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Atualizada em 05.07.2013 15h28

Mercedes-Benz Classe E recoloca marca no rumo do luxo; leia impressões

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo e Campos do Jordão (SP)

A Mercedes-Benz lança oficialmente no Brasil a nova gama da Classe E, que inclui sedã, cupê (autêntico, de duas portas) e conversível de quatro lugares; a variação esportiva E 63, assinada pela AMG, chega em setembro, montada em absurdos 557 cavalos.

O Classe E, carro mais tradicional da Mercedes (são 67 anos de mercado, divididos em nove gerações) e paradigma mundial de três-volumes, é o primeiro carro naturalmente caro (ou seja, acima de R$ 200 mil) importado pela marca após os lançamentos no país dos novos Classe B (releia nossas impressões no lançamento) e Classe A (os detalhes estão aqui), compactos mais próximos dos R$ 100 mil e que deram cara (e preço) mais jovens à mais que centenária empresa.

NOVO ESTILO
O Classe E significa uma retomada em direção ao luxo, conceito de que "Mercedes-Benz" é quase sinônimo quando se fala de carro.

Ele chega na versão única Avantgarde. Pode ter motor 2.0 de 211 cv (E 250) ou 3.0 V6 de 306 cv (E 350). Já o Coupé é apenas E 250, e o Cabriolet, E 350. O câmbio é sempre o automático (com conversor de torque) 7G Tronic Plus, com opção de trocas sequenciais em hastes atrás do volante.

O que a marca alemã apresenta agora é um facelift da geração que estreou em 2009, no Salão de Detroit. Foi essa que abandonou os dois pares de faróis redondos que eram a assinatura visual da Classe E -- mas manteve as quatro peças (mais retilíneas) independentes e agrupadas de duas em duas. Agora a iluminação passa a ser 100% em LED, com lente única sobreposta aos fachos em cada lado da dianteira.

Os preços da gama são os seguintes:

E 250 Avantgarde -- R$ 229.900
E 250 Coupé -- R$ 239.900
E 350 Avantgarde -- R$ 284.900
E 350 Cabriolet -- R$ 299.900

A Mercedes avalia que a versão "de entrada", o sedã E 250, responderá por 50% dos 450 emplacamentos esperados para este ano. O E 350 ficaria com 30%, e as duas carrocerias "diferenciadas", com 10% cada uma.

A fabricante dobra a aposta para 2014: quer vender pelo menos 800 Classe E no ano que vem. Em 2012, sob o impacto da taxação dos carros importados, foram 368 unidades (ante 261 do arquirrival BMW Série 5). Em 2011, ano de pico, vendeu 589 carros (e perdeu da BMW e seus 614 Série 5).

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    Lanternas com LEDs aumentam refinamento da traseira, sublinhada pela dupla de escapes

O QUE ELE TEM
Além do conjunto óptico, outras mudanças visuais no E sedã para o ano-modelo 2014 incluem grade frontal com a estrela-símbolo da marca posicionada entre duas aletas (não há a estrela destacada no alto do capô), para-choques mais parrudos nas duas extremidades (com saídas de escape oblongas integradas) e novo desenho das lanternas traseiras. Cupê e cabrio têm grade frontal com aleta única (evocando os esportivos da gama SL) e faróis e lanternas mais alongados, para um toque extra de esportividade.

O Classe E mantém a tradição de bom recheio tecnológico, destacando a assistência para estacionamento (vagas paralelas e a 90º, como em shoppings), o Attention Assist, que detecta possível cansaço/desatenção do motorista e o alerta, e o Agility Control, que altera os parâmetros da suspensão automaticamente, de acordo com as condições do piso.

No entanto, destaques da nova Classe E em outros mercados (alguns deles são itens opcionais) foram barrados no Brasil: entre eles, as leituras de faixa, de ponto cego e distância e comportamento do carro à frente, capazes de corrigir traçados e manter velocidade adequada ao tráfego. Segundo a Mercedes, tais sistemas funcionam numa frequência incompatível com as normas brasileiras para o setor automotivo.

A sopa de letrinhas oferecida pelo conjunto de freios talvez compense as lacunas: ABS (antitravamento), EBD (distribuição de força), ESP (controle de estabilidade), ASR (controle de tração na arrancada), ETS (controle de tração em cada roda), BAS (assistência de frenagem de emergência), HSA (partida em aclive), Brake Drying (quando o limpador de para-brisa é acionado, as pastilhas aproximam-se dos discos para tirar o filme d'água), Priming (preparação das pinças assim que o pé solta o acelerador) e Hold (mantém o carro freado por até 10 minutos). Os airbags são seis. (Veja aqui lista completa de equipamentos e informações técnicas.)

