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Lexus IS traz cara nova e coração velho por R$ 175 mil; leia avaliação

André Deliberato

Do UOL, em Ilhabela (São Paulo)

A Lexus apresenta no país a terceira geração do sedã esportivo IS (que agora passa a contar com o sobrenome 250, e não 300, devido ao motor de 2,5 litros de capacidade). O modelo chega às lojas em setembro em duas versões diferentes, Luxury e F Sport, ao preço de R$ 175 mil e R$ 188 mil, respectivamente.

Apresentada mundialmente no Salão de Detroit deste ano (a Lexus é a subdivisão de luxo da Toyota, criada para fazer conquistar, inicialmente, endinheirados norte-americanos), a nova geração passou a ser produzida em plataforma mista, com partes do sedã GS (que não é vendido no Brasil) e do ES. Ganhou design reformulado, mais agressivo e missão de rejuvenescer o público consumidor.

O IS tem 4,67 m de comprimento (8,5 cm a mais que a geração anterior), 2,80 m de entre-eixos (7 cm maior), 1,81 m de largura e 1,43 m de altura. O porta-malas carrega até 480 litros. E mira homens de 30 a 55 anos, que normalmente compram BMW 328i (R$ 184.950), Mercedes-Benz C 250 Sport (R$ 177.900), Audi A4 TFSI (a partir de R$ R$ 130.800) ou Volvo S60 T5 (R$ 145.900). 

Apesar do novo visual, o trem-de-força segue o mesmo: um motor V6, de 2,5 litros, com 208 cv e 25,2 kgfm de torque, aliado ao câmbio automático de seis marchas com tração traseira. Veja as diferenças entre as versões:

+ IS 250 Luxury - R$ 175 mil:
Com pacote recheado, o carro traz de série freios com sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuidor da força de frenagem), sete airbags, auxílio para partidas em rampas, controlador automático de velocidade, faróis de xenônio com LEDs diurnos e auxiliares (para neblina), lanternas de LED, ar-condicionado digital de duas zonas, coluna de direção ajustável (eletricamente) em altura e profundidade, recolhimento automático da coluna de direção (quando o motor é desligado), chave inteligente (que destrava portas e porta-malas sem uso direto da chave), retrovisor eletrocrômico, sensor de chuva, auxílio de ré com câmera e sensores dianteiros e traseiros, botão de partida, computador de bordo com dados da condução, bancos de couro, bancos do motorista e passageiro com ventilação (o do motorista conta ainda com memorizador de posição), sistema multimídia com tela de LCD de sete polegadas, leitor de CD, MP3 e DVD, TV digital, Bluetooth, entrada auxiliar e duas USB (são oito alto-falantes e 4 tweeters), volante multifuncional, teto solar elétrico e rodas aro 17".

+ IS 250 F Sport (R$ 188 mil)
Por R$ 13 mil adicionais, o IS tem o mesmo conteúdo do Luxury e mais painel esportivo de TFT (até então exclusivo do supercarro LFA), faróis com iluminação total de LED, grade dianteira do tipo colmeia, saias laterais e spoilers, suspensão mais firme, amplificador do som do motor, bancos esportivos no formato de concha, pedaleiras cromadas, acabamento interno de alumínio escovado e rodas de 18 polegadas.

Para acessar a ficha técnica e a lista de equipamentos do modelo, clique aqui.

A Lexus espera vender apenas oito unidades do carro por mês de setembro a dezembro -- 32 carros nos quatro meses restantes de 2013 --, sendo 60% da versão F Sport e 40% da Luxury. 

IMPRESSÕES
UOL Carros rodou por cerca de 150 quilômetros com o novo IS 250. O que impressiona, logo de cara, é o excelente nível do acabamento interno: tudo é pensado e desenvolvido para o máximo conforto do cliente, desde a qualidade do revestimento (de madeira no Luxury, alumínio escovado no F Sport) e encaixes das peças à ergonomia. O luxuoso relógio analógico, que decora a parte superior do console central, é a cereja do bolo.

Os bancos ventilados e o "joystick" que comanda a central multimídia são outros destaques do IS, que tem ótimo espaço para quatro ocupantes. Um quinto passageiro causaria problemas, já que seu espaço para as pernas é comprometido por causa da passagem do grande eixo-cardã pelo corredor central (culpa, em parte, da baixa carroceria do carro). E o porta-malas é razoável, não surpreendente.

As suspensões (braços sobrepostos na dianteira e multibraços na traseira) foram bem calibradas para rodar no Brasil. A direção eletro-assistida também tem boa programação, fica leve em manobras simples e enrijece de acordo com o aumento da velocidade. O volante multifuncional tem boa pegada, apesar do visual careta.

  • Divulgação

    Frente e verso: IS 2014 é atual e tem estilo europeu, mas motor e câmbio são antiquados

DE VOLTA PARA O FUTURO
Nem tudo é maravilhoso no IS: motor e câmbio, apesar de formarem um bom conjunto, são antiquados. Resumindo: renderiam tocada irrepreensível em... 2005. Quase dez anos depois, tudo o que podemos dizer é que o motor 2.5 V6 gera apenas 208 cavalos. Atualmente, um motor 1.6 sobrealimentado por turbo pode render mais que isso, seguindo a boa cartilha do downsizing e da máxima eficiência. O mesmo vale para o torque de 25,2 kgfm de torque, ampliando a faixa agora para quatro-cilindros turbinados de até 2 litros.

Este câmbio de seis marchas também não é ruim. Só que não colabora para o melhor aproveitamento do motor: em baixas rotações, é lenta a retomada de velocidade. É possível dizer que o V6 de 277 cv e 35,3 kgfm do Camry serviria melhor sob o capô do IS 2014.

E onde está o sistema start-stop disponível para praticamente todos os concorrentes? 

De toda forma, mesmo com o "coração" envelhecido, é possível ter alguma diversão com o IS 250, principalmente na versão F Sport, que deve ser a mais vendida pela expectativa da marca. O amplificador sonoro instalado no escape do motor da versão mais esportiva deixa o ronco mais grave e metálico. O ruído emitido pela dupla de saídas, de ponteiras cromadas, é empolgante. A suspensão esportiva do IS mais caro também prova ser acertada. E ainda é função da tela de TFT substituir o jeito "tiozão" do interior (como visto na versão Luxury), com o devido complemento do sistema de áudio premium do Lexus.

Considerando conforto e tecnologia internos, dá até para dizer que, por R$ 13 mil, temos melhorias de alto nível por uma "pechincha". Basta levarmos em conta que qualquer equipamento de som de carro de luxo alemão, por exemplo, custa cerca de R$ 30 mil.

No fim das contas, a tela do computador de bordo apontou média de 7,5 km/l de gasolina, em trecho predominantemente rodoviário. Com motor mais eficiente, turbo e até sistema start-stop, talvez os índices de diversão tivessem sido mais empolgantes e o de consumo, melhores.

Viagem a convite da Lexus

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