UOL Carros

13/12/2007 - 08h00

Civic vence guerra particular com o Corolla

CLÁUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
O Fiat Punto abocanhou a maior parte dos troféus de carro do ano, o Nissan Sentra talvez tenha sido o carro mais comentado (devido à marcante propaganda do "tiozão"), mas provavelmente o grande vencedor de 2007 na indústria automotiva brasileira foi o Honda Civic.

De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o Civic lidera pela primeira vez o segmento dos sedãs médios, tendo emplacado 42.060 unidades em todo o Brasil até o final de novembro.

O segundo colocado é o Toyota Corolla, arqui-rival do Civic e carro mais vendido no mundo -- mas que no Brasil perdeu a posição de líder de segmento para o "compatriota" da Honda. Também até o final de novembro, o Corolla emplacou 31.196 carros. Essa desvantagem de mais de 10 mil unidades em relação ao Civic não será tirada em dezembro.
Roberto Assunção/UOL

Design atual do Civic surgiu em 2006 e ajudou no aumento das vendas
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A guerra particular entre os dois carros de origem japonesa é travada num dos fronts mais quentes do mercado brasileiro, com 7,71% de participação (também até o final de novembro). Com esse percentual, os sedãs médios detêm a quarta maior fatia, atrás dos carros de entrada (38,94%), hatches pequenos (18,04%) e sedãs pequenos (16,51%). Superam com alguma folga os hatches médios (4,57%).

No segmento, segundo a divisão da Fenabrave, brigam Civic, Corolla, Chevrolet Vectra, Ford Fusion, Renault Mégane, Peugeot 307, Citroën C4 Pallas, Nissan Sentra e os Volkswagen Jetta e Bora. E no ano que vem a Fiat volta a atirar, desta vez com o Linea, substituto do Marea, de produção já descontinuada.

FORÇA JOVEM
Roberto Assunção/UOL
O conjunto óptico afilado e as rodas de liga dão ar agressivo e jovial...
Roberto Assunção/UOL
...ao Civic, que, no segmento, é o que tem menos "cara de tiozão"
Até 2006 o Corolla era líder inconteste no segmento, seguido pelo Vectra. O Civic era apenas o terceiro mais vendido. No ano passado, sofreu uma reformulação importante, que o rejuvenesceu -- não à toa, passou a ser tratado como New Civic. Chegou, assim, à 8ª geração mundial do modelo (3ª no Brasil). Foi seu ponto de inflexão rumo à virada que se consolidou este ano.

Se Fusion e Mégane são players mais lentos nas vendas, este ano viu a chegada de dois novos contendores que já entraram chutando a porta da garagem: o C4 Pallas, atual 4º lugar em emplacamentos, e o "não-sou-tiozão" Sentra, o único deles que emplacou mais unidades em novembro que em outubro.

A Honda não quis tecer comentários sobre os concorrentes do Civic no segmento. Por sua vez, a assessoria da Toyota divulgou nota em que os carros da Citroën e Nissan são descritos como merecedores de "acompanhamento e estudo".

Elogiado
Voltando o foco ao Civic: afinal, o que ele tem de tão especial? Jornalistas que militam há anos na cobertura do setor concordam que trata-se de um carro à parte (a opinião de UOL Carros está aqui).

"O Civic é o automóvel nacional mais em dia com a tecnologia dos mercados norte-americano e europeu. Ele estabeleceu novos parâmetros para a indústria brasileira, que ainda não foram igualados pelas outras fábricas", opina Jorge Meditsch, editor do site Autoestrada e colunista da revista Auto Esporte.

Luís Perez, jornalista automotivo há 14 anos e editor do site Interpress Motor, faz coro ao colega: "O Civic lançado em abril de 2006 é um divisor de águas. É, de longe, o melhor e mais completo automóvel fabricado no país atualmente".

PARA LER MAIS
Muita coisa já foi dita, escrita e publicada sobre o Honda Civic (e também sobre o Toyota Corolla). Confira nos links:
HISTÓRIA DO CIVIC (1972-2003)
HISTÓRIA DO COROLLA (1966-2004)
TESTE DO CIVIC
TESTE DO CIVIC Si
Editor do site Best Cars e aficionado por carros, Fabrício Samahá concorda: "O novo Civic mexeu com o segmento, agregando modernidade de projeto e de estilo. Alguns pontos críticos, como a modesta capacidade de bagagem, não abalam o brilho de um dos lançamentos nacionais mais relevantes dos últimos anos". (Note-se que todos estão falando do Civic pós-reestilização de 2006.)

De certa forma, isso resume o que a própria Honda afirma pensar do seu carro. "O Civic sempre foi um sucesso em seu segmento e referência em tecnologia, conforto, economia e segurança. A 8ª geração reforçou ainda mais essa preferência do consumidor", diz nota da empresa, lembrando que o design pós-2006 também tem um papel importante nesse jogo.

O argumento das boas vendas, aliás, é esgrimido quando se apontam algumas falhas do Civic, como a ausência de computador de bordo (nenhuma versão o possui) e de faróis de neblina (disponíveis só na top EXS).

"A Honda priorizou outros itens, e o sucesso do modelo nos faz crer que estávamos certos", afirma a empresa -- citando como compensação a troca de marchas no sistema paddle shift (atrás do volante, e disponível só na EXS) e o painel digital em dois níveis.

QUANTO CUSTA UM HONDA CIVIC?
LXS MANUALR$ 64.430R$ 65.105
LXS AUTOMÁTICOR$ 69.410R$ 70.015
LXS MANUAL
+ COURO
R$ 66.055R$ 66.735
LXS AUTOMÁTICO + COUROR$ 71.020R$ 71.630
EXS AUTOMÁTICOR$ 83.890R$ 71.630
AcabamentoPreço no Sul, Sudeste e COPreço no Norte e NE
Mesmo a demora na entrega do carro ao comprador (verificada também em algumas versões de outro modelo da Honda, o Fit) não faz a marca japonesa perder a pose: ela diz estar trabalhando para que essa espera seja diminuída, aumentando a oferta de unidades mês a mês -- e lembra que o Civic foi o 10º veículo de passeio mais emplacado no país em outubro e novembro.

Renovação esperada
O inimigo, é claro, está se mexendo, e 2008 promete demandar muito mais munição do Civic que o ano que ora termina. Isso porque o Corolla vai mudar.

A atual configuração do sedã médio da Toyota é a mesma desde 2002 e "está no final do ciclo de vida", como define a empresa, dentro de um esforço para analisar a perda da liderança no Brasil como natural -- já que o modelo está cansado e, além disso, sua produção foi diminuída para que a fábrica em Indaiatuba (SP) pudesse ser adaptada ao "novo" carro.

Em todo caso, essa guerra particular entre as duas fábricas japonesas deve continuar fria. A Toyota nega haver uma disputa específica com a Honda: "O segmento de sedãs médios é competitivo como um todo, e estamos atentos aos movimentos de toda a concorrência", diz.

A Honda é menos (ou mais, dependendo do ponto de vista) diplomática: simplesmente reitera que não fala dos outros. Para o vencedor, o silêncio é de ouro.

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