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12/08/2008 - 17h07

Discreto, Toyota Corolla XEi manual atrai consumidor mais tradicional

Da Auto Press
Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

Corolla faz tudo certinho e fica difícil encontrar defeitos no sedã médio. O maior deles talvez seja o design, conservador, mas que tem seu público fiel
Há um público conservador para sedãs médios. E a Toyota estava exatamente de olho neles quando lançou o Corolla reestilizado. Como resultado, o modelo que vinha de queda nas vendas reergueu-se rapidamente, em abril. De janeiro a março, o sedã manteve a média de 1.837 unidades mensais. De abril para cá, as vendas vêm subindo. A média subiu para 4.079 unidades e só em julho foram 4.788 unidades. Apesar de ainda ser o vice-líder no segmento, já começa a ameaçar o arqui-rival Honda Civic, que mantém a média de 5.272 mensais. De qualquer forma, o Corolla de cara nova conseguiu reunir de volta os consumidores mais tradicionalistas, que estavam espalhados entre outros modelos conservadores.

O tom de moderação, inclusive, é retratado dentro da própria linha. A discreta versão intermediária XEi é a best-seller do sedã médio no mercado. Responde por 50% das vendas do Corolla, enquanto a básica XLi tem 30% e a SE-G, no topo, 20% do mix. O apelo do Corolla XEi está no equilíbrio entre preço e conjunto. A versão de teste trouxe ar-condicionado automático, direção, vidros, travas e espelhos elétricos, rádio/CD/MP3, computador de bordo e volante multifunção com ajuste de altura e profundidade por R$ 67.590 (para preços atualizados desta e das demais versões, consulte a tabela Fipe). Também são de série quatro airbags -- duplos frontais e laterais -- e freios com ABS e EBD.

Outro aspecto interessante no Corolla XEi é o trem de força. Equipado com câmbio manual de cinco marchas, com opção de um automático de quatro relações (avaliado em junho por UOL Carros), o sedã médio é tracionado pelo motor 1.8 VVT-i flex. Dotado de um sistema que controla o tempo de abertura das válvulas, que aumenta a eficiência no enchimento dos cilindros, a unidade de força despeja 136 cv e 132 cv de potência, com álcool e gasolina, a 6 mil rpm e um torque máximo de 17,5/17,3 kgfm a 4.200 rpm, na ordem.

FICHA TÉCNICA
Toyota Corolla XEi 1.8 VVT-i Flex Manual
Motor: A gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.794 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto seqüencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 136 cv com álcool e 132 cv com gasolina a 6 mil rpm.
Torque máximo: 17,5 kgfm com álcool e 17,3 kgfm com gasolina a 4.200 rpm.
Diâmetro e curso: 79 mm X 91,5 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Sedã médio em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,54 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,48 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos. Oferece duplos airbags frontais e laterais dianteiros de série na versão.
Peso: 1.260 kg.
Porta-malas: 470 litros.
Tanque: 60 litros.
O Corolla tem ainda outros dois aspectos significativos. Um é o espaço interno bem servido, com 2,60 metros de entre-eixos e um porta-malas de 470 litros de bagagem -- 40% mais espaço que os 340 litros do líder Civic. O outro é o design renovado. Apesar de manter o estilo, sem grandes ousadias, o Corolla ganhou linhas mais robustas e angulosas, que o deixaram mais atraente.

A mudança demorou a chegar. Com vendas em declínio há quase dois anos, o modelo fabricado desde 2002 em Indaiatuba, interior de São Paulo, ganhou diversos concorrentes novos e renovados no período. Chegaram ao mercado Citroën C4 Pallas, Nissan Sentra, Chevrolet Vectra, Peugeot 307 Sedã, Volkswagen Jetta, Renault Mégane e Honda Civic, fora os rivais do segmento superior, como o Ford Fusion. Todos têm preços competitivos, mas só a Toyota reforça a imagem de montadora conservadora. E é assim que o Corolla atrai e mantém um público bem fiel.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
O Corolla é o típico carro japonês. Faz curvas bem, acelera bem, freia bem, tem comandos bem distribuídos, faz tudo certinho. Atrás do volante, no dia-a-dia, é difícil encontrar defeitos no sedã médio. O maior deles talvez seja o design, principalmente interno. Embora a Toyota tenha remodelado totalmente o Corolla, o painel permaneceu incapaz de surpreender. Já o design mais encorpado e com linhas angulosas deixaram o visual externo bem mais atraente. Faltou uma inovação de estilo, ao contrário do arqui-rival Honda Civic, que ganhou admiradores com seu desenho de apelo esportivo.

