O Chevrolet Vectra GT foi lançado em setembro de 2007 e, até o final de fevereiro último, teve cerca de 5.300 unidades vendidas em todo o Brasil, segundo dados da associação dos distribuidores. Não é muito, caso se considere a frota e o tamanho do país. Por isso, o modelo ainda atrai olhares por onde passa.
UOL Carros ouviu até um "Olha que Vectra
loco, meu!" enquanto o fotografava num parque perto de Jundiaí (SP).
Por ostentar o apelido GT (padrão mundial para "Gran Touring"), que normalmente designa um carro esportivo, o novo Vectra criou muita expectativa quanto a seu desempenho. Isso, apesar de ele ter como correspondentes europeu e norte-americano o Opel Astra e o Saturn Astra, carros de passeio convencionais, e derivar de um já veterano sedã nacional de "tiozão".
Certamente há razões para a General Motors posicionar o Vectra GT numa espécie de nicho dentro dos hatches médios. Uma delas é enfrentar o Volkswagen Golf e o Fiat Stilo, ambos associados a um certo grau de esportividade (até o Fiat Punto é um inimigo perigoso, devido ao fator novidade). Outra razão é não canibalizar o Astra, que pôde ficar mais barato que seu "primo" recém-chegado. Em busca da verdadeira vocação do Vectra GT,
UOL Carros rodou 1.000 quilômetros com um exemplar de transmissão manual (que vende mais), cujo valor parte de R$ 60.590.
Verdade seja dita: o visual do carro é agressivo. Sua dianteira é idêntica à do sedã, mas recebeu um toque engenhoso: o conjunto óptico foi escurecido, espantando a mansidão da versão três volumes. A traseira, igual à dos modelos lá de fora, parece a de um Peugeot 307 que tenha se armado para uma briga de rua.
| MAIS DO VECTRA GT |
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Fotos: Cláudio de Souza/UOL
 Design é a principal virtude do Vectra GT, com destaque para a traseira |
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 Mas, apesar do apelido GT, que designa carros com performance esportiva, o Vectra é um carro de desempenho convencional |
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OS PREÇOS DO MODELO*
GT básico manual: R$ 60.590 GT completo manual: R$ 62.590 GT completo automático: R$ 66.590 GT-X manual: R$ 69.590 GT-X automático: R$ 73.590
*Pintura sólida, sem frete; valores do site da GM |
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MAIS CARROS NA TABELA FIPE |
Até aí, bola dentro da GM: o design é um ponto alto do Vectra GT. Pena que a paleta de cores do modelo tenha sido resumida ao convencional: no "monte seu carro" do site da marca não há a opção dourado claro do exemplar testado, nem o laranja metálico da época do lançamento (são "cores conceituais").
CertinhoIsso é por fora. Por dentro, o Vectra GT é conservador. O acabamento é correto: tudo se encaixa bem, os materiais são agradáveis ao olhar e ao toque. Mas há inadequações aos dias atuais, como a escassez de porta-objetos. Não há onde alojar um celular de modo conveniente. O único porta-copos, na tampa do porta-luvas, é raso demais.
No exemplar testado, um espaço sobre o rádio era o único local para colocar coisas que devam ficar ao alcance da mão direita do motorista. Mas, como o console do Vectra GT é inclinado para dentro (o que, aliás, dificulta o acesso aos comandos do ar-condicionado e do rádio), o conteúdo do dito espaço saltava longe a cada arrancada ou freada mais forte, ou mesmo em aclives. Um isqueiro foi parar sob o trilho do banco do passageiro, de onde só saiu após muita luta. E uma caneta simplesmente não foi encontrada. Ficou de brinde para a GM.
Mas há méritos no interior do carro e nos equipamentos, alguns deles não disponíveis de série no GT. O ar-condicionado digital, por exemplo, é eficiente e facílimo de usar. O desembaçamento do pára-brisa é comandado por uma tecla específica, e ocorre rapidamente. O sensor de chuva (opcional) funciona ao menor sinal de garoa, ao contrário de carros mais caros testados aqui -- e o retrovisor interno tem sensor de luminosidade para ativar o anti-reflexo.
