Montadoras mantêm projeção para 2012 após junho positivo

Alberto Alerigi Jr
Em São Paulo (SP)

  • Paulo Whitaker / Reuters

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 5 Jul (Reuters) - As montadoras de veículos no Brasil decidiram manter suas projeções de crescimento de vendas e produção em 2012, mesmo após um primeiro semestre abaixo das expectativas.

A crença da Anfavea -associação que representa as fabricantes de veículos no país- de alta de 4 a 5 por cento nas vendas e de avanço de 2 por cento na produção é motivada pelo desempenho em junho, quando a comercialização média diária foi recorde após medidas temporárias de estímulo do governo.

Havia expectativa de que a Anfavea reduzisse suas previsões depois que a Fenabrave, entidade que reúne os concessionários, cortou no início desta semana suas estimativas para o ano de expansão na venda de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões de 3,5 por cento para queda de 0,5 por cento. Desde 2004 o setor tem registrado alta nos licenciamentos.

Nesta quinta-feira, a Anfavea divulgou que o semestre encerrou com queda de 9,4 por cento na produção na comparação com o mesmo período do ano passado, para 1,55 milhão de unidades. Enquanto isso, as vendas de janeiro a junho recuaram 1,2 por cento, a 1,72 milhão de veículos.

Por enquanto, a Anfavea estima para 2012 o sexto recorde consecutivo de vendas, com a comercialização de 3,77 milhões a 3,81 milhões de veículos novos. Já a produção deve chegar a 3,47 milhões de unidades.

"Continuo otimista... Entendo que os números serão bons, mas preferimos não fazer ainda a projeção. Queremos ver o comportamento até 31 de agosto", disse o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, a jornalistas, quando perguntando se a entidade cortará suas previsões assim como fez a Fenabrave.

O ânimo de Belini, que também preside o grupo Fiat para a América Latina, veio com o resultado de junho, que mesmo tendo dois dias úteis a menos que maio teve salto de 23 por cento nos licenciamentos na comparação mensal.

O crescimento, para 353,2 mil unidades, volume recorde para o mês, veio junto com o corte pelo governo, no fim de maio, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre o setor e o anúncio de medidas de incentivo ao financiamento de veículos. A redução do tributo é válida até o encerramento de agosto.

Com o salto nas vendas, os estoques de veículos na indústria e concessionárias caiu 16,5 por cento de maio para junho, para 342 mil unidades. Em dias de vendas, o volume recuou de 43 para 29 dias, nível considerado normal pela Anfavea.

Como em ocasiões anteriores em que o governo concedeu descontos temporários no IPI do setor, para depois prorrogar o benefício por mais alguns meses, Belini afirmou que a Anfavea não negocia uma renovação do imposto menor após o fim de agosto.

"Existe demanda reprimida que poderá ser atendida no período e entendemos que depois de 31 de agosto a economia estará girando e incentivando a demanda", disse Belini.

Ele acrescentou que após a queda nos estoques a "tendência, com exceção de caminhões, é vermos aumento de produção, sim".

A média diária de vendas totais de veículos em junho foi de 17.660 unidades, cerca de 36 por cento acima da média entre janeiro e maio. O número superou o recorde histórico de dezembro de 2010, quando 17.343 veículos foram emplacados, em média, por dia.

"Não quer dizer que essa média de junho vai ficar assim no resto do ano, mas é um nível novo, o que é positivo para o setor", disse o presidente da Anfavea.

Enquanto isso, o nível de emprego do setor em junho cresceu 1,3 por cento sobre maio e 2,9 por cento na comparação anual. "E poderá crescer ou se manter até o final do ano", disse Belini, apesar de recentes anúncios de cortes de vagas em algumas montadoras como a Volvo.

DIFICULDADE PARA CAMINHÕES

O presidente da Anfavea afirmou que o setor de caminhões deve ter dificuldade para se recuperar no ano por conta do desempenho do primeiro semestre, impactado por uma combinação de fraqueza da economia, excesso de produção no fim de 2011 e mudança de regime de emissões de gases, que obrigou produção de modelos menos poluentes, porém mais caros.

O segmento de caminhões acumula queda de 15 por cento nas vendas e de 40 por cento na produção do primeiro semestre. "A situação aqui está muito ligada ao crescimento da economia. Acreditamos que em mais 1 ou 2 meses o setor poderá retomar o crescimento", disse Belini.

No final de junho, o governo federal anunciou que comprará 8 mil caminhões no valor de 2,28 bilhões de reais para equipar as Forças Armadas e para Estados e municípios com problemas climáticos, como parte de um programa de compras governamentais para estimular a economia.



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