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Ar-condicionado evolui e vira item quase obrigatório; conheça os tipos

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

Equipamentos de bordo costumam acompanhar a evolução dos automóveis. E em um país com regiões de clima quente durante boa parte do ano, como o Brasil, o ar-condicionado é um dos itens mais importantes. Nos últimos anos, cresceu a oferta, enquanto o preço diminuiu. Mas nem todos os consumidores conhecem diferenças, modo de funcionamento e recursos dos diferentes sistemas.

O ar-condicionado está disponível em mais carros de entrada (mais barato da gama) do que há cinco anos. As opções também se ampliaram, com equipamentos analógicos (conhecidos como "manuais" ou "convencionais"), digitais (permitem escolher uma temperatura específica) e automáticos (permitem escolher e manter a temperatura exata na cabine).

"O equipamento automático é um ar-condicionado que toma decisões pelo motorista. Há sensores de temperatura e luminosidade na cabine e na parte externa do veículo. Um computador lê essas informações e controla a intensidade da ventilação, a potência do compressor e até a posição das saídas de ar, tudo para manter a temperatura programada", explica Jeremie Martinez, chefe de produto da linha DS (topo de gama) da Citroën.

A automatização ainda entrega benefícios adicionais. "Quando o computador identifica que o carro está parado sob o sol, com muita luz e a cabine em temperatura elevada, direciona inicialmente mais ar frio ao topo do carro, por onde está entrando o calor. Já o aquecedor em modo automático prioriza a parte baixa da cabine, para aquecer os pés do motorista primeiro", conta Martinez.

Tipos de ar-condicionado

  • >> Manual (analógico)

    Básico, define o fluxo, mas a temperatura é obtida por aproximação; geralmente tem escalas em azul para ar frio e em vermelho para quente)

  • >> Digital

    Permite escolher uma temperatura exata para o fluxo de ar, mas não consegue mantê-la na cabine; pode ter visor 

  • >> Digital automático

    Tem sensores que mantêm a cabine na temperatura escolhida por meio da variação no fluxo de ar 

  • >> Duas zonas

    Temperaturas diferentes para motorista e carona; saídas extras para banco traseiro, se houver, não podem ser reguladas

  • >> Três zonas

    Além de regulagens individuais à frente, há controle também para o banco traseiro; seletor geralmente fica na parte posterior do console

  • >> Quatro zonas

    Encontrável em carros de luxo, permite dois ajustes de temperatura na dianteira e outros dois para quem vai atrás

PREÇOS
Populares como o Volkswagen Gol e Fiat Uno, por exemplo, podem ser equipados opcionalmente com ar-condicionado manual. Os chamados de compactos premium (tipo Citroën C3 e Ford New Fiesta) já entregam o equipamento como item de série e garantem até mesmo sofisticações antes só disponíveis em modelos de luxo. Fabricado no Brasil, o Peugeot 208 já tem sistema automático de duas zonas em algumas de suas versões.

Tudo começa no ar-condicionado manual, o mais barato. Salvo em carros chineses "completões", geralmente aparece como opcional em modelos de R$ 30 mil. Fabricantes pedem entre R$ 2.500 (Volkswagen Gol) e R$ 3.000 (Fiat Uno) para adicionar o equipamento.

Carros acima de R$ 40 mil têm ar-condicionado de série, quase sempre manual. Trocá-lo por um equipamento digital faz o preço do carro subir entre R$ 500 e R$ 1.000.

Há uma explicação para o valor relativamente baixo desse upgrade. "Nos modelos de entrada há uma inclusão de conteúdo. Já os carros que oferecem o ar digital como opcional já têm o convencional de série, ocorrendo apenas uma substituição de equipamento, com menor custo", conta Rodrigo Pereira, do planejamento de marketing da Fiat.

O ar-condicionado digital costuma ser de série em sedãs na faixa de R$ 60 mil. Alguns já têm sistema de duas zonas (ou "dual zone" na linguagem de muitas marcas), em versões intermediárias. O sistema de três zonas (uma para os passageiros de trás) ainda é mais restrito a modelos familiares, com o Fiat Freemont, de sete lugares, na faixa dos R$ 90 mil.

