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Atualizada em 29.07.2013 15h27

Chevrolet Onix automático entrega conforto junto a chatices

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

Dividindo as atenções com o esquisito "lançamento" do SUV compacto Tracker, a linha 2014 dos Chevrolet Onix e Prisma foi apresentada pela General Motors trazendo uma novidade importante: o câmbio automático de seis marchas, o mesmo de modelos maiores da marca.

Com ele, o hatch sai por R$ 43.390 na versão LT, indo a R$ 47.190 na LTZ.

O custo extra pela transmissão sem pedal de embreagem é de R$ 3.500 na versão topo, mas acaba sendo de R$ 7.200 na LT. Nesta, quando opta pelo câmbio automático, o cliente tem de levar para a garagem um pacote com outros itens -- como ar-condicionado, sistema MyLink, volante revestido de couro, controlador automático de velocidade e botões internos para abertura da portinhola de combustível e do porta-malas.

UOL Carros rodou por uma semana com uma unidade do Onix LTZ A/T, que traz ainda itens como sistema multimídia MyLink e ar-condicionado.

CONFORTÁVEL, MAS COM FALHAS
O interior do Onix tem acabamento de boa qualidade, com bom encaixe de peças e sem rebarba -- o desenho do volante, que nasceu no Cruze e se dissipou entre quase todos os modelos da marca, é um dos destaques do painel.

Há, no entanto, problemas, que podem ser vistas como chatices do projeto -- fazem parte do jeito de ser do Onix e atrapalham. O cluster tem conta-giros analógico e velocímetro digital de fácil visualização, mas é pequeno e incomoda quem prefere mostradores tradicionais -- acredite, isso é capaz de fazer o cliente mudar de compra.

Outra coisa: com o carro em movimento, os comandos na tela sensível ao toque do MyLink surgem em ícones miúdos -- mesmo problema dos botões sensitivos de volume e liga/desliga -- e são complicados de operar. É impossível, por exemplo, trocar a estação de rádio ou aumentar/diminuir o volume sem tirar os olhos da pista. Faz muita falta, neste caso, comandos no volante, que já é multifuncional por natureza.

Outra função dele, aliás, também pecou em nossa avaliação: o novo controlador automático de velocidade, comandado por um botão no raio esquerdo do volante, simplesmente não funcionou.

Os puxadores internos das portas dianteiras são pequenos e próximos demais da extremidade externa e atrapalha mesmo a quem tem braço longo no momento de fechar a porta. O espaço traseiro segue razoável para três pessoas, mas apenas duas têm segurança completa (terceiro ocupante perde o apoio para a cabeça e o cinto de três pontos).

São todas falhas que não deveriam ter passado no controle inicial de qualidade de um projeto novo, e que não foram revistas agora, no lançamento daquela que se pressupõe a versão mais refinada.

NA PRÁTICA
Erros de lado, é agradável rodar com o Onix automático, principalmente na cidade. A caixa automática GF6, de seis marchas (solução inédita no segmento de hatches compactos), faz trocas ideais no modo D (Drive), sempre no tempo certo, e não pesa sobre o rendimento do motor 1.4, medo expresso por boa parte dos internautas que comentaram o texto de lançamento do modelo.

A potência e o torque são os mesmos da versão manual: 106 cv e 13,9 kgfm com etanol (98 cv/12,9 kgfm com gasolina), mas isso não fica preso aos números: o entrosamento entre a transmissão e o motorista é rápido e fácil.  

TRANSMISSÃO GF6

  • Murilo Góes/UOL

    Câmbio GF6, inédito no segmento de compactos, tem ajuste certeiro e agrada na cidade, mas trocas manuais são feitas por meio de um botão nada ergonômico na própria alavanca

O modo M (de manual -- não há necessidade de haver um modo S de esportivo num carro dessa categoria) decepciona, porém. Trata-se do mesmo problema dos modelos maiores da Chevrolet que usam o mesmo câmbio automático, pois as trocas precisam ser feitas com o uso de um botão na lateral do pomo da alavanca. Os mais empolgados até pediriam borboletas atrás do volante, mas o certo é que um sistema de trocas por toques leves na manopla (como o de qualquer automatizado I-Motion ou Dualogic, por exemplo) resolveria.

GM não divulga dados de consumo, mas em medições realizadas por UOL Carros o carrinho foi bem: 8,4 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada, com etanol no tanque.

De uma forma geral, o Onix 2014 traz nova e importante opção a quem procura um compacto sem pedal de embreagem, buscando conforto. Mas as falhas obrigam uma revisão do valor cobrado -- porque velhos cacoetes que precisam ser corrigidos.

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