O que a Toyota pretendia com o Corolla, no entanto, era resgatar seu público, os fiéis compradores de sedãs médios, sempre muito conservadores. E a montadora obteve êxito, sobretudo por deixar o modelo ainda mais preciso. Com ótima estabilidade em curvas e retas, o Corolla tem boas acelerações e retomadas, além de bom nível de conforto e segurança. A versão testada XEi traz quatro airbags -- duplos frontais e laterais --, freios com ABS e EBD, ar automático, direção elétrica e trio. Um conjunto competitivo, bem ao gosto dos que buscam um sedã maior e confortável.
(por Diogo de Oliveira)

DE ZERO A 100 PONTOS, O TOYOTA COROLLA XEI 1.8 MANUAL
Desempenho - O motor 1.8 VVT-i tem bom rendimento no Corolla. Os 136 cv com álcool levam o sedã médio à máxima de 195 km/h. Já o torque de 17,5 kgfm, despejado aos 4.200 rpm, tem grande parte da força liberada por volta dos 2 mil rpm, produzindo acelerações fortes. O zero a 100 km/h é cumprido em 8,7 segundos. De ruim, só o escalonamento do câmbio, muito curto nas primeiras marchas. Nota 7
Estabilidade - O Corolla tem uma postura bem firme no chão. Mesmo nas curvas mais acentuadas, o sedã torce pouco a carroceria e não ameaça soltar a traseira. Nas curvas em baixa e nas retas, impressiona a suavidade e o equilíbrio, sem sinais de flutuação, mesmo em velocidades elevadas. Nas frenagens, é estável e não embica a dianteira. Nota 8
Interatividade - O Corolla é um carro todo certinho. Não surpreende visualmente, mas é prático. Tem todos os comandos acessíveis. A ergonomia e a boa visibilidade também são elogiáveis. O novo painel, do tipo "blackout", que fica permanentemente aceso, é bem legível. Só o câmbio destoa do conjunto, com engates duros. Nota 7
Consumo - O consumo moderado comprova a eficiência da engenharia japonesa: média de 8,5 km/l com álcool. Nota 7
Conforto - O Corolla não oferece fartura de espaço aos passageiros. No banco traseiro, pernas ficam na medida, sem muita sobra. Mas os bancos, muito macios, são revestidos em tecido que agrada ao tato. O comportamento suave da suspensão também permite passeios tranqüilos. Já o isolamento acústico não conteve tanto os "berros" do motor. Nota 7
Tecnologia - O Corolla é um carro sofisticado. Na parte mecânica, traz o motor 1.8 VVT-i com o sistema de controle do tempo de abertura das válvulas, que aumenta a eficiência da queima do combustível nos cilindros. Entre os itens de segurança, a versão XEi tem airbags duplos frontais e laterais e freios ABS e EBD. E no conforto, estão disponíveis ar digital, direção elétrica, trio, além de rádio/CD/MP3. Por outro lado, a plataforma é a antiga, de 2002, com uma roupa nova. Nota 7
Habitabilidade - O grande atributo do Corolla neste quesito é o porta-malas. O compartimento leva até 470 litros de bagagem, bem mais que os 340 litros da mala do Honda Civic. No geral, os acessos são amplos, há boa iluminação e um número razoável de porta-objetos. Nota 7
Acabamento - A versão intermediária XEi não traz luxos. Mas as peças são bem acabadas, os encaixes são precisos e as texturas agradam aos olhos e ao toque. Nota 8
Design - O novo desenho, com linhas bojudas e afiadas, sem dúvida deixou o Corolla mais atraente e robusto. Mas a Toyota poderia ter sido mais ousada com o sedã médio, sobretudo no interior, muito sóbrio e insosso. Nota 6
Custo/benefício - Com 50% do mix de vendas, a versão intermediária XEi é a mais vendida do Corolla justamente por oferecer uma relação interessante. Traz tudo o que um sedã médio tem de ter por R$ 67.590, preço elevado, mas competitivo diante dos rivais. Nota 7
TOTAL - O Toyota Corolla XEi somou 71 pontos em 100 possíveis. NOTA FINAL: 7,1

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