Últimas de Carros

Volkswagen planeja 2014 como ano do "carro popular"

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

Algum engravatado com certo grau de importância dentro da Volkswagen decretou que era hora de a fabricante quebrar o silêncio e se mexer. De uma vez só, em pouco mais de 48 horas, a montadora confirmou uma chegada e uma aposentadoria até então negados. Após apresentar oficialmente a nova geração do Golf, na noite da última terça-feira (13), a marca também anunciou o final de produção da Kombi, na manhã de quarta.

O hatch médio chega ao Brasil em outubro nas versões Highline 1.4 TSI (140 cv e câmbio manual de seis marchas), Highline 1.4 TSI Automatizado (140 cv e câmbio DSG de dupla embreagem e sete velocidades) e GTI 2.0 TSI DSG (automatizado de dupla embreagem, mas com seis marchas). Seus preços devem começar em algo próximo a R$ 70 mil, beirando R$ 120 mil na configuração mais cara.

A Kombi deixa de ser produzida oficialmente em dezembro, pois a partir de 2014 somente modelos equipados com freios ABS e airbag duplo poderão sair das linhas de montagem brasileiras. A marca até conseguiu instalar airbags na van, mas não foi capaz de fazer o mesmo com o sistema antitravamento dos freios (antiquado, o conjunto sequer possui servofreio). Há estudos sobre possíveis substitutos (fala-se em Transporter, Multivan, T5), mas ainda não há informações sobre qual será o escolhido (nem se ele será feito aqui ou importado). Versão Last Edition (R$ 85 mil), limitada a 600 unidades, marca o fim da vida do utilitário, fabricado há 56 anos no Brasil.

É SÓ O COMEÇO
Estas notícias encabeçam a lista de novidades que a marca prepara para 2014, que será ano cheio para a fabricante, principalmente no segmento de entrada. Deixe o Golf de lado, até porque o hatch terá vida dura para se sustentar em vendas se não tiver preço competitivo. Vamos falar de carros que mais pessoas podem comprar.

O Up, compacto desenvolvido para ser o real substituto do Fusca original (aquele, criado nos anos 1950, não o cupê premium atual), tanto em tamanho quanto apelo popular, chega ao mercado no primeiro semestre de 2014. De quebra, mexerá com toda a base da linha da Volks, substituindo o Gol G4, mudando o G5 de patamar e alterando até o posicionamento do Fox, que aos poucos toma conta do espaço que era do Polo, bastante desatualizado.

Modelo será fabricado em Taubaté (SP) e será vendido com motor 3-cilindros 1.0 (que estreou no Fox Bluemotion) e câmbio manual de cinco marchas. Além disso, ele será um pouco maior que o carro vendido na Europa (em entre-eixos e comprimento) e não terá tampa traseira de vidro (por aqui ela será de metal e fibra, mesmo, como a versão feita para países emergentes da Europa por Skoda e Seat). Uma versão esportivada, com motor 1.4 flex (também da família EA211), também é estudada. Os preços iniciais devem se manter próximos aos do Gol G4, ainda que qualquer opção diferenciada possa invadir a área do Gol G5.

ESTÁTUA!

  • Divulgação

    Por se tratar de um carro destinado ao mercado chinês, a Volkswagen ainda analisa se vale a pena lançar um sedã de alto volume em um mercado cada vez mais exigente. Por ora, geladeira nele.

NOVO FOX
A Volks decidiu antecipar a chegada da segunda geração do Fox (até hoje, desde 2003, o carro contou apenas com reestilizações, a maior delas em 2009) para o começo do segundo semestre de 2014.

Apesar de se tratar de uma nova geração (os ajustes na linha de montagem do carro, em São José dos Pinhais-PR, serão grandes), as mudanças visuais não serão muitas (e se concentrarão, principalmente, na traseira e no interior), já que o Fox, até hoje, tem desenho bem resolvido e atualizado.

Sob o capô, muita mudança, porém: ele deverá usar a nova família de motores EA211 (a mesma linha do 3-cilindros de Fox Bluemotion e Up, mas também dos motores 4-cilindros do Novo Golf, por exemplo). Entre as configurações, uma 1.4 (ainda inédita) e um 1.6 que deverá ser bem mais forte e eficiente que o atual (que gera 104 cv).

MUDANÇA DE ESTRATÉGIA
O Santana estava previsto para chegar nesta virada do ano, mas o projeto foi "congelado". Críticas recebidas quanto ao visual e possível conteúdo -- trata-se de um carro concebido para o mercado chinês, onde a marca precisa mais de um sedã de alto volume de vendas, do que de qualidade absoluta -- a Volks resolveu repensar a vida do modelo por aqui, um mercado cada vez mais exigente.

Caso o projeto seja retomado, inclusive com a possível fabricação nacional, sua chegada pode ficar somente para o final de 2014 e começo de 2015. O Polo europeu, feito sobre a plataforma PQ25 (como o Santana) e que também chegou a ser cogitado, voltou ao limbo.

Topo