O painel, embora não disponha de computador de bordo (ausência inexplicável no GT até mesmo como opcional; mas de série no GT-X), é de fácil leitura. A posição de dirigir se beneficia do banco e do volante reguláveis em altura e distância (mas a perna direita de alguns vai encostar no console), e a visibilidade é excelente à frente e para trás. E há também o navegador de GPS, exclusivo do modelo, e que um dia ainda deve funcionar melhor (leia sobre o dispositivo em quadro nesta página).
| GPS ALTERNA ACERTOS E ERROS |
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| O Vectra GT foi o primeiro modelo nacional a oferecer GPS (sigla para Global Positioning System) de série no Brasil, seguido pelo seu irmão sedã. A atualização das informações (novas ruas e mapas, mudanças de direção etc.) é feita semestralmente. |
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| Recente teste da revista Car and Driver analisou modelos de GPS disponíveis no mercado, inclusive o que é usado pelo Vectra GT. Constatou que todos cometem erros -- alguns graves. |
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| Ao deixar a sede da General Motors, na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, UOL Carros programou o GPS para guiá-lo até a sede do portal, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Assim que o carro adentrou a avenida, o aparelho mandou virar à direita e à esquerda. Era rua sem saída. À esquerda havia um muro. |
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| UOL Carros retornou e escolheu seguir pela rua Vergueiro, para atingir a região do Ibirapuera). Mas o GPS sugere que o caminho seja feito pela avenida Tancredo Neves (certamente para pegar a avenida dos Bandeirantes). Ao cruzar a Tancredo pela Vergueiro, o aparelho passou a dar instruções para que o carro voltasse à avenida -- inclusive mandando virar em pelo menos uma contramão. |
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| Ao pegar a rua Santa Cruz, UOL Carros cedeu aos desígnios do GPS, desistindo da rota pela Vergueiro: o aparelho indicou algumas ruas secundárias até levar o Vectra à avenida Ricardo Jafet -- e, em seguida, à Bandeirantes. Ou seja: o GPS sempre vai indicar os caminhos que considera mais curtos ou mais rápidos, aparentemente sem considerar o trânsito. Se você já souber um caminho alternativo, melhor desligar o aparelho. |
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| Noutra ocasião, porém, o aparelho indicou um caminho muito interessante do UOL até a residência do repórter -- um caminho que, em dois anos fazendo esse trajeto, sempre ficou "escondido". E também foi o GPS que tirou UOL Carros de ruas desconhecidas perto de Heliópolis, guiando-o até a GM após perder a saída correta. |
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| Em viagem, usando apenas o mapa de localização (e não o indicador de percurso), o GPS agiu bem até Monte Sião (MG), passando por Itatiba, Morungaba, Amparo, Lindóia e Águas de Lindoia -- todas devidamente mapeadas. A carga durou cerca de 3 horas -- sem ela, o aparelho pode ser ligado no acendedor de cigarros. |
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| No entanto, programado para levar UOL Carros de Monte Sião a Bragança Paulista, o aparelho deu várias ordens de conversão em ruas inexistentes, além de indicar caminhos que aparentemente levavam à direção oposta da rodovia correta. Ao mudar-se o destino para Campinas, o GPS funcionou de modo preciso. |
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 A conclusão: o GPS é um "plus" interessante no Vectra GT, mas não se pode confiar nele cegamente. É quase certo que o serviço vai melhorar no futuro, quando estiver mais difundido (pense nos celulares hoje e há 5 anos). E o fato de o aparelho ser móvel (fixa-se ao vidro com uma armação dotada de ventosa) deixa um ar de "gambiarra" -- mas tem a vantagem de permitir que o GPS seja usado fora do carro, a gosto do freguês, como mostra a foto acima. (por Cláudio de Souza) |
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Quanto ao espaço interno, é bom para quatro pessoas, mas não mais. Se o entre-eixos de 2,61 metros (o carro mede 4,28 metros, comprimento comum nos hatches médios) garante que ninguém passe aperto, um eventual quinto passageiro terá as costas pressionadas contra o apoio de braço embutível.
