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17/10/2008 - 12h18

Com nova lei de emissão de gases, adoção de motores flex para motos é discutida em SP

Da Infomoto

Aldo Tizzani/Infomoto

Por R$ 13 mil, a custom Amazonas 300 será primeira moto flex do país

Por R$ 13 mil, a custom Amazonas 300 será primeira moto flex do país

Quando se fala em agentes poluidores, a motocicleta é sempre citada como a vilã da história. O veículo de duas rodas ficou rotulado na mídia por emitir mais monóxido de carbono (CO) que os carros. Mas, muitas vezes, essa comparação é feita de forma equivocada: motos usadas e automóveis "novinhos em folha". A 'confusão', porém, deve acabar em janeiro de 2009, quando entra em vigor o Promot 3 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), nova lei de emissão de gases que visa reduzir drasticamente a poluição causada pelas motocicletas e colocá-las no mesmo patamar dos carros: 2 gramas de CO por km rodado. E com a nova lei vêm também propostas de motos mais econômicas e até com motor flex.

Para discutir a mudança, o "Promot 3 e os Impactos no Setor Duas Rodas" foi um dos temas da edição 2008 do Congresso da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), realizado no dia 8 de outubro, em São Paulo (SP). Para Renato Linke, gerente de Engenharia Automotiva e Certificação da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), o setor de duas rodas respondeu rapidamente às novas metas de emissão de poluentes, mas ainda falta estrutura para controle da produção.

"A próxima fase do Promot será implantar controle diretamente na produção. Porém temos poucos laboratórios para as análises e este é nosso principal gargalo. No Brasil só os grandes fabricantes -- Honda e Yamaha -- têm os equipamentos em Manaus (AM)", explica o gerente da Cetesb.

INVESTIMENTOS
Novos investimentos estão surgindo na área de análise e certificação de novos produtos e boas iniciativas não faltam. A Dafra, por exemplo, está investindo R$ 8 milhões em um dos mais modernos laboratórios de controle de emissão de poluentes do país. A montagem de laboratório próprio não é uma obrigatoriedade para o fabricante, mas permitirá maior velocidade no lançamento de novos modelos. Em 2009, a Delphi também deve fazer investimentos neste sentido.

Além disso, a Cetesb, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), em parceria com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares), estudam a possibilidade de montar um laboratório exclusivo para medições no segmento de duas rodas e, assim, controlar o nível de emissão praticamente na linha de produção.

TECNOLOGIA
Durante o SAE Brasil, Alfredo Guedes Jr., analista da Honda South America, fez uma breve explanação sobre os avanços tecnológicos e as mudanças nos sistemas de emissões dos produtos para atender à nova lei. Mas foi realista e categórico ao afirmar que mesmo dentro da marca são poucos os modelos que já estão de acordo com o Promot 3. "Somente as motos importadas e os modelos 2008/2009", disse.

O maior exemplo é a nova Biz 125, justamente para a linha 2009, primeira moto de baixa cilindrada equipada com injeção eletrônica do Brasil. Porém, como a Honda ainda não apresentou as versões 2008/2009 de vários de seus modelos, fica a expectativa para novidades, principalmente nas linhas como motorização 125 cc (CG Fan), 150 cc (GC Titan e Bros), 250 cc (Twister e Tornado) e 400 cc (NX4 Falcon).

MOTO FLEX
A Delphi e a Bosch, duas gigantes da indústria de componentes para o setor automotivo, também investem em tecnologia para que as motocicletas rodem com dois combustíveis, no caso gasolina e álcool.

No ano passado, a Delphi apresentou o sistema Moto Multi Fuel, que permite que as motos operem com qualquer proporção dos dois combustíveis e ainda reduz a emissão de gases do efeito estufa. Esta tecnologia de injeção eletrônica estará presente na AME Amazonas 300. O modelo custom será a primeira motocicleta bicombustível (flex) do Brasil. Com motor de 300 cm³, que produzirá 22 cv de potência máxima, as vendas devem começar em março com preço de cerca de R$ 13 mil.

Para Orlando Volpato Filho, supervisor de Engenharia da Delphi, as novas tecnologias visam reduzir custos, potencializar o desempenho dos sistemas e permitir maior economia na hora de encher o tanque.

Já a tecnologia Flex Fuel da Bosch, que oferece sistema de injeção eletrônica de combustível para motocicletas desde 1989 na China, também está pronta para entrar no mercado de duas rodas brasileiro. Experiência e know-how a empresa tem. Agora só falta saber qual montadora instalada no país será a primeira a utilizar o sistema. As negociações estão em curso, mas correm em sigilo absoluto.
(por Aldo Tizzani)

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