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Atualizada em 26.08.2013 13h46

Na falta de arrojo visual, novo Nissan Sentra aposta no conforto

Hairton Ponciano Voz

Colaboração para o UOL, de Newport Beach (EUA)

Se pudesse ser resumido a uma palavra, suavidade seria a melhor forma de expressar o novo Nissan Sentra. A sétima geração do sedã, que utiliza nova plataforma, está bem mais refinada em termos de acabamento, visual e comportamento dinâmico. A montadora já oferece a versão SL, topo da nova gama, por R$ 71.990, com motor 2.0 e câmbio automático CVT (saiba mais sobre o lançamento aqui) e procurou transferir para o novo modelo aspectos visuais e texturas de acabamento do Altima, sedã que deve chegar brevemente às lojas do Brasil, para concorrer com Ford Fusion e Honda Accord.

O acabamento é muito bom. Painel e laterais têm revestimento macio, agradável ao tato. A partida do motor é feita por botão, em todas as versões, e o carro tem funcionamento suave e confortável. Nas ruas e estradas do sul da Califórnia, o sedã apresentou rodar silencioso. Mas aqui o asfalto é perfeito, e o Sentra leva vantagem por "jogar em casa" -- é produzido no México, que faz divisa com a Califórnia. Vamos esperar o jogo de volta, em território brasileiro, para confirmar a boa impressão inicial.

COMO ANDA
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dirigiu a versão SL, equipada com rodas aro 17. Teoricamente, nesse caso o veículo fica mais firme, e tende a passar para o interior com mais facilidade as irregularidades do piso, já que o "filtro" é menor. Dependendo da versão, o modelo pode ter rodas aro 16. O percurso foi curto, mas o suficiente para notar o bom acerto na suspensão, que segue a receita clássica, independente na frente (McPherson) e eixo de torção atrás. O carro a ser vendido no Brasil passou por ajustes no conjunto, por conta das condições de piso.

A Nissan ainda não definiu que outras versões serão importadas, mas apenas a básica deverá vir com transmissão manual, de seis marchas. As demais têm caixa automática CVT, continuamente variável. O modelo anterior já vinha com esse tipo de transmissão, mas a montadora informa que o novo câmbio Xtronic tem adequações para melhorar a economia de combustível. O Sentra estreia com nota "A" no programa de etiquetagem do Inmetro. 

Neste primeiro contato, o sedã estava equipado com motor 1.8. Ele rende 130 cavalos, ou 124 cv, no caso da Califórnia (por conta da legislação antipoluente mais severa). O modelo a ser vendido no Brasil, no entanto, virá com mecânica 2.0, de 140 cavalos (com etanol), uma exclusividade mundial. Mesmo tendo um motor maior e mais potente do que o oferecido nos EUA, no Brasil o Sentra ficará em posição inferior diante da concorrência. Para a mesma cilindrada, os oponentes esbanjam mais potência, caso dos 155 cv do Civic e dos 153 cv do Corolla -- para ficar apenas nos exemplos dos japoneses que dominam a categoria. A propósito, ambos oferecem potência equivalente à do Sentra nas versões 1.8 (140 cv no caso do Civic e 144 cv no caso do Corolla).

O câmbio CVT, com nova relação de transmissão (7,3:1) e novas polias, aproveita bem a energia gerada pelo motor, por não apresentar interrupções de força durante as trocas. A Nissan informa que 60% dos componentes são novos, e que a caixa ficou 13% mais leve. Tudo isso contribui para a melhora no consumo. O motor também eliminou o tanque auxiliar de partida a frio -- sistema de aquecimento de etanol chamado de Flex Start pela marca.

Durante a avaliação, o motor 1.8 mostrou boa capacidade de aceleração. No Sentra dotado de transmissão CVT não há opção de trocas manuais. Alguns automóveis com esse tipo de câmbio simulam marchas manuais, que podem ser trocadas pelo motorista por meio de borboletas no volante ou na própria alavanca. Mas a Nissan resolveu assumir que CVT é automático, e portanto prescinde da intervenção do motorista no gerenciamento da marcha ideal.

Em regimes urbanos, feitos com aceleração moderada, o Sentra não incomoda, e apresenta a progressividade de aceleração típica do CVT. Mas, se o motorista acelera com vontade, a rotação do motor vai a cerca de 6.000 giros e permanece estabilizada por lá. Nessa situação, o ruído incomoda um pouco, embora as respostas sejam satisfatórias. Podem-se escolher os modos de condução esportiva ou econômica, por teclas no lado esquerdo do painel. No primeiro, a rotação um pouco mais elevada privilegia desempenho. Na segunda, as respostas ficam mais lentas, para melhorar consumo.

APOSTA NO CONFORTO
Além do acabamento refinado, espaço também é um ponto positivo do modelo, que tem entre-eixos de 2,7 metros. Passageiros do banco de trás dispõem de boa área para joelhos e cabeça. Além disso, o túnel central é baixo, melhorando o conforto para o eventual quinto ocupante. A unidade avaliada tinha revestimento de couro claro e acabamento com imitação de madeira no console, um padrão visual que não será oferecido no Brasil. Para o mercado nacional, o couro deverá ser mais escuro, com apliques de padrão prateado no console e painel.

O nível de equipamentos é bom, e inclui ar-condicionado digital com regulagens individuais para motorista e passageiro, som com comandos no volante e até seis airbags (frontais, laterais e de cortina), além de tela central sensível ao toque, para acesso aos controles de som, GPS, Bluetooth, etc. A regulagem da coluna de direção incomodou: quando se solta a trava, a coluna "cai" de uma vez, tornando pesada e ruidosa a simples tarefa de ajuste.

Em termos visuais, o modelo agora optou por seguir uma linha mais conservadora, tradicional. Assumiu o rótulo de "carro de tiozão", renegado pelo antecessor. A linha de cintura é mais baixa, na contramão da tendência de modelos mais modernos, que elevam os ombros do carro para transmitir mais esportividade. A grade frontal trapezoidal (semelhante à do Altima) também confere mais status do que modernidade. Visto de traseira, no entanto, o Sentra aparenta mais jovialidade. As lanternas de LED são compridas e têm formato de bumerangue.

Em termos aerodinâmicos, o avanço foi grande. O novo modelo tem coeficiente (Cx) de 0,29. O modelo anterior tinha Cx 0,34. Isso significa que a carroceria oferece menor resistência à fluidez do ar. Como resultado, o desempenho melhora e a economia aumenta. Outro fator que colabora é a redução de peso. Mesmo tendo crescido 5 cm (4,62 m), o novo Sentra está cerca de 70 kg mais leve, por conta de utilização de aço de alta resistência em partes vitais da carroceria. Por oferecerem mais resistência a impactos, é possível reduzir a quantidade do material, e portanto o peso.

Os executivos da Nissan ainda não divulgaram previsão de venda para o modelo, mas deixam claro que não vão brigar em números com os líderes Civic e Corolla. Estima-se que o Sentra deverá vender na faixa de 1.000 a 1.500 unidades por mês, o que o colocaria na disputa pela quarta posição entre os sedãs médios, atrás do Cruze e na briga com Jetta, Fluence e com o novo Citroën C4 Pallas.

Viagem a convite da Nissan

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