explica Plínio Cabral Jr., diretor de engenharia elétrica da General Motors.

Atualmente, o sedã grande Chevrolet Omega e o recém-lançado utilitário-esportivo Chevrolet Captiva possuem esta tecnologia, com um detalhe: além de "reconhecer" seu dono, os veículos também possuem o sistema Keyless (sem chave, numa tradução direta), que dispensa o uso da chave para determinadas funções, como abrir e fechar os veículos ou ligar o motor.

CHAVE E BOTÃO
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Renault aposta na mistura cartão e botão Start/Stop na linha Mégane (acima), enquanto novo Focus europeu, que chega ao Brasil, tem ignição sem chave no contato, com botão Ford Power (abaixo)
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Aliás, este é um recurso que tende se popularizar. A versão Ghia, topo de linha do novo Ford Focus, já tem o sistema Keyless e permite ao motorista entrar no carro e acionar o motor sem tirar o controle do bolso, apenas apertando o botão Start/Stop no console. "A chave reflete todo um conceito que levou o cliente a escolher um determinado modelo. Por isso algo tinha de ser diferente", valoriza Marcelo Vaz, styling designer da Ford.

Das soluções mais recentes, no entanto, o sistema PCC (sigla de Personal Car Communicator, ou Comunicador Pessoal do Carro), da Volvo, é um dos mais avançados. Em busca do aumento da segurança nos carros, a montadora sueca criou um software que, uma vez instalado na chave, monitora o veículo em tempo real. "As pessoas que compram nossos modelos valorizam a questão da segurança. E no sistema PCC, esse aspecto fica muito reforçado com o keyless", ressalta Leandro Oliveira, assessor técnico da Volvo América Latina.

Oferecido no sedã grande de luxo S80 e no recém-lançado utilitário médio XC60, o equipamento é uma espécie de centro de controle avançado. Através da chave é possível saber, por meio de leds, se o alarme do veículo foi disparado, se as portas estão efetivamente trancadas e se há um "invasor" no interior do carro. Sensores de batimento cardíaco fazem a leitura e transmitem a informação diretamente para a chave.

'MY KEY'
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Ford permite que pais monitorem filhos ao volante pela chave no Focus americano
SAIBA MAIS
Diante da realidade brasileira, estas são tecnologias ainda distantes dos carros de entrada, que, assim como os compactos "premium" e alguns modelos médios, têm as chaves limitadas pelo custo de aplicação dessas tecnologias. No geral, modelos como o Ford Ka e o novo Honda Fit trazem comandos de abertura e travamento à distância das portas, abertura da tampa da mala e alarme. "A tendência é que as tecnologias já disponíveis nos carros de luxo desçam para os modelos de entrada, enquanto nos segmentos superiores surjam sistemas ainda mais sofisticados", conclui Juliano Machado, gerente de produto da Peugeot.


ACELERADAS
- A linha de médios Renault Mégane tem como um de seus atrativos a chave do tipo cartão, com botões de abertura e travamento das portas e da tampa da mala. Há um encaixe para a chave na base do console central. O acionamento do motor é feito no botão Start/Stop.
- O Kia Mohave, utilitário esportivo grande apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo e que chega ao mercado em janeiro, é equipado com o sistema que permite a personalização com acionamento na chave.
- A chave do sedã médio de luxo Mercedes-Benz Classe C só tem partes metálicas no acabamento. O encaixe é quadrado, parecido com o de um pendrive.
- O hatch médio de luxo BMW Série 1 tem uma chave do tipo controle com o sistema Keyless. Ao aproximar a chave, as portas do veículo se abrem e os faróis e lanternas se acendem, assim como a luz do interior. Para ligar o motor, é preciso inserí-la num encaixe próximo do volante.
- A Chevrolet S10 tem até hoje a mesma chave do primeiro modelo da pick-up média, de março de 1995. Extremamente simples, a chave tem uma pequena moldura de plástico na base da estrutura metálica, com a sigla GM, de General Motors, em baixo relevo.
Enquanto a popularização não ocorre por aqui, o design faz muita diferença. A Volkswagen, por exemplo, passa a oferecer a chave do tipo canivete da linha Polo na nova geração do Gol e do sedã Voyage. Peugeot e Citroën também adotaram a chave do tipo canivete nos sedãs médios 307 e C4 Pallas, assim como a Fiat fez no Linea, cuja chave ainda permite a abertura remota dos vidros. "Buscamos algo que desse 'status', que fosse fácil de manusear e que, ao mesmo tempo, fosse belo, mas não prejudicasse o conforto", explica Gerson Barone, gerente de design da Volkswagen.

O FUTURO
Na indústria automobilística mundial há vertentes bastante distintas sobre como será o futuro das chaves dos carros. Em comum, todas parecem ter inspiração nos filmes de ficção científica. Algumas montadoras, por exemplo, vêem a aplicação de controles eletrônicos cada vez mais sofisticados, como integração total e permanente de mídias em uma espécie de computador de mão, que acumularia funções de telefonia, navegação por GPS e Internet, jogos, players musicais, entre outros. "A chave vai passar a ser uma espécie de palmtop remoto, com muito mais informação do que temos hoje", vislumbra Plínio Cabral Jr., diretor de engenharia elétrica da GM.

Outras marcas acreditam na aplicação da biometria nos automóveis. A abertura das portas ou o acionamento do motor serão feitos, por exemplo, pelo reconhecimento dos usuários a partir de leitores de globos oculares ou das impressões digitais -- o sedã grande de luxo Audi A8 já tem um leitor de impressão digital. Tudo bem ao estilo do longa-metragem futurista "Minority Report -- A Nova Lei", estrelado pelo astro hollywoodiano Tom Cruise. "Vejo a biometria como o futuro, com a leitura das impressões digitais dos usuários, por exemplo. Devemos ir das chaves diretamente para o sistema biométrico", aposta Juliano Machado, gerente de produto da Peugeot.
(por Diogo de Oliveira)

PERDEU A CHAVE? PREPARE O BOLSO
Saiba o custo de reposição de alguns dos modelos de chaves de carro mais avançadas do mercado nacional
BMW Série 1 - A chave custa R$ 800 e leva de 20 a 30 dias para chegar da Alemanha, já codificada. É preciso levar o veículo e os documentos na concessionária para adquirir uma nova chave.
Chevrolet Omega - Por permitir a personalização, é uma das chaves mais sofisticadas da atualidade. Custa R$ 424.
Fiat Linea - A chave do tipo canivete varia ligeiramente de preço nas concessionárias da montadora. Na média, custa os mesmos R$ 750 pedidos pela chave do hatch Stilo.
Ford Focus Ghia - Por não ter a parte metálica, a chave-controle é uma das mais baratas dentre os modelos dotados do sistema Keyless. Custa R$ 260.
Peugeot 307 - As configurações sedã e perua da linha de médios trazem chaves do tipo canivete, vendidas a um preço elevado. São R$ 234 da chave mais R$ 295 do corte da parte metálica e da codificação, totalizando R$ 529.
Renault Mégane - A linha de médios da marca é a única no mercado brasileiro a oferecer a chave do tipo cartão de série. A chave custa em torno de R$ 450.
Volvo S80 e Volvo XC60 - R$ 1.570, com R$ 1.100 do controle da chave e mais R$ 470 da instalação do software PCC. A compra só é feita mediante apresentação do veículo e documentação.
Volkswagen Gol e Voyage - As moderninhas chaves do tipo canivete herdadas do Polo custam R$ 206, mais R$ 307 do controle. O preço final pela chave é de R$ 513. No Polo a mesma chave custa aproximadamente R$ 750.

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