Já o ar-condicionado de quatro zonas é para endinheirados que podem pagar centenas de milhares de reais em um carro. Ainda que a geração atual do familiar Citroën C4 Picasso (R$ 96 mil) traga o sistema, é mais comum encontrá-lo em modelos de luxo. Sedãs executivos topo de linha, como o novo Classe S (entre R$ 400 mil e R$ 500 mil) dão total controle da temperatura aos passageiros da parte de trás; o mesmo vale para SUVs como o Range Rover Vogue (R$ 500 mil).

"Quanto mais próximo do topo da gama, maior a tecnologia embarcada e consequentemente, há mais recursos de climatização do habitáculo”, resume Pereira.

DE LADRÃO A PROTETOR

  • Reprodução

    Ar-condicionado era sinônimo de roubo de potência do carro, mas hoje é entendido como item que mantém o motorista bem-disposto.

Os equipamentos mais avançados (e caros) contam com controles múltiplos de temperatura e dividem a cabine em áreas chamadas de "zonas". Para cada uma, há um controle individual de fluxo e temperatura do ar. O compressor é o mesmo para o carro todo, mas distribuindo o ar com dutos separados é possível diferir volume e temperatura.

No sistema de duas zonas (dual zone, bizona etc.) a cabine é "dividida" ao meio, com controles para agradar ao motorista e ao carona. No de três zonas, a climatização é a mesma para todo banco traseiro. Carros com quatro zonas podem ter intensidades diferentes em seus quatro "cantos".

Com a popularização, o ar-condicionado também deixou de ser encarado como mimo. Muitos o consideram equipamento de segurança.

Mais seco, o ar frio é o mais indicado para desembaçar o parabrisa. Mas sempre que a temperatura do veículo for muito inferior à externa, pode haver condensação e formação de vapor nos vidros, atrapalhando a visão do condutor. O ar-condicionado automático, por exemplo, mistura o ar frio mesmo quando o motorista optou por uma temperatura de aquecimento, para manter a visibilidade adequada.

Estudos comprovam, ainda, que uma temperatura moderada (em torno de 22ºC) mantém o motorista relaxado o suficiente para dirigir bem.

MANUTENÇÃO
É recomendado higienizar o sistema de ar-condicionado após longos períodos sem uso, inclusive com troca do filtro.

"Os dutos se transformam num ambiente propício para a proliferação de bactérias, ácaros e fungos. Ao acionar o sistema novamente, os micro-organismos vão parar na cabine e podem causar problemas respiratórios", diz Vanderlei Dias, técnico especializado em manutenção de ar-condicionado da K2 Centro Automotivo.

O método mais simples de limpeza é a aplicação de spray bactericida. O serviço demora cerca de 40 minutos e custa, em média, R$ 150. Especialistas também indicam a realização do serviço anualmente, prazo que pode variar de acordo com a região de uso do carro e a quilometragem percorrida. A aplicação de spray dispensa a desmontagem do painel e ainda evita mau cheiro na cabine.

Se o odor persistir, é sinal de que pode haver um pequeno animal morto no interior dos dutos. "É algo mais comum do que se imagina. A melhor solução é desmontar parte do conjunto para uma limpeza localizada", afirma Dias.


A melhor forma de manter o equipamentos em dia é usá-lo por pelo menos 15 minutos a cada semana. Para quem faz uso prolongado, a dica é ligar o ar-quente por alguns minutos antes de desligar o sistema.

"Isso evita a umidade. Deixar o filtro de ar úmido é como guardar um pano molhado na gaveta: irá acumular fungos e bactérias”, explica César Samos, gerente técnico da Mecânica do Gato. O uso regular também mantém lubrificados os componentes do conjunto. "O gás refrigerante do equipamento tem uma substância lubrificante em sua composição, que evita o ressecamento de borrachas e selos do sistema", diz.

Perda da capacidade de gelar o interior do carro indica vazamento de gás ou problemas no compressor. Peça mais cara do equipamento, um compressor de carro popular custa cerca de R$ 1.500.

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