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    Sedã tem teto solar como item de série; cupê vai além e traz teto solar panorâmico

Não há economia também no acabamento e nos itens de conforto na cabine do Classe E: ar-condicionado digital com três zonas, navegação por GPS, relógio analógico (é chique), tela multimídia, acabamento em alumínio (madeira no E 350), revestimento em couro sintético (natural no E 350), bancos, espelhos e direção com ajustes elétricos e memória, teto solar elétrico sobre os bancos dianteiros (o cupê se diferencia com teto solar panorâmico) etc. O ambiente pode ser monocromático (preto, cinza e bege) ou combinar duas cores (preto/cinza e preto/bege). Há nove opções de cores externas.

O E 350 acrescenta duas telas de entretenimento independentes voltadas para os passageiros de trás, com fones de ouvido sem fio.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Numa viagem de quase 200 km entre São Paulo e Campos do Jordão, no interior paulista (com trecho urbano no triste trânsito paulistano), UOL Carros encontrou o que esperava no Classe E 250: performance e conforto superiores combinados a uma certa ausência de emoção.

Mesmo com um motor relativamente pequeno e uma potência nada excepcional de 211 cv, que pode ser encontrada num "mero" Volkswagen Jetta TSI, o E 250 acelera com vontade e de forma quase imperceptível. Andar nele a 180 km/h é mais suave e relaxado que manter um sedã comum a 100 km/h: simplesmente parece que o Mercedes está deslizando em veludo, sem ruído excessivo, sem oscilações. O soberbo câmbio 7G Tronic, que atua realmente sem trancos, ajuda nessa percepção.

Uma sugestão que é quase um conselho: ao dirigir o E 250 na estrada, acione o cruise control com a velocidade máxima ajustada para o limite da rodovia. Todos agradecerão.

A miríade de sistemas eletrônicos citada mais acima ajuda a manter o sedã no trilho. Mesmo nas acentuadas curvas que levam até Campos do Jordão (subindo ou descendo a serra) o E 250 manteve um comportamento neutro, sem inclinar ou esboçar sub ou sobresterço. Desculpe, mas com esse carro você não canta pneus -- afinal, no fundo ele é um carro de tiozaço...

A cabine do Mercedes é agradável e confortável, com o nível certo de luxo (atenção, friso cromado não é chique, chapas de alumínio trabalhadas são), mas curiosamente não é percebida como megaespaçosa, algo sugerido pelos seus 4,87 metros de comprimento. Para os passageiros traseiros, há uma pequena chateação: o vão sob os bancos dianteiros é mínimo, e por isso a ponta dos pés tende a encostar na peça, o que não seria problema num carro de R$ 30 mil, mas não pode num de R$ 230 mil.

Apesar da performance excepcional, o E 250 não é beberrão. Tendo mantido velocidade média de 72 km/h nos 196 km do test-drive, o computador de bordo indicou consumo de 9 km/litro de gasolina. O fato de o torque máximo já estar disponível antes dos 1.500 giros (graças à sobrealimentação) é parte da explicação: o propulsor não precisa trabalhar muito para empurrar (literalmente, porque a tração é traseira) o sedã, mesmo em velocidades mais elevadas.

E por que falta de emoção num carro que entrega tanto? Primeiro, na comparação com o Classe E pré-facelift (de 2009), o modelo ficou mais bonzinho e genérico. A nova lente dos faróis tem formato de amendoim (embora os quatro riscos de LED das luzes diurnas sejam muito bacanas); as duas saídas de escape integradas ao parachoque traseiro por meio de aberturas cromadas são um recurso banalizado por carros mais baratos (o Peugeot 408, por exemplo, tem apliques que simulam essa solução). O Classe E anterior era mais áspero, mais parrudo.

Segundo, o Classe E três-volumes (não estamos falando do cupê nem do cabrio) não é feito para ser emocionante, até porque seu público-alvo (que a Mercedes, aliás, quer rejuvenescer) está acima dos 50 anos. A vibração, no alfabeto da marca, vai do A ao C -- o sedã médio, ainda por cima, é possivelmente o primeiro Mercedes do dono, o que lhe dá sabor de desafio aceito e vencido.

O E 250 cumpre a função de sala VIP (daquelas climatizadas, com móveis de couro, luzinhas relaxantes e música clássica) antes da porta que leva à ultratecnológica Classe S. Mas a essa quase ninguém vai chegar.

Viagem a convite da Mercedes-Benz

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