Com o motor ligadoDos 1.000 km rodados com o Vectra GT, cerca de 600 km foram em rodovias e 400 km em trânsito urbano, quase todos na cidade de São Paulo. As impressões obtidas foram bem distintas.
O motor Flexpower 2.0 de oito válvulas, 121/128 cavalos de potência (gasolina/álcool, a 5.200 rpm) e torque de 18,3/19,6 kgfm (gasolina/álcool, a 2.600 e 2.400 rpm, respectivamente), exatamente o mesmo que equipa todos os Vectra sedã (à exceção do Elite 2.4) e a configuração GT-X, não causa espécie na estrada. Vindo de um sedã destinado a um público mais velho, o propulsor nem poderia mesmo ser particularmente "nervoso". Na estrada, ele leva o carro com eficiência, mas sem empolgação, à velocidade de cruzeiro desejada.
A 100 km/h o conta-giros apontou 2.500 rpm; a 120 km/h, cerca de 3.000 rpm. Verdade que, embalado, o Vectra GT tende a procurar seu limite em velocidades e rotações acima dessas. Então o motorista é convidado, pela lei e pela prudência, a sossegar o pé direito.
A suspensão "gostou" bastante do bom asfalto das estradas percorridas, garantindo conforto e uma impressão geral de controle pleno sobre o carro (mas na buraqueira urbana o Vectra GT dá seus pulinhos, especialmente com os pneus cheios).
Preso ao chãoA estabilidade chama a atenção positivamente. Posto à prova na rodovia SP-360, que liga São Paulo às estâncias hidrominerais próximas a Minas Gerais e é notória pelas seqüências de curvas, o Vectra GT se mostrou totalmente preso ao chão, passando muita confiança. Os freios com sistema antitravamento (ABS) e distribuição eletrônica de frenagem (EBD), quando solicitados com vigor, detiveram o Vectra GT sem sustos e desvios -- o ABS pareceu menos "áspero" que em outros modelos. Mas, pasmem, o sistema antitravamento é opcional (os airbags frontais são de série). Com ele enfiado num pacote de opcionais, o Vectra GT passa a custar R$ 62.590.
Quanto à força: na mesma e sinuosa SP-360, que possui longos trechos em aclive, a terceira marcha foi freqüentemente solicitada para o Vectra GT manter o desempenho. E, mesmo no plano, convém sempre procurar a quarta para ultrapassar.
UOL Carros preferiu o Vectra GT no tráfego urbano. O motor oferece força suficiente em rotações relativamente baixas (principalmente com álcool) para abrir caminho em ruas e avenidas que, muitas vezes, têm fluidez prejudicada por motoristas lentos, "perdidos" ou mesmo inábeis (quem guia no fim de semana em São Paulo sabe disso). A agilidade do carro da GM em espaços reduzidos é surpreendente, e o câmbio de cinco velocidades é rápido e preciso -- no anda-pára dos congestionamentos, trabalha sempre em favor do motorista.
No bolsoA conta apresentada pelo Vectra GT na bomba de combustível foi salgada, de três tanques para percorrer esses 1.000 km (dois de gasolina e um de álcool). De saída, rodando principalmente em estradas, o carro fez cerca de 8,4 km/l com gasolina; foi reabastecido com álcool e andou somente em São Paulo até secar o tanque, fazendo 6 km/l. De novo com gasolina, e com 85% de trajetos de estrada, obteve a marca de 8,1 km/l. Haja dinheiro.
Mas isso não deve ser problema (a não ser de consciência ambiental) para o público-alvo do Vectra GT. Ele apela a um comprador de classe média e média alta, entre 30 e 40 anos, que busca se diferenciar principalmente pela aparência do carro que dirige, e nem tanto pelo que vai sob o capô.
Daí a ausência de esportividade ser um aspecto secundário. Hoje, seu dono vai dizer que tem um Vectra GT, esperando que o nome e a imagem do carro causem impacto. Daqui a dez anos, quem sabe, vai preferir um Vectra sedã (ou o que vier no lugar), e lembrará que, um dia, teve um "Vectra hatch". Que é o que esse carro, na verdade, é.